quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tarde de lazer


Felizmente, chegaram as férias e os telejornais em vez de falarem apenas de números catastróficos, também fazem reportagens sobre modos alternativos de se passarem férias. Ainda há quem faça glamping - camping de luxo - em locais lindíssimos, rurais, com espaço para descanso e meditação.

Enquanto não vou até lá abaixo, aproveito os bocadinhos de sol por aqui. Cada vez aprecio mais os espaços verdes que me rodeiam.
Os meus netos sempre gostaram de ir brincar para o jardim à volta da Faculdade de Ciências, a que eles chamam o "departamento", pois era lá que o Pai trabalhava antes de ir para a Feup.
Um dos meus netos até tem um local privativo, a que chama escritório, por baixo de árvores, onde colecciona pedrinhas, folhinhas e outros troféus.


O jardim é lindo e se estivesse mais cuidado, poderia ser um dos locais alternativos ao Botânico que fecha as 6 todos os dias. Ouvi música enquanto passeava por ali, desta feita, um cantor irlandês de baladas que me fazem sonhar com paisagens verdes e bucólicas.
Aqui ficam algumas fotos do passeio, que hoje me deu um prazer inusitado e cheio de paz.

Também podem ouvir uma balada de Alasdair Roberts:

terça-feira, 5 de julho de 2011

Fotógrafos: César Augusto


Quando se passeia pela net, sobretudo nas redes sociais, mas também pelos blogues, que são um mundo infindável, descobrem-se sites fascinantes, surpreendentes mesmo. Uma amiga minha colocou umas fotos dum edifício do Porto, chamado DKW, em Sá da Bandeira. As fotos dela eram belas, a preto e branco. Curiosa, procurei o nome do arquitecto que o concebeu, Arménio Losa,já falecido, com obra muito conhecida no Porto e não só. Fiz então uma pesquisa sobre os edifícios em questão , descobrindo quem os fotografou e até já expôs as suas fotos na Cadeia da Relação.
Muitas delas estão num dossier fabuloso do Flickr., um site de fotografia muito popular do Yahoo, sob o nome de César Augusto Mainstream.Contém 1774 fotos excelentes.

http://www.flickr.com/photos/poesia/with/5777728341/
Infelizmente, or razões de copyright, não dá para gravar, de modo que só posso colocar aqui umas pequenas, mesmo citando a autoria. O mais interessante neste album é que o fotógrafo apresenta cada uma das suas fotos ( só da Casa da Música são 170) com um poema, pensamento, citaçao ou texto a propósito, o que enriquece muitíssimo o espólio.

Todos os dias esta net é uma caixinha de surpresas. Também possibilita a cópia, ou seja, há amadores que vão aos edifícios, ruas, locais e tiram fotos iguais às que viram ( nunca conseguem a mesma perspectiva) e depois colocam-nas no FB, como grandes realizações pessoais. É triste e há que estar atento a estas " pequenas ou grandes fraudes". Gosto de aprender com grandes artistas, mas nunca me passaria pela cabeça copiar uma obra exactamente como o original e declará-la minha.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Filmes franceses



São diferentes dos americanos e dos ingleses. Têm um "je ne sais quoi" que me atrai e é raro não gostar de algum ou sair a meio, como já me aconteceu com filmes americanos.
Vou já com a predisposição de que não há grande suspense, nem muito ritmo, música estrondosa ou paisagens de sonho. Vou para encontrar alguém, viver a sua vida por alguns momentos...pessoas anónimas ou estranhamente dejá vus, que contém alguma densidade e falam bastante, actores na sua maioria desconhecidos do grande público - à excepção de um ou outro - mas muito credíveis e duma naturalidade surpreendente.
Em tempos vi muito teatro francês no cinema Tivoli, em Lisboa, do 2º Balcão, que era o único que podia pagar. Adorava a comédia e não só, a verve, a aparente simplicidade dos decors, mas principalmente a naturalidade dos actores.
Ainda me lembro de Daniel Gélin em La P. Respectueuse e Huis Clos de Sartre, que tinha lido na lingua original na FLUL.
Vi muitos filmes franceses na minha juventude. Praticamente todos os que passavam em Lisboa e não eram censurados.

