Havia uma canção assim nos anos 60, muito suave e bonita.
O quadro que fiz ontem traduz essa sensação: beleza táctil, jogo de azuis e verdes, sugestão floral. É repousante.
Mais um poema de Sophia:, que traduz os sentimentos expressos nesta pintura.
Quando brilhou a aurora,
dissolveram-se
Entre a luz as florestas encantadas,
Arvoredos azuis e sombras verdes,
Como os astros da noite embranqueceram
Através da verdade da manhã.
E encontrei um país de areia e sol,
Plano, deserto, nu e sem caminhos,
Aí, ante a manhã, quebrado o encanto,
Não fui sol nem céu nem areal,
Fui só o meu olhar e o meu desejo,
Tinha a alma a cantar e os membros leves
E ouvia no silêncio os meus passos.
Caminhei na manhã eternamente.
O sol encheu o céu, foi meio-dia,
Branco, a pique, sobre as coisas mortas,
Mais adiante encontrei a tarde líquida,
A tarde leve, cheia de distâncias,
Escorrendo de céus azuis e fundos
Onde as nuvens se vão pra outros mundos.
Um ponto apareceu no horizonte,
Verde nos areais, como um sinal.
Era um lago entre calmos arvoredos.
Não bebi a sua água nem beijei
O homem que dormia junto às margens
E ao encontro da noite caminhei.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
sábado, 10 de dezembro de 2011
Há quadros assim
que parecem levar uma eternidade a fazer...
esta é terceira vez que cubro a mesma tela de acrílico, mas espero que seja a última, porque ao vivo, está com um colorido lindo ( na minha opinião, claro). Levou impasto três vezes, verniz duas e tintas várias, verdes, azuis e brancos picotados, cortados, raspados, pincelados, dedilhados, etc.etc. O efeito de todo este rendilhado foi o seguinte:
Entretanto faltou a lu durante uma hora e meia aqui nesta zona do Porto e deixei-o a secar, pois nada mais podia fazer...veio a luz...e olhei de novo para ele, ainda estava bonito...
esta é terceira vez que cubro a mesma tela de acrílico, mas espero que seja a última, porque ao vivo, está com um colorido lindo ( na minha opinião, claro). Levou impasto três vezes, verniz duas e tintas várias, verdes, azuis e brancos picotados, cortados, raspados, pincelados, dedilhados, etc.etc. O efeito de todo este rendilhado foi o seguinte:
Entretanto faltou a lu durante uma hora e meia aqui nesta zona do Porto e deixei-o a secar, pois nada mais podia fazer...veio a luz...e olhei de novo para ele, ainda estava bonito...
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
No reino dos azuis
É uma cor transcendente , o azul prussiano, que se pode multiplicar em mil nuances e cambiantes, todos eles lindíssimos.
Este quadro foi pintado só com a cor de duas bisnagas: azul prussiano e branco. O jogo das duas cores permitiu estes efeitos. Misteriosas formas, sombras , reflexos....
Tudo simples. E belo. Como este poema, que encontrei na net.
Soneto do Desmantelo Azul
Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembrámos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplámos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
Carlos Pena Filho
Este quadro foi pintado só com a cor de duas bisnagas: azul prussiano e branco. O jogo das duas cores permitiu estes efeitos. Misteriosas formas, sombras , reflexos....
Tudo simples. E belo. Como este poema, que encontrei na net.
Soneto do Desmantelo Azul
Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembrámos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplámos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
Carlos Pena Filho
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A Arte da Fotografia
Ontem estive a fazer experiências fotográficas para o New Color Photo of the Day e consegui uma muito especial, que dedico à minha amiga Regina Gouveia, pois que ela gosta muito de buganvílias. Sei que ela está para Trás os Montes e provavelmente não verá isto, mas aqui deixo na mesma.
Entretanto enviaram-me uma sugestão musical muito interessate - um grupo do Facebook chamado Baroque Club - que aqui coloco, pois certamente fará as delícias de quem gosta de Música Antiga.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
E o mar....lá tão longe....
Foi a saudade, a nostalgia ou a ausência que me levaram hoje quase inconscientemente a pegar no pincel e nestas cores, azuis, verdes, amarelos, brancos, claros escuros, e a pintar
uma mancha que tanto pode ser o mar, como outra coisa qualquer....
uma mancha que tanto pode ser o mar, como outra coisa qualquer....
quarta-feira, 18 de maio de 2011
sábado, 2 de outubro de 2010
UM POUCO MAIS DE AZUL
Já não me lembro de passar um sábado em casa completamente sozinha, sem o filho a desafiar-me para ir tomar um brunch ( breakfast+lunch) ao café, ou a filha a sugerir irmos à Foz almoçar. Era bom, mas não acontecerá neste fim de semana. Não há semanas inglesas em Lx, excepto para quando os feriados são só lisboetas :). Na 2ª o meu filho terá uma aula só, mas não pode faltar.
Levantei-me cedo e pus-me a pintar, a trabalhar um quadro que já tinha feito anteontem, mas que não me estava a agradar. Só usei azuis e branco. A minha ideia era usar tantos tons de azul quanto possível (!), de modo a ter um abstracto cósmico. Apelidei-o de " Ozone Hole", pois deve ser mais ou menos assim que ele aparece nos telescópios que não possuo.Fotografei-o já na parede da minha sala, pois é aí que ficará nos tempos mais próximos.
Imaginar é sempre bom...
E já agora um dos poemas que mais gosto mas que, felizmente, não se coaduna com o meu estado de espírito neste momento.
Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Os azuis
Sou louca por azuis, todos os tons de azul, desde o azul marinho, ao azul prussiano, ultramarino, turquesa, bébé, celestial, todos parecem ter uma simbiose de tonalidades para o qual me sinto tentada. Tenho roupa azul que nunca mais acaba,T-shirts azuis e brancas, azuis verdes, azuis e azuis:), calças de ganga azuis, fato de banho azul. Uso-os sobretudo no verão e primavera. No outono opto por tons de castanhos e verdes, beiges e por vezes preto, mas não muito.
Ao fazer os quadros que coloquei aqui ontem, nenhum deles continha azul - ou apenas um pequena porção. Queria fazer um parecido - segundo as mesmas técnicas mas que juntasse os azuis e verdes - o mar - sempre - a convidar-me. Após quatro tentativas , hoje acho que acertei. No meio de arrumações, tira mesa da aqui, pôr mesa acolá, estive a pintar. Salpiquei a parede de azulejo, mas felizmente sai bem com uma esponja verde e água.

Gosto bastante deste....ainda sem nome.
Ao fazer os quadros que coloquei aqui ontem, nenhum deles continha azul - ou apenas um pequena porção. Queria fazer um parecido - segundo as mesmas técnicas mas que juntasse os azuis e verdes - o mar - sempre - a convidar-me. Após quatro tentativas , hoje acho que acertei. No meio de arrumações, tira mesa da aqui, pôr mesa acolá, estive a pintar. Salpiquei a parede de azulejo, mas felizmente sai bem com uma esponja verde e água.

Gosto bastante deste....ainda sem nome.
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