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domingo, 1 de maio de 2011

Say it with flowers

Esta expressão é usada em inglês para significar a oferta de flores a alguém que se ama. As flores são símbolo de graciosidade, de frescura, de beleza e amor. Penso que não haverá ninguém que não goste de receber flores, refiro-me às mulheres em especial, mas os homens também gostam delas.
O meu Pai tinha uma verdadeira paixão por elas e era ele que escolhia todos os anos as sementes, os bolbos, os pés das flores que encheriam os canteiros do jardim de cor, de odores, de beleza visual. Quando chegava do consultório, na Primavera e no Verão, saía do carro e passava algum tempo no jardim, falando com as flores, observando as árvores de fruto, cortando as ervas ou, simplesmente, passeando.

Como o compreendia! Também adorava aquelas flores e ia apanhá-las muitas vezes para as colocar em jarras, acho que aprendi a fazer arranjos e a ter um especial afecto por flores naturais com ele.
Hoje, Dia da Mãe, passei a tarde sozinha, mas saí para ir ao Botânico, onde várias famílias passeavam. As crianças corriam contentes, as flores abundavam, a tarde estava um pouco nublada, mas a luz era prateada. Estive ali tempo infindo de máquina na mão, a tentar capturar a beleza de cada flor - há mais de vinte espécies dferentes, é uma verdadeira explosão primaveril.
Ouvi também música antiga enquanto passeava, cada vez gosto mais dos instrumentos do século XVI. É uma música com ritmo e dança, mas também conotada com amores românticos, donzelas, bailes corteses, rituais e castelos medievais. Repousa-me.

Ao sair do jardim, sorri para Ruben A, cujo busto está à entrada, pensando na pessoa que eu conheci na FLUL, e no seu filho Pocas que foi meu aluno em Lisboa.Morreu precocemente aos 50 e poucos anos. Como ele teria gostado de estar aqui!


Fui jantar com os meus dois netos mais velhos no BBGourmet, que fica aqui perto de casa.Adorei Vê-los devorar - é o termo - um prego no prato com batatas fritas e ovo e repartir um gelado no fim. Foi um Dia da Mãe diferente.

Aqui fica um extracto da música que ouvi e fotos tiradas neste jardim que tenho a sorte de poder gozar em frente da minha casa.

DIA DA MÃE

Fiz este abstracto nestes dias. São tons aparentemente antagónicos em conjugação. O efeito é diferente. O material é MDF.

Fica aqui para comemorar o DIA - não são eles todos os dias?? - DA MÃE!






Um bom Domingo DIA DO TRABALHADOR...sem trabalho:)))

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ainda sobre a morte da nossa palmeira da Luz



Falei aqui num poema ou texto que um dos meus sobrinhos teria escrito e oferecido à minha Mãe, que o guardou até ao momento em que nos deixou, assim como gaurdou outras histórias - umas que escrevi aos 10 anos e ainda tenho - desenhos feitos por nós, cartas e postais. Ela dava muita importância a estes pequenos gestos criativos e nós sentíamo-nos mais valorizados, ainda que jovens ou adolescentes.

Para alem do poema o Pedro desenhou um sketch a preto e branco da Calheta, o lugar onde fica a nossa casa da Luz e a palmeira surge aí num dos lados, como elemento indispensável....

Transcrevo-os aqui em homenagem a uma árvore que nos deu a todos muita alegria visual e a certeza de que enquanto durasse, a nossa família se reuniria ali naquele local, feliz, contemplando a vista, que, essa, nunca deixará de existir. Sonho muitas vezes que lá estou e em geral, o sonho transforma-se em pesadelo pois o mar está repelente, escuro, a praia reduzida a nada...acordo aflita para me certificar que tudo não passou dum receio injustificado. Ano após ano, aquela prainha continua, maior ou menor, as crianças vão nascendo na nossa família - só trisnetos já são uns 26 quase 27, se não estou em erro. Outras palmeiras nascerão também para alegria dos nossos descendentes...

DIZ-ME PALMEIRA


Diz-me, palmeira, que vês tu daí?
Os barcos à mercê do vento Norte?
As rochas descobertas pela maré?
Mais um banhista que perdeu o pé?
Ou um pescador banhado pela sorte?
Verás a fortaleza imponente?
O pôr do sol na Ponta da Gaivota?
As traineiras com peixe para a lota?
Ou o esquiador que passou de repente?

Diz-me, palmeira, que ouves tu daí?
O sotaque algarvio do jardineiro?
O seu constante e alegre assobio?
O cão que passou, lesto, e fugiu?
Ou o idioma esquisito de um estrangeiro?