O que vi hoje " Les Petits Mouchoirs", mal traduzido por Pequenas Mentiras, não seria admitido no tempo de Salazar...nem pensar. A tradução deveria ser " Lágrimas de crocodilo" na minha modesta opinião, mas não ma pediram.
Não gosto de ser spoiler e de contar os filmes que aconselho ver, , mas adoro criticá-los e analisar ou reflectir sobre eles.

Este filme é tão real que por vezes, dei comigo a pensar em situações semelhantes que se passaram comigo ou com a família e amigos, ambientes em que a tensão se avoluma até explodir ou alguém faz rir subitamente todo um grupo de pessoas sérias.
Passei férias na Praia da Luz com os meus filhos já adolescentes e amigos deles estrangeiros ou portugueses ( chegavam a acampar na parte inferior do nosso jardim). Hoje vieram-me à memória muitos momentos similares,daqueles que só acontecem nas férias quando as pessoas são mais genuínas, estão mais relaxadas ou estranham negativamente o facto de se verem a toda a hora e momento.
É um filme que dá que pensar. Sobre a amizade e as relações modernas.Um filme sobre pessoas, com paisagem e música excelentes. Do melhor que tenho visto...e este ano já vi alguns excepcionais.

Fica aqui o trailer para aguçar o apetite:

Flores e mais flores

Nunca me canso de fotografia...é um mundo sem fim e poderíamos ter grandes hipóteses artísticas noutros países, como nos EU, onde há galerias colectivas, cada pessoa tem a possibilidade de expor temporariamente as suas obras sem pagar, o ambiente é informal, com cafés ou chás oferecidos aos visitantes.Tudo em prole do talento individual.Em Boston, a Newsbury Street é uma dessas zonas, uma rua só de galerias, mas não como a Miguel Bombarda,aqui, onde o snobismo ou elitismo são reis, o visitante sente-se quase humilhado diante das obras exorbitantes dos pseudo-mestres da pintura portugueses. Nunca percebi porque é que a Arte em Portugal há-de ser monopólio de alguns, os bem-queridos da inteligentsia cultural portuguesa e se despreza tantos e tantos pintores amadores, que são tão bons ou melhores do que esses. Lembro-me sempre da minha Amiga Teresa Vieira, cuja obra é excepcional e de quem nunca ouvi falar nos jornais de arte. Enfim...

Hoje dediquei-me às iris e às hortenses. Ambas as colagens foram feitas a partir duma ou duas fotos tiradas por aqui. Penso que são belas, tanto uma como a outra. A de hortenses poderia ser uma pintura. Pode ser que tenha coragem de a fazer.

domingo, 3 de julho de 2011

Ainda as colagens de fotos

Outra experiência interessante é a colagem por justaposição. Os efeitos que se conseguem são incríveis, criativos, para não lhes chamar obras de arte. Se quiséssemos pintar rosas ou iris, não conseguiríamos dar-lhes este glamour.

A rosa é uma flor perfeita, cada pedacinho é uma joia aveludada, cheirosa, cheia de cor e vida. Quem é que não gosta de rosas? E se as há de todas as cores, como não gostar delas?



E aqui fica uma das canções que mais me fez e faz vibrar na voz de Richard Anthony: Aranjuez , mon Amour, uma adaptação do concerto de Joaquin Rodrigo, que o tornou ainda mais popular nos anos 60. Ouvi-o cantar no Tivoli em Lisboa e a audiência chorou.

