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domingo, 8 de abril de 2012

Paz e tranquilidade

Quem dera a muita gente poder gozar desta Paz que me invade neste Domingo, após um almoço simples mas tradicional num restaurante daqui da zona com os meus dois filhos, passeio a pé a seguir pelos jardins da faculdade de Ciências - lindíssimos nesta Primavera resplandecente - e pelo Botânico, onde consegui fazer um curto vídeo que vou tentar colocar aqui daqui a dias.
Quase que não se ouviam carros, hoje, as gaivotas piavam e os passarinhos - tantos - chilreavam saudando a ausência quase total de poluição e certamente, o ambiente mais saudável desta estação do ano. As árvores seculares erguiam-se
majestosamente como sempre, transportando milhares de folhinhas novas dum verde indescritível. A natureza canta a plenos pulmões nesta época do ano e só quem não quer, é que não vê este esplendor.
Os portões do jardim estão abertos, não se paga nada, fica-se mais rico, mais calmo, mais feliz, depois duma experiência destas.
Admiro-me ao ver os shoppings cheios em dias como este. Por acaso ontem fui ao cinema com a minha filha e estava quase vazio, apesar de ser sábado.
Ainda bem. As crianças precisam de contacto com a natureza, os meus netos passaram estes dias na terra do Avô materno
e certamente vêm de lá com mais amor à vida. Não há TV, não há PCs, não há tecnologias idiotas a espevitar a imaginação...há a paz dos campos, dos riachos e a grandeza das árvores que se elevam, gloriosas a cantar ALELUIA, mesmo quando o país parece querer rastejar.

sábado, 24 de março de 2012

Tempo cinzento

A Primavera chegou.

E o tempo de céu azul tingiu-se de cinzento desafiando todas as previsões.
Como gosto deste tempo, saí e fui passear ao Botânico, onde não há dúvidas. A Primavera está aí e as plantas sabem-no, sentem-na nas pétalas, nos brotos,
nas folhas, nos odores...é lindo ver a natureza a renascer depois do inverno, este muito meigo e seco. A água faz falta, mas as flores do Botânico têm irrigação especial e nascem na mesma.

Resolvi tomar um chá à inglesa no bar japonês - com empregado brasileiro
- que abriu no ano passado. Tudo ali é requinte, como se pode ver pela foto. O sossego fantástico, apenas umas tres pessoas e algumas crianças no jardim.
Pena não haver exposições, a Casa é tão perfeita para esse fim, está fechada. E Sophia

olha-nos no jardim do labirinto, com os olhos no vago, talvez sonhando com aquela menina que um dia ali brincou, ali escreveu e correu. O tempo passa, os sonhos ficam assim como a poesia.

Poema

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Um jardim encantatório

Ontem para além de olhar para as árvores nuas erguendo-se para os céus, também me encantou ver os efeitos dos reflexos na água e os troncos cobertos de hera, fungos e outras plantas.
O botânico tem fontes, lagos, pântanos onde as plantas encontram a humidade necessária para se desenvolverem num microcosmo quase tropical. Mesmo sem flores - ainda que haja já camélias e algumas rosas ou narcisos - encontro sempre aqui milagres da natureza ou motivos para cada vez mais apreciar os locais abertos,
onde o olhar repousa e a alma rejuvenesce.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os nenúfares

Hoje voltei ao Botânico. Necessitava de ar puro e apetecia-me andar, ver algo bonito como as camélias ainda em botão que se preparam para desabrochar na Primavera.
O jardim está desolado, sem flores de espécie nenhuma, as árvores sequiosas, mesmo sem folhas, nota-se nos ramos esguios a secura que tem assolado o país.
Os lagos de nenúfares pareciam sarcófagos gigantes e redondos. Se não foram os reflexos das árvores e arbustos na água lodosa, até julgaria que estavam vazios. Que desolação...

