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domingo, 15 de janeiro de 2012

O desenho

É curioso que nunca na vida achei que tivesse algum jeito para desenho, mas ultimamente, de vez em quando pego num bloquinho que tenho e desenho o que vejo, tentando ser original e não fazer fotocópia. Já uma vez pintei a cara do meu neto mais velho e o meu prof disse que não estava nada mal, a não ser a posição do pescoço. Depois disso poucas vezes desenhei aquilo que pinto.
Hoje , antes de pintar o quadro do inverno, resolvi desenhar o que via da janela a lápis de carvão e o resultado satisfez-me bastante. Lembrei-me de Van Gogh ( sou modesta!!!) que tem cartas imensas para o seu irmão Theo com os esboços a lápis de pinturas que depois ele enche de cor e vivacidade.

Gosto muito de desenhos a negro e vou tentar aperfeiçoar-me, usando um livro que a minha cunhada me deu há dois anos e que é mesmo para esse fim.

Aqui fica o esboço que hoje fiz:

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ainda sobre a morte da nossa palmeira da Luz



Falei aqui num poema ou texto que um dos meus sobrinhos teria escrito e oferecido à minha Mãe, que o guardou até ao momento em que nos deixou, assim como gaurdou outras histórias - umas que escrevi aos 10 anos e ainda tenho - desenhos feitos por nós, cartas e postais. Ela dava muita importância a estes pequenos gestos criativos e nós sentíamo-nos mais valorizados, ainda que jovens ou adolescentes.

Para alem do poema o Pedro desenhou um sketch a preto e branco da Calheta, o lugar onde fica a nossa casa da Luz e a palmeira surge aí num dos lados, como elemento indispensável....

Transcrevo-os aqui em homenagem a uma árvore que nos deu a todos muita alegria visual e a certeza de que enquanto durasse, a nossa família se reuniria ali naquele local, feliz, contemplando a vista, que, essa, nunca deixará de existir. Sonho muitas vezes que lá estou e em geral, o sonho transforma-se em pesadelo pois o mar está repelente, escuro, a praia reduzida a nada...acordo aflita para me certificar que tudo não passou dum receio injustificado. Ano após ano, aquela prainha continua, maior ou menor, as crianças vão nascendo na nossa família - só trisnetos já são uns 26 quase 27, se não estou em erro. Outras palmeiras nascerão também para alegria dos nossos descendentes...

DIZ-ME PALMEIRA


Diz-me, palmeira, que vês tu daí?
Os barcos à mercê do vento Norte?
As rochas descobertas pela maré?
Mais um banhista que perdeu o pé?
Ou um pescador banhado pela sorte?
Verás a fortaleza imponente?
O pôr do sol na Ponta da Gaivota?
As traineiras com peixe para a lota?
Ou o esquiador que passou de repente?

Diz-me, palmeira, que ouves tu daí?
O sotaque algarvio do jardineiro?
O seu constante e alegre assobio?
O cão que passou, lesto, e fugiu?
Ou o idioma esquisito de um estrangeiro?

Palmeira, que imaginas tu daí?
Na praia grande, que pensarás ver?
A alegria de toda a multidão?
O calor sufocante deste verão?
Ou as ondas do Levante a bater?
O gelado da menina gulosa?
Ou o dragão ofegante a rugir,
Da cova ameaçando sair
Na Rocha Negra, ao fundo, misteriosa?

Diz-me palmeira, que vês tu daí?
Porque eu, antes de mais, vejo-te a ti...


Pedro Cordeiro - 198...

sábado, 29 de janeiro de 2011

O Mágico

Fui ao cinema com os meus netos e o meu filho ver O Mágico, "Belleville Rendez-vous"

O filme prometia, as críticas eram fabulosas, estrelas e mais estrelas, banda desenhada em aguarela, nada de computadores, nada de 3D, história pouco convencional, influência dos filmes franceses dos anos 60.

Então porquê a desilusão?

O filme que se dizia para m/6anos era tudo menos um filme para crianças. Triste, sem ponta de humor, imagens magníficas da Escócia, Paris, Edinburgo, lagos, tudo desenhado por grandes artistas. Uma personagem a imitar o Sr. Hulot de Tati, mudo ou quase, um mágico caído em desgraça que se vê obrigado a deixar Paris e a procurar quem o aprecie noutro país. Pelo meio há um encontro com uma rapariguinha que se afeiçoa a esta criatura porque ele lhe oferece aquilo que ela tanto ambiciona, uns sapatos e um casaco novo. No fim, quando ela já tem um aspecto decente e aceitável, enamora-se por um rapaz mais novo e o nosso mágico, alem de perder os empregos, também perde a companhia. Filme triste, melancólico, com aguarelas lindas, uma história que se desenvolve muito lentamente, com cenas muito parecidas com os filmes de Tati, que concebeu a história em 1956.

Li as críticas e esta do Cine Cartaz do Publico ficou-me na memória:

Não Levem os vossos filhos

Não levem os vossos filhos a ver este filme, principalmente se tiverem 6 anos e não quiserem explicar porque é que há pessoas com cordas no pescoço em cima de cadeiras e pessoas aos tombos com garrafas nas mãos. Não me recordo de uma gargalhada sequer na sala. Houve pessoas a sair a meio. A descrição dos meus filhos foi que o filme é triste. Que o filme é cinzento. Deviam reclassificar o filme, não é para crianças, não é uma comédia. Não questiono a qualidade do filme mas não enganem as pessoas! Não desiludam as crianças!