As fotos minimalistas

No Facebook, há fotógrafos que se consideram minimalistas e cortam as fotos de tal modo que conseguem efeitos fantásticos.
Ando com vontade de tentar essa via que é quase inesgotável... e hoje experimentei fazer duas colagens, uma com pedaços de fotos do jardim botânico, outra com peças de automóveis, que tirei aqui na rua.
As fotos originais são dez ou vinte vezes maiores do que o pedacinho que aqui se vê, mas não têm por vezes o mesmo encanto.



David Hockney, pintor inglês, de que já falei aqui fazia murais enormes com cortes de fotografias ou das suas pinturas. Gosto muito desta sobre Paris.

No reino cor de rosa



Hoje vivi um dia feliz.....daqueles que só de vez em quando nos são dados, como se fosse proibido sermos demasiado mimados.
Passei-o com os dois filhos "pródigos", que fizeram a sua vida normal mas estavam cá at home.
No final da tarde, uma vozinha pelo tm perguntava com ansiedade se os dois (netos) podiam vir cá até ao jantar. Claro que sim, os meus dois rapazinhos são sempre benvindos, cada vez gosto mais de estar com eles assim, sem ter de fazer grande esforço, sair de casa, apanhar calor, etc.
Por fim, fui jantar à Máscara, restaurante que serve fondue e que fica na Foz. É um ambiente quente, frente ao mar, vê-se o pôr do sol nos meses de verão. E come-se bem....

Durante a tarde, vi sozinha um filme italiano muito belo em DVD: O Quarto do Filho. Apreciei ainda mais o estar em família, gozar os meus filhos e netos enquanto posso, não perder pitada das benesses que me são dadas.

Acabei um quadro que tinha feito ontem, mas não estava a meu gosto. Acho que tem tudo a ver com esta felicidade momentânea. La vita é bella!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os detalhes da minha rua

Numa cidade há milhares de detalhes que nos passam despercebidos, de tal modo é a azáfama em que andamos, sobretudo quem anda de carro ou transportes públicos.
Quem anda a pé, goza muito mais e melhor destes pormenores que a cidade nos oferece e que podem nem ser bonitos, mas são no mínimo curiosos.
Hoje à ida para o Solinca para mais uma tortura no ginásio ( já perdi 2kg neste dois meses, não é mau), diverti-me a tirar fotos com o meu Ipod a objectos ou coisas banais da minha rua: farois , farolins, simbolos de marcas, maçanetas velhas, caixas do correio antigas, portões, grades, muretes, um sem número de coisas que contam histórias....ou contariam se falassem. Olho para um farolim e pergunto-me: Quem usará este carro? Será velho, será novo, mulher, casado, solteiro??? A curiosidade matou o gato....mas eu ainda não morri.



Esta é uma rua com muito encanto e nunca acaba de me surpreender. Não consigo tirar fotos aos passarinhos - muitas espécies de aves canoras - que me deliciam com os seus chilreios. As flores já estão mais murchas devido ao calor e falta de rega, mas continuam a sobreviver no meio de tanta poluição. Às vezes pergunto-me como é que as árvores do Campo Alegre não morrem de fuligem, de patine ou de cansaço, passam centenas de autocarros por elas todos os dias....os escapes que são tudo menos escapes, deviam chamar-se ratoeiras...


É a cidade que temos....mas os meus netos desenham sempre paisagens de campo, com sol, flores, mar, árvores...é raro desenharem casas, muito menos automóveis e ainda menos autocarros...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Greves inuteis

Têm passado quase despercebidas as greves dos funcionários publicos organizados pelos sindicatos em Portugal. Os media mencionam-nos em rodapé, limitando-se a entrevistar as pessoas pacientes à espera dos transportes, nas filas dos hospitais, nas suas casas rurais, onde nada chega durante meses. Este Portugal paupérrimo não é hoje matéria de relevância maior porque há urgência em mudar e dar voz a outras ideias, outros programas e mais progresso para o país. Não adianta chorar sobre o leite derramado, mas temos de ir buscar leite a outro lado.

Os impostos vão subir, o subsidio de Natal vai ser reduzido, os transportes vão ser privatizados, a RTP, fonte de gastos inacreditáveis, vai finalmente ser reduzida a nada ou quase nada, a electricidade subirá, o gaz também....parece um panorama hediondo. Porém, eu acredito que é necessário modificar os hábitos dos portugueses , aliviar o Estado de compromissos incomportáveis, tomar medidas de emergência social, incluindo e chamando à colação tantas e tantas associações de beneficencia, Misericórdias, Igrejas,etc. fazendo-as participar activamente na reconstrução do tecido social mais desfavorecido. Com monitorização do governo, mas sem despesismo impensável.

Muitos funcionários públicos trabalham pouco, são excedentários...vai-se aos correios e vêem-se três funcionários à conversa, com ordenado garantido ao fim de mês, apesar de já comunicarmos há anos por e-mail, fax ou até FB. Não é possível manter este statu quo.

A minha filha vem hoje de Leeds. Ontem preocupei-me ao ver que hoje se preparavam greves da função pública em Inglaterra. Estive horas na internet a visitar os sites da British Rail e Stansted Airport. Tudo estava controlado. Os comboios são todos privados, não há greves, a minha filha partiu e chegou a horas ao aeroporto. A Ryanair solicitou às entidades responsáveis o pessoal necessário para controlar os passaportes dos passageiros para que nenhum avião se atrasasse. Tudo funciona, apesar das ditas greves. Isto é um país civilizado.

Não sou contra greves, só as fiz uma vez por altura dos exames de 12º ano para os quais nem sequer estava convocada. Perdi 200 euros nesse mês e a resultado foi nulo, não serviu mesmo para nada.

Não acredito nas manifestações de rua, mas no trabalho árduo e conversações a todos os níveis. Acredito em pessoas mandatadas para executar, dialogando quando necessário. Não acredito na anarquia.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Morangos amargos


Quando dava aulas - já há uns sete anos ou ainda antes - comecei a ver a série juvenil para acompanhar os interesses dos meus alunos, que eram fãs incondicionais deste programa. Os primeiros eram engraçados e havia na novela alguns jovens prometedores, quer como actores, quer como pessoas.
As histórias continham uma certa ética ou moral nos comportamentos expressos, os professores eram credíveis, embora a escola fosse muito virtual e diferente da maioria das escolas que eu conhecia. Os jovens eram muito activos e indisciplinados, um pouco como na série Fame que foi um sucesso mundial e levou muitos jovens a querer seguir ou praticar as artes, a dança, a música, o teatro, etc. Deve ter sido uma das séries que mais artistas potenciais criou nos países onde a série passou.
Os meus filhos adoravam ver aquelas personagens do Fame, a música era entusiasmante, as pessoas eram palpáveis e existiam a sério. Lembro-me da morte dum dos actores mais brilhante, de seu nome Leroy, alegadamente com Sida. Fiquei triste na altura.
O mesmo aconteceu com Morangos com Açucar, muitos dos actores de telenovelas hoje começaram os seus passos nessas histórias fantasistas, retrato pouco fiel da sociedade de hoje, mundo retocado de modo a agradar cada vez mais aos adolescentes cada vez mais novos.
Há já uns cinco anos que não vejo essa série, deixou de me interessar e parece-me muito fútil, inverosímil e até pouco educativa.
A morte de Angélico Vieira, porém, não me deixou indiferente. Penso que era melhor actor do que cantor, o que oiço dele não me entusiasma, nem sequer acho que tivesse grande voz. Era porém um jovem de 28 anos, bonito e sorridente, com a vida toda pela frente. Todos os acidentes são estúpidos. Este foi mais um. Será lembrado como Kurt Cobain, Carlos Paião, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, James Dean....apenas porque morreu na flor da idade.
O que não lembra ao diabo.