Sei bem que é inverno. Ainda não há nenufares.
Só há raízes que estão no fundo dos lagos. As sementes ainda não germinaram, as folhas estão escondidas e flores virão mais tarde ainda. É assim o ciclo da vida das plantas e se gostamos delas, temos de as respeitar. As estufas permitem outras veleidades, mas gosto de ver as plantas desenvolverem-se naturalmente, sem habitats artificiais.
Para "matar saudades" coloco aqui algumas fotos que tirei
em diversas épocas do ano e umas pinturas de Monet, o pintor que mais tempo dedicou a esta bela flor.
Já não falta muito para a Primavera, é o que vale. Em breve veremos flores nas camélias japónicas que inundam o jardim...não custa esperar.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Pelo Botanico...

Fui agora ao Botanico despedir-me dele e da minha filha que partirá amanha para Leeds. Gosto de sair com ela, hoje não fui à Foz porque tinha de ir fazer uma ressonância magnética ao HPP e ela saiu antes de eu chegar. Têm estado uns dias
lindos e a Natureza parece querer consolar-nos da ausência das folhas nas árvores e flores garridas com o esplendor do astro-rei e fins de tarde espantosas, duma luminosidade e cor, que nos custa a acreditar estarmos em pleno inverno. As noites caem cedo, mas a luz mantém-se até tarde e o reflexo do sol nos edifícios dá-lhes um toque dourado lindo.

Apanhámos pinhas para a minha lareira, são pequeninas e cheias de resina, mas ardem bem e cheiram ainda melhor. Amanhã já vou tirar os enfeites de Natal, parece que foi um instante desde o dia em que decorei a sala com todos os ademanes desta época festiva. Sinto um pouco de nostalgia, mas sei que a sucessão de eventos significa o estarmos vivos e cheios de energia, a nossa reacção às mudanças de estação é tanto mais real quanto as sentimos dentro de nós e não apenas por vermos os sinais da Natureza.

Fiz mais umas caixinhas de madeira e também umas molduras, que ficam assim personalizadas....gosto delas e sobretudo, adoro pintá-las. Espero que as pessoas a quem as ofereço também as apreciem.









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domingo, 21 de agosto de 2011

No ninho

Os meus netos voltaram hoje ao ninho e, como sempre, estranhei o barulho, algazarra, turbulência que eles obviamente causam, ou não fossem crianças. Causa-me espanto como é que dantes, suportava tão bem o barulho em casa, eu que também tinha três e eram vivaços, como estes; em geral, aguentava-os bem, mesmo depois de dar cinco aulas consecutivas à tarde. Ou então, já me esqueci dos berros  e das dores de cabeça ao fim do dia. O que vale é que nossa memória é selectiva e muitas vezes esquecemos o que foi horrivel para só lembrar o melhor. Gostei mesmo de estar com eles, embora não conseguisse dar muita atençao aos três. O mais velho ficou a ver o futebol e jantou cá. Senti o seu afecto e calor no abraço que me deu. É o meu neto querido e que me faz mais falta quando ausente.

A vinda deles hoje foi como a trovoada, que finalmente caiu sobre a cidade, mansa, mas benéfica, pois o ar ficou mais leve, o horizonte abriu-se, o sol pálido resurgiu e as plantas do botânico ergueram osbraços em louvor ao Criador. Hoje tudo estava brilhante, luzidio, fresco ...como as minhas pinturas antes de secarem. O ribombar dos trovões nem sempre é prenúncio de catástrofe!

 Foi um Domingo sem história...mas com muita companhia.

Poderia eu viver sem netos.....? Poder, podia, mas não era mesma coisa!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A buganvília



