Hoje já se podiam apanhar folhas de outono com sol. Há dias quis apanhar algumas, mas estavam demasiado húmidas e mesmo quebradas da água que impiedosamente caiu. Dois dias de sol é quanto basta para as folhas cairem e se quedarem ilesas no pavimento até que um transeunte ou animal as espezinhe, amachuque e destrua para sempre...beleza tão efémera que não dispenso.
Lembro-me de a minha Mãe se queixar de Lisboa, dizendo que havia demasiadas árvores de folha perene à volta e quase não se dava pelas mudanças de estações. Era uma queixa um pouco infundada, porque sempre vivemos rodeados de tílias, choupos, árvores de fruto no meio de pinheiros, eucaliptos e cedros, esses sim, de folha verde permanente.Mas é verdade que, quanto mais norte, mais caem as folhas e mais bonito é o outono...
Aqui não me posso queixar...aliás, a maior parte destas árvores à volta já estão despidas e entrevejo alguns prédios que preferiria não ver. A Casa Andresen tambem já voltou ao vermelhão, que considero um erro, pesado e triste, sobretudo no inverno.
Mas, como ia dizendo, hoje já se podiam apanhar folhas do chão e fi-lo ao vir do café. Pu-las debaixo duns livros pesados durante uma hora, foi suficiente para ficarem prensadas, sem perder as cores lindas do ácer, que ainda parece florido da minha varanda.
Resolvi colá-las em papel próprio para pintar em acrílico, usando o gel de impasto. Durante algumas horas assim estiveram presas ao papel, como borboletas que já não podem voar..
Depois pintei-as num fundo a condizer, mistura de azul prussiano ( sempre ele), amarelo de Nápoles e ocre. A colagem ficou praticamente pronta, só falta aplicar-lhe algum verniz.
E para acompanhar música eterna numa interpretação transcendente do ADAGIO TRIO:
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sábado, 26 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Os choupos
Havia vários no jardim da minha casa de infância. Tinha um especial carinho por eles, adorava ouvi-los a restolhar com o vento quase constante nas tardes primaveris de Lisboa, via-os despirem-se das suas folhas leves, lançarem tufos de algodão, amarelecerem ou esverdearem... eles estavam presentes nas imagens que me ficaram na retina.
Hoje passei por uma avenida onde há uma fileira de choupos, pouco habitual nesta cidade. Puxei do meu I'Touch, que tira fotos e disparei...
Ficam aqui as fotos...e umas pinturas maravilhosas do Mestre do impressionsimo, o meu preferido,
Monet.
Hoje passei por uma avenida onde há uma fileira de choupos, pouco habitual nesta cidade. Puxei do meu I'Touch, que tira fotos e disparei...
Ficam aqui as fotos...e umas pinturas maravilhosas do Mestre do impressionsimo, o meu preferido,
Monet.
sábado, 19 de novembro de 2011
Os áceres
É a árvore mais linda que conheço, sobretudo nesta época do ano.
Estou rodeada deles aqui no Campo Alegre, mesmo junto à minha varanda, vejo uns quatro perfilando-se altaneiros em qualquer estação do ano. Já os fotografei várias vezes e à sua folhagem dourada ou avermelhada, filigrana relutante em cair e resistente às ventanias que nos assolam durante a noite. No chão um manto atapetado multicolor, uma paleta infindável de cambiantes artísticos.Um passeio breve pelo Botânico deixa-nos boquiabertos perante a beleza dessses ramos em contraluz, estrelas de fogo, tremeluzentes na brisa.
Esta espécie botânica devia ser glorificada aqui como é na América do Norte ou no Japãp.
Dela ( maple) se extrai o célebre maple syrup, que acompanha as pancakes ao pequeno almoço ou as tartes de maçã ao lanche.
Encontrei um poema lindíssimo, que se poderia aplicar aos centenários áceres do Botânico, que viram a família Andresen nascer, crescer e morrer...e, agora, vêem dezenas de crianças a correr nestes jardins, colhendo ou pisando as folhas rendilhadas...
é o eterno retorno...
a Vida que não pára...
benditas árvores que nos trazem a certeza de um mundo mais belo.
THE MAPLE TREE
I don’t know why God placed me here
But I think He picked the perfect spot .
Here now for a century , not just anywhere
But here ! This is my chosen lot .
I’ve shaded this quiet country home .
Watched this family passing by .
Watched children grow and leave to roam .
Felt my leaves blow off and die.
Heard children’s laughter fill the air
Swinging on a swing in my branches there.
Watched her brush her auburn hair
Underneath my branches there .
Sunday picnic beneath my summer shade .
Watched a loving family have fun and play
Watched her auburn hair begin to fade
As time gently coaxes her hair to gray .
Seasons come and seasons go .
Horse and wagons pass to and fro.
God continues to let me grow
In this favorite spot I know .
Years pass by , the road is paved .
Cars and truck go swishing by.
Times are changing , nothings saved .
Every one rushing, on the fly.
I think I know why God placed me here
A loving shelter from life’s storms
Help protect a wonderful family from all fear
With shade and cover from devil’s swarms .
by Luke
Peço desculpa de não apresentar um poema em português, mas não encontrei nenhum que se assemelhasse.
Estou rodeada deles aqui no Campo Alegre, mesmo junto à minha varanda, vejo uns quatro perfilando-se altaneiros em qualquer estação do ano. Já os fotografei várias vezes e à sua folhagem dourada ou avermelhada, filigrana relutante em cair e resistente às ventanias que nos assolam durante a noite. No chão um manto atapetado multicolor, uma paleta infindável de cambiantes artísticos.Um passeio breve pelo Botânico deixa-nos boquiabertos perante a beleza dessses ramos em contraluz, estrelas de fogo, tremeluzentes na brisa.
Esta espécie botânica devia ser glorificada aqui como é na América do Norte ou no Japãp.
Dela ( maple) se extrai o célebre maple syrup, que acompanha as pancakes ao pequeno almoço ou as tartes de maçã ao lanche.
Encontrei um poema lindíssimo, que se poderia aplicar aos centenários áceres do Botânico, que viram a família Andresen nascer, crescer e morrer...e, agora, vêem dezenas de crianças a correr nestes jardins, colhendo ou pisando as folhas rendilhadas...
é o eterno retorno...
a Vida que não pára...
benditas árvores que nos trazem a certeza de um mundo mais belo.
THE MAPLE TREE
I don’t know why God placed me here
But I think He picked the perfect spot .
Here now for a century , not just anywhere
But here ! This is my chosen lot .
I’ve shaded this quiet country home .
Watched this family passing by .
Watched children grow and leave to roam .
Felt my leaves blow off and die.
Heard children’s laughter fill the air
Swinging on a swing in my branches there.
Watched her brush her auburn hair
Underneath my branches there .
Sunday picnic beneath my summer shade .
Watched a loving family have fun and play
Watched her auburn hair begin to fade
As time gently coaxes her hair to gray .
Seasons come and seasons go .
Horse and wagons pass to and fro.
God continues to let me grow
In this favorite spot I know .
Years pass by , the road is paved .
Cars and truck go swishing by.
Times are changing , nothings saved .
Every one rushing, on the fly.
I think I know why God placed me here
A loving shelter from life’s storms
Help protect a wonderful family from all fear
With shade and cover from devil’s swarms .
by Luke
Peço desculpa de não apresentar um poema em português, mas não encontrei nenhum que se assemelhasse.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Ainda a Primavera em tons de verde