Publicada a 06-01-2011 por André Ribeiro

Os meus netos estiveram sentados de pedra e cal durante todo o filme. Pelo meio ouvi o mais pequeno que tem 5 anos dizer: "Porque é que eles não falam? Falta muito para acabar, pai? , 'Podemos comer pizza depois do filme?". Não pediram para sair, nem se mostraram especialmente ansiosos o que me surpreendeu. No fim disseram num desabafo: Não percebi nada do filme. Nada! Contei-lhes a história toda.
O Pai sorriu e disse: Apesar de tudo os miudos são artistas, apreciam a Arte.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Leonard Cohen - pintura



Todos conhecem a faceta musical deste genial artista, poeta, compositor e intérprete, mas nem todos saberão que ele também desenha e pinta. Descobri um site espectacular que contém uma enorme colecção de obras, que ele considera menores, mas que são interessantes para não dizer excelentes.

http://www.leonardcohen.drabinskygallery.com/

O artigo chama-se The Arts of Leonard Cohen e foi escrito por Robert Enright.É extenso e pode ser descarregado em PDF para uma leitura mais fácil. Está em Inglês, claro, apresentando facetas extraordinárias da personalidade do cantor-poeta-pintor, inclusivé a sua modéstia.

Cohen is aware of how his visual art functions in the context of his poetry, songwriting and performing; "I think one is relief from the other". He always drew and when his children were growing up (in both Greece and Montreal) the family would often sit around the kitchen table and draw. He has continued the practice for himself but never considered the drawings would be shown in an exhibition.

sábado, 24 de julho de 2010

Exposição PICASSO no METROPOLITAN MUSEUM OF ART - NY


Sei que NY não fica ao virar da esquina....mas vale a pena lá ir quase só para ver esta exposição da obra de Picasso. A fundação de Serralves organiza uma viagem a NY e Chicago que inclui uma visita ao MET.




This landmark exhibition is the first to focus exclusively on works by Pablo Picasso (Spanish, 1881–1973) in the Museum's collection. It features three hundred works, including the Museum's complete holdings of paintings, drawings, sculptures, and ceramics by Picasso—never before seen in their entirety—as well as a selection of the artist's prints. The Museum's collection reflects the full breadth of the artist's multi-sided genius as it asserted itself over the course of his long and influential career.



Estes quadros e desenhos são uma amostra minúscula do que se pode ver na exposição.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Desenhos a 3D nos passeios da cidade



Julian Beever é um artista inglês, famoso pela sua arte no chão, mais precisamente nos passeios de cidades da Inglaterra, França, Alemanha, EU, Australia e Béligica.
Muitas das suas obras são tão reais que os transeuntes pensam ir cair num buraco ou tropeçar numa estátua, embora nada se passe acima do nível do solo.
Vão aqui algumas imagens impressionantes do que este artista consegue realizar:





Se quiserem ver mais exemplos podem consultar o seu site:

http://users.skynet.be/J.Beever/pave.htm

ou então este video espantoso:

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

TPCs



Hoje o meu neto passou aqui umas horas. Trouxe deveres para casa, embora só tenha começado nesta semana a 1ª classe no Colégio Alemão. Ambos os trabalhos consistiam em pintura. O primeiro era um circulo com letras e números, repetidos 4 vezes, 4 mochilas e 4 Tutes ( algo simbolico que se leva no 1º dia de aulas com rebuçados para dar aos outros meninos). Levou mais de uma hora a pintar cuidadosamente todos aqueles objectos. O outro era um desenho livre mas subordinado ao tema Mãe: a Mãe e ele e as palavras MAMA, que já aprendeu agora a ler ( já sabia...mas aprendeu de novo).

Dantes quando ele vinha cá pintava uma aguarela ou um acrílico ou um pastel comigo. Temos vários. Hoje, coitado, estava tão cansado depois da escola e do violino que já só quis ver TV quando acabou os deveres.
Sou pelos TPCs. Sempre fui pois acho que as crianças ou adolescentes têm de trabalhar sozinhos durante o seu percurso escolar. Mas pergunto-me qual a utilidade deste tipo de TPC., nada criativo e extremamente limitado.
Não seria melhor por-lhe um papel à frente e deixá-lo desenhar as letras e numeros pessoas e objectos que quisesse?

domingo, 2 de agosto de 2009

Dessines-moi um mouton

Excerto do livro "Le Petit Prince" de Saint-Exupéry, meu livro de culto, em tradução brasileira ( sorry!)

Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. Meu desenho número 1 era assim:





Mostrei minha obra prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo.

Responderam-me: "Por que é que um chapéu faria medo?"

Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. Meu desenho número 2 era assim:





As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.

Como este excerto, há outros fascinantes e controversos que irei transcrevendo por aqui. O objectivo não é dar a conhecer o livro - certa que estou de que todos o conhecem - mas reflectir sobre o tema "arte" e abstracção. Assim como lemos nas entrelinhas, também podemos ver através dos traços. O que vemos é sempre diferente. É pessoal. Muda conforme o momento, o tempo, a luz, o espaço. Muda conforme a nossa idade. Crianças e adultos lêem nas entrelinhas coisas diferentes. Crianças e adultos olham para as imagens de modo diferente. Que tem razão? NINGUÉM e TODOS!