Palmeira, que imaginas tu daí?
Na praia grande, que pensarás ver?
A alegria de toda a multidão?
O calor sufocante deste verão?
Ou as ondas do Levante a bater?
O gelado da menina gulosa?
Ou o dragão ofegante a rugir,
Da cova ameaçando sair
Na Rocha Negra, ao fundo, misteriosa?

Diz-me palmeira, que vês tu daí?
Porque eu, antes de mais, vejo-te a ti...


Pedro Cordeiro - 198...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um serão com Chopin



É espantoso como a Música nos leva a recuar por vezes anos e anos, fazendo-nos regressar à infância e às doces recordações familiares...

O MEZZO ( mais uma vez) brindou-nos com duas horas de Chopin....piano tocado por dedos que mais parecem duendes dançando sobre as teclas,
numa alternância entre o tímido, o furibundo, o plangente, o revoltado, o romântico, o persistente, o entrelaçado e o suave...

Chopin é tudo, são teclas a falar.



Recordo a minha Mãe, a sala da nossa casa, a janela com as cortinas a esvoaçar, o piano encostado à parede, os seus dedos a dançar sobre as teclas. Era muito pequena, mas adorava sentar-me ao pé e ouvi-la tocar. Não o fazia todos os dias, só de vez em quando e por isso era tão saboroso.

Ouvi agora os Estudos, as Mazurkas, os Prelúdios, as Valsas, só faltam os Nocturnos para o serão ser completo. E feliz, embora nostálgico.

domingo, 2 de maio de 2010

DIA DA MÃE


Nenufares- jardim Botanico- 2010

Pudesse eu, soubesse eu, escrever poemas à minha Mãe, como faz a minha amiga Regina ou o meu irmão Mário, se eu conseguisse traduzir em palavras tudo aquilo que sinto ao pensar nela, ficaria aqui até ao romper da aurora, que não tarda, e mesmo assim não bastaria.

Faz-me tanta falta a minha Mãe.
Fez-me falta logo no dia em que saí de casa para me casar em 1973, e depois quando deixei Lisboa em 1975, mais tarde em Chaves durante dois longos anos sem telefone em casa a 500km de distância, mais os vinte e cinco no Porto,cidade de que ela parecia não gostar e que só visitou duas ou tres vezes. Fez-me muita falta no casamento do meu filho e essa ausencia custou-me muito a perdoar.

Faz-me falta a minha Mãe desde que deixei de lhe telefonar a pedir conselhos, a dar-lhe novidades, a transmitir-lhe boas novas dos filhos, de mim e da nossa vida. Ficava feliz com cada vitória minha, com cada êxito dos meus filhos, elogiava-me e aumentava a minha auto-estima só de a ouvir.

Faz-me falta a minha Mãe desde esse dia - que é hoje o 7º aniversário, 2 de Maio de 2003, quando, pelo telefone, me anunciaram a sua morte aos 84 anos. De repente, o coração falhou. Ainda no Natal em sua casa, fizera um pequeno discurso para toda a família reunida, um discurso demasiado solene e que nos causou calafrios na espinha. Parecia que adivinhava...

Tudo o que sou aprendi ,em parte, com a minha Mãe. Ela adorava ensinar: a coser, a tricotar, a bordar, a passar a ferro com esmero, a cozinhar, a ler romances ou poesia, a interpretar e a apreciar filmes romanticos ou dramáticos, a tocar piano, a ouvir Chopin, a olhar para o mar, a sentir a areia, a cheirar a maresia, a fazer pausas para apreciar e respirar fundo, a viajar em paz e harmonia, a inventar, a imaginar, a sonhar e sobretudo a viver cada minuto da Vida...ela adorava VIVER.

Não fui a filha ideal. Sei-o bem. Distanciei-me muito para quebrar o cordão umbilical que me impedia de ser feliz longe dela. Estive tempos infindos sem lhe dizer quanto a amava, embora ela o soubesse. Tenho saudades dos telefonemas infindáveis a falar dos meus projectos e dos dela - tinha sempre algo para fazer...quanto mais não fosse a modificar a sua casa, que mudava de fisionomia todos os dias.

Tenho aqui a sua fotografia, com as rosinhas de s. Teresinha, que me ofereceram há dias. Penso nela. E, sem querer, vem-me uma lágrima aos olhos...só sabemos o que perdemos quando deixamos de o ter...

Uma pintura feita há meses para ela que nunca viu nenhuma minha. Nunca pintei antes de ela falecer.

E uma peça de música o Arabesque de Debussy, que ela própria tocava no piano, depois de almoço, quando nos sentávamos na sala todos juntos, sobretudo ao Domingo.Quando o meu filho toca esta peça agora, vem-me uma miríade de sensações e emoções.



Obrigada, Mãe.
Pois é, ainda estou acordada a estas horas, mas já vou dormir....os passarinhos já cantam e o céu já está claro...pode ser que a insonia já tenha passado.