Há-as de todas as cores aqui no Algarve e na Luz. Em Junho estive cá e não havia quase nenhum arbusto com flores, fiquei desconsolada, pois estas cores vibrantes adoçam o ambiente e agora que já não há hibiscos aqui no jardim, pois tiraram o que havia com o pretexto de que tirava a vista da janela, as buganvílias são quase as únicas flores ainda existentes. A vista é muito bonita, mas as flores fazem-me falta, o meu Pai tinha imenso orgulho nos seus agapantos, que proliferam no Porto, as sardinheiras multicolores, a árvore da borracha trazida de longe...tudo isso desapareceu, até a palmeira da Avó, mas essa morreu de velhice. Deixou duas pequenas, uma filha outra neta, que daqui a uns anos farão as delícias de quem gostar de plantas como eu. Há quem prefira olhar para o mar sem interferências, mas este aqui é de tal modo vasto, que nunca uma pequena planta poderia estragar a visão deste azul infinito. Os vizinhos têm um pinheiro manso que nos tira o sol durante parte da tarde, mas está cá há 45 anos e ai de quem falar em cortar aquela árvore ou mesmo desbastá-la...
Ando a fazer colecção de fotos de buganvílias de cores diferentes, para depois fazer uma colagem...mas coloco aqui algumas do nossos jardins detrás, em especial ara a minha amiga Regina, que gostou muito delas, quando esteve aqui na Luz.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os detalhes da minha rua

Numa cidade há milhares de detalhes que nos passam despercebidos, de tal modo é a azáfama em que andamos, sobretudo quem anda de carro ou transportes públicos.
Quem anda a pé, goza muito mais e melhor destes pormenores que a cidade nos oferece e que podem nem ser bonitos, mas são no mínimo curiosos.
Hoje à ida para o Solinca para mais uma tortura no ginásio ( já perdi 2kg neste dois meses, não é mau), diverti-me a tirar fotos com o meu Ipod a objectos ou coisas banais da minha rua: farois , farolins, simbolos de marcas, maçanetas velhas, caixas do correio antigas, portões, grades, muretes, um sem número de coisas que contam histórias....ou contariam se falassem. Olho para um farolim e pergunto-me: Quem usará este carro? Será velho, será novo, mulher, casado, solteiro??? A curiosidade matou o gato....mas eu ainda não morri.



Esta é uma rua com muito encanto e nunca acaba de me surpreender. Não consigo tirar fotos aos passarinhos - muitas espécies de aves canoras - que me deliciam com os seus chilreios. As flores já estão mais murchas devido ao calor e falta de rega, mas continuam a sobreviver no meio de tanta poluição. Às vezes pergunto-me como é que as árvores do Campo Alegre não morrem de fuligem, de patine ou de cansaço, passam centenas de autocarros por elas todos os dias....os escapes que são tudo menos escapes, deviam chamar-se ratoeiras...


É a cidade que temos....mas os meus netos desenham sempre paisagens de campo, com sol, flores, mar, árvores...é raro desenharem casas, muito menos automóveis e ainda menos autocarros...

domingo, 26 de junho de 2011

7 da manhã


Acordei muito cedo e não me apeteceu ficar na cama, doem-me s costas, o que é uma constante, hoje em dia. Só espero não ter nenhuma doença grave que provoque este tipo de dor, atribuo-a sempre a artrose, má posição, almofada pouco recomendável ou velhice. Infelizmente lembro-me sempre duma amiga que faleceu aos 50 anos com um cancro dos pulmões e que apenas se queixava de dores nas costas meses antes de tudo acontecer. Segundo a minha médica o cancro é uma doença terrível porque não dá sinais assustadores, a não ser quando já está muito adiantado.
Bom,mas falemos de coisas mais alegres.

Silêncio total aqui na rua, não se ouvem sequer os autocarros, que constumam descer o Campo Alegre a uma velocidade grande. Rua vazia. Domingo de manhã. Há menos gaivotas agora, já não piam....será que encontram comida na Foz, finalmente? noutros lados? As árvores estão mudas e quedas como cadáveres, nem uma folhinha se move. Verde claro, muito verde escuro, tons um pouco iguais no Verão...céu azul claro, alguma neblina vinda do rio.

Gosto muito das manhãs, do cheiro das plantas que aqui abundam, desde o alecrim à alfazema, rosas,lantana e madressilva há-as todas por aqui.Graças a Deus.

Fica aqui uma canção das mais poéticas que conheço em louvor da natureza. Um bom domingo para todos: