sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Desculpem

Tive de apagar a entrada sobre a origem da palavra NOITE, não porque não achasse graça à descoberta, mas porque o copy paste, me ensarilhou a formatação do blogue e não se percebia nada...

Obrigada ao Paulo pelo esforço em me demonstrar que estava errada ( não fui eu que descobri isto!) e à Graciete pelo seu comentário.

Fica aqui a ária da ópera Flauta Mágica e as duas fotos da NOITE tiradas na Luz no ano passado.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Fim de férias

Os meus filhos e netos já estão mesmo no fim das férias....a queimar os últimos cartuchos, como se diz em gíria popular. Sinto um misto de ansiedade e enorme desejo de que estes dias acabem, há sempre dor na separação, mesmo que os filhos já tenham 30 anos.....

Já me estava a habituar ao som da guitarra às 4 da manhã, às saídas para a praia da minha filha, que se quer despedir do sol e do mar que não verá tão depressa, aos jantares aqui em frente à TV ( não é pedagógico, pois não???), aos jogos de futebol, aos empréstimos do laptop a toda a hora, às confusões do facebook e dos nomes e entradas, aos silêncios e até à desarrumação da roupa, da casa de banho e cozinha...já estava habituada a ter juventude aqui em casa...


Na 6ª feira, quando voltar de Londres, encontrarei a casa vazia de filhos, os quartos sem alma, o silêncio será doloroso e as saudades grandes.

Nunca se está bem...mas temos de nos habituar a olhar  para dentro de nós próprios sem remorsos, tentar viver o nosso mundo, criar a nossa Arte,  procurar os nossos amigos reais e do ciberespaço, ver os nossos programas de TV, ouvir a nossa música... sem feedback de espécie nenhuma, sem interrupções, sem vozes nem sorrisos...

O nó na garganta teima em aparecer...e nem a lufa-lufa da mudança depois de amanhã o impede de se manter. Hoje não estou capaz de mais.

Tirei estas fotos anteontem com o meu Ipod. Havia uma poça no chão e o céu espelhava-se nela, assim como o candeeiro e uma árvore. O efeito era lindo...resolvi fotografá-la.

Na minha vida vai chover em breve...mas espero bem que depois apareçam o céu azul, a luz e o resto que me animam e fazem viver.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

The Museum of Everything - O Museu de tudo



Descobri que se inaugurou esta semana em Londres, mais um evento que me vai seduzir - e já há tantos que precisava de uma semana para os ver a todos!

Chama-se : The Museum of Everything e está patente ao público no Selfridges, um dos armazéns mais bonitos da Oxford Street, onde passei largas horas no ano de 1971, quando fui preparar a minha tese de licenciatura nessa cidade. Era um espanto e podiamos lá passar umas horas ( no quentinho) a visitar todos os andares, desde a entrada, cheia de acessórios, como agora se chamam aos artigos de beleza, joias,etc. até ao andar de cima com  artigos de casa,  toalhas de linho irlandês lindíssimas e objectos que nunca víamos em Portugal,  descendo depois às secções de roupas com  camisolas de malha lambswool, quentinhas e macias. Foi lá que comprei o meu primeiro kilt ( saia escocesa) em 1969, com 23 anos, quando fui num passeio de fim de curso a Londres.
Desde 2009 que o espaço é também usado como um Museu muito especial. Neste museu todos podem expor a sua criação, mesmo que não sejam conhecidos do público.
Num site brasileiro, encontrei esta informação: 

A loja de departamentos de luxo Selfridges, em Londres, vai inaugurar no dia 2 de setembro o Museum of Everything (algo como “Museu de Tudo”), que terá pinturas, esculturas e ainda uma coleção da marca Clements Ribeiro. O criador do Museu, James Brett, convidou a dupla de estilistas Suzanne Clements e Inácio Ribeiro para criar uma linha usando pinturas de artistas convidados. O resultado foi o Project 6, com imagens surreais, como bocas, mulheres nuas e textos escritos à mão em seda, calças de pijamas e sapatos plataforma.

“O Museum of Everything apresenta uma ótima oportunidade de merchandising por sua riqueza de imagens e padrões que vêm da arte”, explicou Linda Hewson, diretora criativa da loja. A exposição fica aberta até o dia 25 de outubro.






