Ontem para além de olhar para as árvores nuas erguendo-se para os céus, também me encantou ver os efeitos dos reflexos na água e os troncos cobertos de hera, fungos e outras plantas.O botânico tem fontes, lagos, pântanos onde as plantas encontram a humidade necessária para se desenvolverem num microcosmo quase tropical. Mesmo sem flores - ainda que haja já camélias e algumas rosas ou narcisos - encontro sempre aqui milagres da natureza ou motivos para cada vez mais apreciar os locais abertos, onde o olhar repousa e a alma rejuvenesce.
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os nenúfares
Hoje voltei ao Botânico. Necessitava de ar puro e apetecia-me andar, ver algo bonito como as camélias ainda em botão que se preparam para desabrochar na Primavera.
O jardim está desolado, sem flores de espécie nenhuma, as árvores sequiosas, mesmo sem folhas, nota-se nos ramos esguios a secura que tem assolado o país.
Os lagos de nenúfares pareciam sarcófagos gigantes e redondos. Se não foram os reflexos das árvores e arbustos na água lodosa, até julgaria que estavam vazios. Que desolação...
Sei bem que é inverno. Ainda não há nenufares.Só há raízes que estão no fundo dos lagos. As sementes ainda não germinaram, as folhas estão escondidas e flores virão mais tarde ainda. É assim o ciclo da vida das plantas e se gostamos delas, temos de as respeitar. As estufas permitem outras veleidades, mas gosto de ver as plantas desenvolverem-se naturalmente, sem habitats artificiais.Para "matar saudades" coloco aqui algumas fotos que tireiem diversas épocas do ano e umas pinturas de Monet, o pintor que mais tempo dedicou a esta bela flor.
Já não falta muito para a Primavera, é o que vale. Em breve veremos flores nas camélias japónicas que inundam o jardim...não custa esperar.
O jardim está desolado, sem flores de espécie nenhuma, as árvores sequiosas, mesmo sem folhas, nota-se nos ramos esguios a secura que tem assolado o país.
Os lagos de nenúfares pareciam sarcófagos gigantes e redondos. Se não foram os reflexos das árvores e arbustos na água lodosa, até julgaria que estavam vazios. Que desolação...
Sei bem que é inverno. Ainda não há nenufares.Só há raízes que estão no fundo dos lagos. As sementes ainda não germinaram, as folhas estão escondidas e flores virão mais tarde ainda. É assim o ciclo da vida das plantas e se gostamos delas, temos de as respeitar. As estufas permitem outras veleidades, mas gosto de ver as plantas desenvolverem-se naturalmente, sem habitats artificiais.Para "matar saudades" coloco aqui algumas fotos que tireiem diversas épocas do ano e umas pinturas de Monet, o pintor que mais tempo dedicou a esta bela flor.
Já não falta muito para a Primavera, é o que vale. Em breve veremos flores nas camélias japónicas que inundam o jardim...não custa esperar.
domingo, 15 de janeiro de 2012
O inverno
Hoje chegou para mim o inverno.
Os meus meninos chegaram e quiseram logo ir para o Botânico com a Avó. Tinha estado a pintar e a ouvir música barroca com um novo aparelhometro que o meu filho me ofereceu e que possibilita ouvir-se o IPOD alto e bom som. É excelente para quando estou a pintar e soube-me bem ter música no atelier.
resolvi usar o acrílico como se fosse aguarela e resultou ( na minha opinião, claro). A tela estava um pouco húmida , de modo que o efeito é muito semelhante. Pintei as árvores que vejo da janela do atelier e que estão parcialmente despidas agora.
Não ficou muito mal. Vai aqui com a música que ouvi.
Os meus meninos chegaram e quiseram logo ir para o Botânico com a Avó. Tinha estado a pintar e a ouvir música barroca com um novo aparelhometro que o meu filho me ofereceu e que possibilita ouvir-se o IPOD alto e bom som. É excelente para quando estou a pintar e soube-me bem ter música no atelier.
resolvi usar o acrílico como se fosse aguarela e resultou ( na minha opinião, claro). A tela estava um pouco húmida , de modo que o efeito é muito semelhante. Pintei as árvores que vejo da janela do atelier e que estão parcialmente despidas agora.
Não ficou muito mal. Vai aqui com a música que ouvi.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Pelo Botanico...
Fui agora ao Botanico despedir-me dele e da minha filha que partirá amanha para Leeds. Gosto de sair com ela, hoje não fui à Foz porque tinha de ir fazer uma ressonância magnética ao HPP e ela saiu antes de eu chegar. Têm estado uns dias
.
lindos e a Natureza parece querer consolar-nos da ausência das folhas nas árvores e flores garridas com o esplendor do astro-rei e fins de tarde espantosas, duma luminosidade e cor, que nos custa a acreditar estarmos em pleno inverno. As noites caem cedo, mas a luz mantém-se até tarde e o reflexo do sol nos edifícios dá-lhes um toque dourado lindo.
Apanhámos pinhas para a minha lareira, são pequeninas e cheias de resina, mas ardem bem e cheiram ainda melhor. Amanhã já vou tirar os enfeites de Natal, parece que foi um instante desde o dia em que decorei a sala com todos os ademanes desta época festiva. Sinto um pouco de nostalgia, mas sei que a sucessão de eventos significa o estarmos vivos e cheios de energia, a nossa reacção às mudanças de estação é tanto mais real quanto as sentimos dentro de nós e não apenas por vermos os sinais da Natureza.
Fiz mais umas caixinhas de madeira e também umas molduras, que ficam assim personalizadas....gosto delas e sobretudo, adoro pintá-las. Espero que as pessoas a quem as ofereço também as apreciem.

