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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fuga para as galáxias



(clicar)


Não gosto destes dias cinzentos - hoje foi excepção - que acabam às 4 horas e deixam uma indizível tristeza no ar. Acordo de manhã, sem vontade de me levantar, só apetece estar debaixo dos cobertores, sonhar e adiar o mais possível o confronto com o real. A vida é simples, a casa é boa, há aqui paz e não preciso de sair a não ser quando me apetece. Estou com uma enorme relutância em fazer coisas por obrigação, acho que atravesso um momento especialmente anti-social, sem razão. Fora os netos,não me apetece aturar mais ninguém, não me apetece ir a eventos, falar com pessoas de trivialidades.

Hoje aventurei-me pelas galáxias. Este quadro lembra-me o universo...



Galáxias, mutantes nichos
No escuro vão do universo
Que rodopiam e se harmonizam
Formando rimas e versos.

Pó de estrelas cadentes
Que raios cosmos aquecem,
Que o gelo torna dormente
E gases mil arrefecem.

Galáxias, vida e poeira
Da estrada plena e divina,
Trovas soltas na ladeira,
Poema que a Deus fascina.

Galáxias, nicho da gente,
Fonte vital, pura, híbrida,
Onde o verbo inteligente
Escreve diferentes vidas.


(in Overmundo)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Passagem para a LUZ



Depois de amanhã vou de férias....o que não quer dizer que o blogue faça férias, pelo contrário. Já estou munida de um canguru ( passe a publicidade) e do meu Apple e , se Deus quiser, continuarei a escrever e até a colocar aqui as pinturas que o local me inspirar.
Se o tempo estiver bom, é possível que passe bastante tempo na água ou ao sol...a ler ou a ouvir música. Sou doida pela água límpida da Calheta ( nome da baíazinha em frente da nossa casa de família, que se vê nesta foto tirada da Fortaleza)
Nunca tive net em casa na Luz; no ano passado, ia a um café muito castiço , onde os ingleses se reuniam e onde se comiam uns belos D. Rodrigos a par dos passeios pelo ciberespaço. Mas este ano achei que não dispensava a net, faz-me falta fisicamente (!), de modo que vou com a certeza de que não deixarei de comunicar com os amigos.

Em 2004, tirei algumas das mais belas fotos da Praia da Luz que possuo. Aqui vão algumas...não para fazer inveja, há locais tão ou mais belos que este por esse Portugal afora, mas para verem como Luz é bonita, apesar de toda a desgraça que por lá aconteceu em 2007.
Entretanto, vou ouvindo as vuvuzelas , vendo uns jogos mal amanhados e sem grande emoção pela TV do nosso descontentamento. Hoje consegui que os meus netos não vissem TV durante uma hora e meia que aqui estiveram. É obra. Em contrapartida, tive o prazer de ver o meu filho no Jornal 2 , falando com o seu entusiasmo habitual sobre os projectos de investigação e de parceria com a Carnegie Mellon. É bom ver alguém optimista, sobretudo quando esse alguém é meu filho.



Esta palmeira que fica no jardim da nossa casa foi comprada pela minha Avó para o casamento da minha Mãe em 1940. Transplantada para a Luz em 1966, cresceu e tornou-se um símbolo de estabilidade da nossa família. É lá que eu quero que as minhas cinzas sejam espalhadas, um dia, daqui a muitos, muitos anos...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os azuis

Sou louca por azuis, todos os tons de azul, desde o azul marinho, ao azul prussiano, ultramarino, turquesa, bébé, celestial, todos parecem ter uma simbiose de tonalidades para o qual me sinto tentada. Tenho roupa azul que nunca mais acaba,T-shirts azuis e brancas, azuis verdes, azuis e azuis:), calças de ganga azuis, fato de banho azul. Uso-os sobretudo no verão e primavera. No outono opto por tons de castanhos e verdes, beiges e por vezes preto, mas não muito.

Ao fazer os quadros que coloquei aqui ontem, nenhum deles continha azul - ou apenas um pequena porção. Queria fazer um parecido - segundo as mesmas técnicas mas que juntasse os azuis e verdes - o mar - sempre - a convidar-me. Após quatro tentativas , hoje acho que acertei. No meio de arrumações, tira mesa da aqui, pôr mesa acolá, estive a pintar. Salpiquei a parede de azulejo, mas felizmente sai bem com uma esponja verde e água.



Gosto bastante deste....ainda sem nome.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Poplars



Gosto muito da palavra choupos em inglês. É musical. Esta árvore é uma das minhas preferidas, pela leveza das suas folhas, os seus troncos quase argênteos, a verticalidade com que se espalham na paisagem. Monet pintou-os magistralmente.
Fazem parte do meu imaginário de criança e adolescente, porque na nossa casa havia uns tantos que se faziam ouvir ao fim da tarde quando o vento era mais forte.
Já pintei outros quadros com choupos, ontem resolvi experimentar uma técnica mixta, ou seja, guache e pastel. Primeiro usei o guache para dar os tons verdes e acastanhados das folhas e o azul do lago. No fim , o pastel para sublinhar os troncos, salpicar as folhas de um cinzento esverdeado e desenhar os reflexos na água. Com o esfuminho, o pastel ficou entranhado no guache. Por fim ainda usei guache de novo e um pincel em leque para melhorar os reflexos.
É simples, gosto dele.