 Estou cheia de vontade de ir ver uma iniciativa deste género,. Já sei que não se pode fotografar, é expressamente proibido, de modo que esta fotos serão as únicas que porei aqui a propósito. Mas com certeza falarei desta experiência que me vai marcar assim como a peça Billy Elliot, para a qual já comprei bilhetes.

Fica aqui um vídeo com música deste musical, da autoria de Elton John.







segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os hábitos mudam

Dantes andávamos todos de transportes públicos. O automóvel, quando existia,  era para levar as crianças à escola ou para os pais que trabalhavam muito se deslocarem para o local de trabalho.
Os estudantes andavam todos de autocarro em Lisboa.
A minha vida de estudante foi, aparentemente, um desperdício - ou talvez não - pois chegava a passar duas horas nos transportes públicos, muitas vezes à chuva, sem poder ler, pois enjoava, contemplando as ruas mais feias de Lisboa, por onde passava o autocarro 12. Depois ainda tinha de apanhar o 38, de dois andares,  que já seguia por ruas mais chiques. Chegava a casa extenuada à tardinha e só me apetecia dormir.
Quando comecei a dar aulas no Liceu Pedro Nunes, beneficiei de algumas boleias com um amigo do meu irmão, que também andava lá a estudar. Foi uma benesse, pois o liceu era muito fora de mão e tinha de sair as 7.45.
Quando casei, passei a ter de apanhar três transportes para chegar ao Liceu MªAmália - autocarro, metro e autocarro....chegava ao liceu as 8.15 e tinha cinco aulas em perspectiva...mas primeiro tomava um café no Pisca-Pisca, que já não existe, e comia uma madalena, que me sabia pela vida.
Tirei carta, mas nunca cheguei a guiar, tive dois acidentes, era distraída até dizer basta, não tinha jeito nenhum para conduzir e tornava-se perigoso fazê.lo. Foi uma grande lacuna na minha vida, em que experimentei quase tudo.
Parece que agora as pessoas se deram conta de que ter um automóvel sai caríssimo e descobriram que há metro, autocarro e até eléctricos no Porto. Estão em pânico, como se passar do carro para o omnibus fosse uma degradação humilhante. Deviam ir a Londres ou a Munique, onde se vêem executivos vestidos a preceito no metro ou nos Strassenbahnen, eléctricos que percorrem a cidade toda. Ninguém sente vergonha, nem medo. Todos são inteligentes e amigos do ambiente.




domingo, 4 de setembro de 2011

Fim de tarde

Depois das arrumações, resolvi ir ao Botânico tomar um chá e ler ao sol. Estava uma tarde linda e como ontem choveu toda a noite, as plantas riam-se ao sol, verdinhas e frescas. Estive uma hora sentada no novo café a comer um brownie e a beber o meu chá de limão. Li várias páginas de Um Dia, o romance de que vos falei ontem. Estava-se bem, até que chegou um bando de miudos barulhentos - penso que seria uma festa de anos - e quebrou-se o sossego. Fui então passear e consegui tirar mais umas fotos diferentes dos nenufares - agora compreendo o fascínio que Monet sentiu por eles - e do resto do parque, onde as flores agora são diminutas. As escadas do DNA, que restaram da expo Darwin estavam atiradas na relva todas desfeitas, não compreendo porque não deixam ali a escultura montada, já que se gastou dinheiro com ela. 

Senti paz e serenidade neste fim de tarde. Também senti que uma etapa mais já está a findar, daqui a pouco estamos em Londres, a minha filha e eu, ela partirá rumo à sua terra adoptada e eu ficarei mais só. É a vida.
 Já em casa, consegui comprar bilhetes para ver um musical fantástico que é o sucesso maior em Londres neste momento: Billy Elliot, cuja história já foi feita em filme.
É a história duma criança , filho dum mineiro nos anos 80, que sonha ser bailarino e não tem nem dinheiro, nem o apoio do Pai viuvo para concretizar o seu sonho. A música é de Elton John e promete, pelo que já ouvi da banda sonora. Comprei os bilhetes online, são caros, mas valem a pena. Todos os musicais que vi lá ou na Broadway eram excepcionais e nunca mais os esqueci.

Arrumações - going down memory lane

Não há nada pior....que passar um domingo cheio de sol a abrir gavetas, onde se guardaram coisas há anos e que contém segredos para lá do imaginável, recordações que estavam abrigadas mesmo no fundo, fotografias amareladas e sem qualquer espécie de interesse actual, cartas,  souvenirs, etc. Há quem deite tudo fora....há quem guarde tudo.  Sou um meio-termo. Nas arrumações,  encontramos algo interessante.
Em tempos, no ano de 1997, escrevi muitos mails a um amigo meu e ele a mim. Imprimi-os, pois eram quase diários dentro duma pasta com elásticos e trouxe-as para aqui em dada altura, pois eram privados
e não queria que ninguém os lesse.
Hoje, passados 14 anos,  descobri que o que ali está sou eu há quase 15 anos, numa encruzilhada de vida, sufocando a minha infelicidade no dia-a-dia com os filhos, vivendo como profissional a 100% e, tentando encontrar consolação numa Amizade gratuita, grande, imensa e que nunca terminará.
Como no filme que vi há dias, os anos passam e só vemos bem a realidade e a importância das relações pessoais anos depois, com perspectivas diferentes e olho critico. Reli muito do que escrevi...está lá tudo, a minha ansiedade, os meus sonhos, o meu amor aos filhos, o gosto pelo ensino, pela música....o meu desejo de evasão, a minha restlessness, incapacidade de parar, de ficar, de estagnar.

Se ele ler isto vai-se rir...mas a espuma do tempo já levou quase tudo....




sábado, 3 de setembro de 2011

Mensagem

Hoje li esta mensagem no facebook, postada por uma amiga do WOOPHY.

Apoio-a incondicionalmente, acho que vem directa aos meus pensamentos nos últimos dias. Perdoem-me se vos choco, mas não vos é dirigida. É apenas um desabafo.

Não tenho tempo para odiar quem me odeia; não tenho tempo para me chatear com quem não me entende; não tenho tempo para me preocupar com quem não se importa comigo... Sabem porquê? Porque estou ocupada a amar quem me ama, a falar com quem me entende e a lutar por aqueles que se importam comigo. A vida é muito curta para ser desperdiçada com pessoas vazias e sem princípios!

Por outras palavras : Não podemos estar  bem com Deus e o Diabo. Há que fazer escolhas na VIDA!


Foto tirada na Foz em 2009 - Molhe

Tons outonais

Hoje descobri que o Outono já chegou...as árvores dos pinhais da Foz já estão castanhas e parece que vivemos num país do norte da Europa, com temperaturas a rondar os 20º, chuva ou aguaceiros, nuvens cinzentas e ameaçadoras.
Gosto do Outono, quando ele não vem cedo demais, mas talvez porque este ano fui para a praia em Julho, parece-me que já é a altura das folhas mudarem de cor...as primeiras são as vinhas virgens, que tão belas se tornam, adquirindo aquele tom vermelho e único. Os últimos são os carvalhos aqui da rua, que até Dezembro ostentam uma cabeleira ruiva e afogueada para depois ficarem negros e esguios a olhar o céu.



Pintei três quadrinhos hoje, precisamente sobre este tema...estava inspirada e apetecia-me passar toda a tarde em casa.

Acabei por ir à Foz com os meus netos mais novinhos e fez-me bem respirar o ar de mar e contemplar as nuvens em castelo prateado por cima de Gaia, lá longe.
Já não havia quase ninguém na areia, de repente, numa semana, acabou o verão... como se alguém tivesse fechado a porta da praia e do mar aos banhistas e pusesse um letreiro a dizer: "Proibido veranear!"
 Os miudos divertiram-se no "Homem do Leme", parque infantil perto da estátua,  muito agradável para as famílias em frente ao mar...estava-se bem, ainda que não haja possibilidade de grande descanso com crianças. A alegria deles, porém,  compensa.

Esta foto foi tirada por mim há já dois anos, mas é a que melhor espelha o que a estátua representa....um barco ao fundo, uma criança junto ao Homem, que fita o mar sem cessar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cinema - esse local mágico para tudo esquecer

Hoje fui ao cinema. Paguei 5 euros por dois bilhetes por ser cliente da Zon e senior:))
Não foi uma ida vulgar, mas propositada, para me esquecer da realidade, para me evadir em espírito e por umas horas acreditar.
Acordei com uma angústia enorme que só passou quando me sentei na sala e as luzes se apagaram. As razões para tal não existem, são endémicas, como se diz agora. Mas a verdade é que acordei como se o mundo fosse acabar amanhã. Há coisas que não se explicam, fazem parte da nossa maneira de ser e são difíceis de compreender, quando se tem tudo na vida para se ser feliz.

O filme era o ideal. Inglês, passado na Escócia e em Londres, simples, bonito, verosímil, q.b. Actores excelentes, sentimentos contidos,  evolução das relações, dos hábitos, das vidas...
A linha do enredo do filme é revelar o que se passa na vida de duas pessoas no dia 15 de Julho, ano após ano durante vinte anos, o que fazem, com quem vivem, como trabalham, do que gostam, etc. É original e interessante, mesmo que aparentemente um pouco vazio. A minha filha tem o romance e vou lê-lo, pois deve ser mais denso e talvez mais empolgante. Mas gostei do filme, da música e da Paz que me transmitiu.

Os meus netos vieram aqui durante a tarde, vão crescendo e dando-me cada vez mais alegria. O mais velho já vai no 4º Harry Potter com sete anos de idade....adora ler... e a J.K Rowling caiu-lhe no goto.Ainda bem, acho que quando tinha a idade dele, ler era o meu hobby favorito, para alem de fazer ginástica pela casa toda, segundo dizem as minhas irmãs...o mais novo  com 2 anos já diz OK, em vez de Sim, está no bom caminho:))

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

À espera do pior

As perspectivas financeiras nos próximos anos são catastróficas, sobretudo para a função pública. Sei, por experiência, que depois do 25/4, se conseguiram muitos benefícios, alguns deles mais do que justos, outras que não se justificavam, sobretudo porque não havia qualquer avaliação do trabalho dos trabalhadores e sabemos que muitos trabalhavam pouco, mal e sem eficiência de espécie nenhuma.
Bastava ir aos serviços, quaiquer que fossem, para verificar a ignorância e a ineficácia total. Ainda me lembro de estar em filas durante tres horas para pagar o imposto profissional numa escada que era um buraco em Cedofeita....e ainda há pouco tempo, verifiquei quase o mesmo na Loja do Cidadão. Gostaria que os funcionários fossem bem pagos e eficientes, mas cá há muitos trabalhadores que são maus e nunca vão para rua, como devia ser.
O mesmo acontecia na secretaria da minha escola, quando lá trabalhava, quase nunca estavam as funcionárias todas a trabalhar, havia os cafezinhos e os pequenos almoços a toda a hora, as baixas constantes, faltas, saídas mais cedo, etc. O mesmo acontecia com professores, que tinham horários zero, ou reduzidos e podiam acumular outras funçoes noutras escolas, dar explicações, sempre a pretexto de terem ordenados baixos. Muitos de nós pedimos reformas antecipadas com receio do que estava para vir e ainda porque não aguentámos o regime imposto por MLR, com exigências de horário muito mais apertado do que os anteriores.

Assusta-me muito esta redução drástica nos nossos proventos - a que chamam solidariedade - será justo que todos fiquem pobres porque uns enriqueceram ilicitamente ou adquiriram bens por empréstimos? Sempre consegui viver bem porque trabalhei trinta anos nos manuais escolares, trabalho que fazia com gosto e bastante exito, tendo conseguido fazer parte de equipas excelentes. A editora também ajudou com a sua eficiência e nome.

Nunca fiz vida de luxos, não frequento clubes, nem discotecas, não tenho carro, ando de transportes publicos ou a pé, não gasto em artigos de beleza, a não ser no essencial, nem em roupas ou joias caras. A minha loucura dantes eram os elecrodomesticos, as tecnologias, etc., mas mesmo isso já  faz parte do passado. Gasto bastante em restaurantes, onde vou regularmente com os meus filhos....mas nunca exorbitamos e eles estão habituados a moderar-se. 

Porquê esta inquietação? É mais por eles, pelo futuro dos que começam agora, pela minha filha, que ainda não encontrou um lugar certo, pelos meus netos que vão ter de sair muito provavelmente, como os meus sairam...é toda esta incerteza que me faz ir para o Botânico e não levar música, andar dum lado para o outro, a pensar....

Ontem estava um dia cinzento, mas mesmo assim consegui tirar algumas fotos bonitas...