Apanhámos pinhas para a minha lareira, são pequeninas e cheias de resina, mas ardem bem e cheiram ainda melhor. Amanhã já vou tirar os enfeites de Natal, parece que foi um instante desde o dia em que decorei a sala com todos os ademanes desta época festiva. Sinto um pouco de nostalgia, mas sei que a sucessão de eventos significa o estarmos vivos e cheios de energia, a nossa reacção às mudanças de estação é tanto mais real quanto as sentimos dentro de nós e não apenas por vermos os sinais da Natureza.
Fiz mais umas caixinhas de madeira e também umas molduras, que ficam assim personalizadas....gosto delas e sobretudo, adoro pintá-las. Espero que as pessoas a quem as ofereço também as apreciem.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Mudança da hora
Detesto os dias de chuva, depois da hora mudar. De repente chega o inverno, sem necessidade nenhuma....bastava não mudar a hora para que todos tivéssemos mais horas de luz na nossa vida, sobretudo os mais velhos que se levantam mais tarde. Não custa muito levantar cedo às escuras, porque é sempre um sacrifício e os olhos têm tanto sono que nem notam se há luz do dia, se não. Em contrapartida, vão-se buscar as crianças aos colegios e infantários já de noite e os pobrezinhos já nem podem correr no pátio, ir até ao Botânico ou ao Palácio, vão directos para casa, às 5 horas. E aí massacram os pais...ou vêem TV.
Mudando de assunto:
Pintei este quadro. Comecei-o há dias e acabei-o hoje. Gosto dele ao vivo, não tanto em fotografia.
Penso que é da luz...pouca demais.
Mudando de assunto:
Pintei este quadro. Comecei-o há dias e acabei-o hoje. Gosto dele ao vivo, não tanto em fotografia.
Penso que é da luz...pouca demais.
quinta-feira, 31 de março de 2011
A Primavera voltou....
...e fui festejá-la ao Botânico, onde já não ia desde o Natal, creio eu.
Aqui vê-se bem a diferença entre as estações do ano, não há comparação possível entre os esqueletos negros que se erguem aos céus em prece em Dezembro e esta festa de verde, de luz e cor que presenciei hoje. Sempre gostei de tirar fotos a contra-luz, troncos sem qualquer folha sob o céu cinzento de chumbo. No Jardim Inglês de Munique e no Hyde Park de Leeds, a neve ou o verde da relva contrasta fortemente com as árvores negras no inverno.
Hoje o cenário é completamente diferente, como se pode ver nas fotografias que tirei há uma hora. O dia está herrlich, como diriam os alemães, glorious os ingleses. Não encontro palavras tão ricas em português
Infelizmente os jardins agora estão cheios de alunos de escolas que vêm visitar a expo Darwin. É confrangedor ver a bacoquice e comportamentos grosseiros deste jovens , em geral. Penduram-se nas fontes, , sentam-se nas árvores, quebram galhos, apanham flores e sobretudo, fazem um barulho ensurdecedor, com piadinhas secas do tipo: "Que nojo! Topa-me aquela rã, que horror!"
Não há possibilidade de manter esta gente calada e respeitadora num lugar que é lindo? Nem sequer ouvem os pássaros que chilreiam ali sem cessar. Os profs parecem alhear-se destes problemas, soltam-nos como se fossem animais e cada um faz o que quer....não é assim que se organizam visitas de estudo.
Voltei a fotografar a Casa Andersen, desta feita do lado de trás,
CLIQUEM AS FOTOS, QUE VALE A PENA!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Porto a preto e branco - II
A cidade do Porto é uma joia, mesmo quando o tempo está cinzento, atraem-me os odores a maresia aqui na minha varanda, parece que estamos no alto mar e não foram os carros e autocarros que passam vertiginosamente no Campo Alegre, teria as janelas abertas todo todo o dia. A casa Andresen continua vermelha, escura e triste, só quando lhe dá o sol se anima um pouco, mas não posso deixar de reparar nela,
Hoje está um dia parado no tempo. As árvores não bulem, o carvalho aqui em frente, que ainda mês passado ostentava folhas laranja e vermelhas, parece uma estátua de encontro ao céu de chumbo. Lindo!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Fuga para as galáxias
(clicar)
Não gosto destes dias cinzentos - hoje foi excepção - que acabam às 4 horas e deixam uma indizível tristeza no ar. Acordo de manhã, sem vontade de me levantar, só apetece estar debaixo dos cobertores, sonhar e adiar o mais possível o confronto com o real. A vida é simples, a casa é boa, há aqui paz e não preciso de sair a não ser quando me apetece. Estou com uma enorme relutância em fazer coisas por obrigação, acho que atravesso um momento especialmente anti-social, sem razão. Fora os netos,não me apetece aturar mais ninguém, não me apetece ir a eventos, falar com pessoas de trivialidades.
Hoje aventurei-me pelas galáxias. Este quadro lembra-me o universo...
Galáxias, mutantes nichos
No escuro vão do universo
Que rodopiam e se harmonizam
Formando rimas e versos.
Pó de estrelas cadentes
Que raios cosmos aquecem,
Que o gelo torna dormente
E gases mil arrefecem.
Galáxias, vida e poeira
Da estrada plena e divina,
Trovas soltas na ladeira,
Poema que a Deus fascina.
Galáxias, nicho da gente,
Fonte vital, pura, híbrida,
Onde o verbo inteligente
Escreve diferentes vidas.
(in Overmundo)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Árvores, não choreis, olhai e vêde...( Florbela Espanca)

Passear no Botânico é um vício para mim, sobretudo no inverno , quando as árvores estão despidas e se erguem para o céu quais esqueletos negros, em busca de um pouco mais de azul. Sempre gostei de passear em parques no inverno e lembro-me de longas caminhadas no Englischer Garten, o jardim mais lindo que conheço, em Munique, com ou sem neve, temperaturas de bater o dente, céu cinzento de chumbo e nem uma folha ou flor á vista.
As árvores são mais verdadeiras assim, neste defeso, em que se preparam, nuas, para a moda fashion da primavera. Assumem uma personalidade diferente e altaneiras ou anãs, quedam-se em silêncio, irmanadas na solidão dos parques vazios.

Hoje fui apanhar pinhas com os meus netos. Cada um levava um saco grande e tinha de o encher. Prometi oferecer um Gormitti - bonecos horrendos duma colecção pavorosa de monstros - ao primeiro que enchesse o saco. Respondeu logo o mais pequeno: "Vai ser o mano. Ele ganha tudo." Comoveu-me a sua modéstia, sensatez e constatação de factos. Não acrescentou: "Vou apanhar mais do que ele". Continuou a apanhar as suas pinhinhas e a encher devagarinho o seu saco, certo de que a Avó daria um Gormitti a cada um.

Vão aqui algumas fotos que tirei...desculpem o meu vício fotográfico e toxicodependência das árvores, da água, das plantas. O lodo na fonte parece uma renda. As camélias perfeitas.
As plantas fazem parte da minha vida cada vez mais. Mais do que as pessoas - posso estar meses sem ver algumas, mesmo da família - não dispenso a presença destes seres vivos na minha rotina diária, árvores que nascem, crescem e morrem para lá de nós.

CLIQUEM NAS FOTOS QUE VALE A PENA!
domingo, 20 de dezembro de 2009
Voltei ao Botânico
no dia em que acaba o Outono e começa o inverno.
Estava sombrio e frio, as árvores sem folhas, excepto algumas mais pertinazes e as perenes, que estão sempre verdes. As cameleiras aprontavam-se para o Natal com as suas flores vermelhas e brancas em profusão magnífica. Deve ser o jardim com mais camélias do país. São milhares a toda a volta e no meio do jardim. Voltei a ver o toco da tília deitada abaixo e apeteceu-me marcar lá as minhas iniciais, como fazem os namorados pirosos no meio das florestas. Amei aquela árvore e faz-me falta como uma pessoa de família ( tb rima com tília, Regina, dá para fazer um elogio fúnebre em verso). Fica mesmo ao pé do busto de Ruben A, que me pareceu mais só que nunca.


Resolvi tirar fotos aos troncos que agora se vêem muito melhor sem as folhas. Há os de todos os tamanhos, formas, entrelaçados, afastados, em direcção ao céu, prostrados para o chão atapetado por musgo e trevo aos milhares. Num local que conheço bem, havia pinhas e pinhas juncadas no chão, cheias de caruma e resina. Pareciam pintadas, como se fosse já Natal. Apanhei muitas para a minha lareira. Ali no chão, ninguém lhes liga nenhuma, acabam por sucumbir na mesma. São lindas, afuniladas, fazem figura no meu cesto da lenha.
Acabei por me vir embora porque as mãos se me gelavam. Tomei um chazinho com a minha nora eo meu neto mais pequenino, que já gatinha e come pão, grandes progressos!
Por favor cliquem nas fotos para sentirem o cheiro e as rugosidades dos troncos. Vale a pena!




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