Enche-me de alegria ver as folhas das árvores a brotar dos ramos, lentamente, cada uma a seu ritmo, sem pressas, gozando da plenitude deste sol quase tórrido e pedindo uma chuva mansa, que volta e meia vem cair neste jardim.

Da janela do meu quarto vejo tudo isto em transformação, as várias estações que se sucedem rapidamente e que nos lembram que a nossa vida também corre vertiginosamente e que as nossas estações têm, elas também, os seus encantos.
Há duas tílias grande no jardim aqui vizinho. Uma já está frondosa, linda, espessa, impedindo-me de espiolhar o que se passa na casa, outra, mais novinha que só agora começa a deitar os seus rebentos e que parece nua, no meio de tanto verde.
Nos jardins mais à frente, é um bálsamo olhar os cambiantes de cor nas plantas que se erguem para este céu tão azul.
Ontem passei pela Rotunda. Estava gorgeous,
como diriam os ingleses...árvores e sombras, numa dança que do autocarro consegui descortinar e fotografar. Amo a natureza....amo esta estação do ano...amo as tardes grandes e longas....amo a Vida.

Para terminar, dois poemas de Sophia alusivos à quadra, num vídeo maravilhoso com música de Chopin.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Paleta de cores
Hoje acabei um quadro que estava em stand-by há uns dias. Tem um não sei quê de abstracto, embora seja mais figurativo...neste momento as florestas têm todas as cores possíveis e foi isso que tentei transmitir.
EM NOVEMBRO
Nostálgico este dia,
Neste mês tão peculiar como é Novembro.
Tudo se clarifica e refina;
As árvores despem-se de vez numa ousadia que desengana as cores-frias-de-amarelo-fogo que revestem o Outono.
Em Novembro,
A estação atinge a sua plenitude.
A chuva perde a sua timidez;
O frio engalanado lidera manhãs, tarde e noites;
E o amigo vento alia-se de bom grado, para juntos trazerem o mau tempo em pessoa.
Novembro,
É o mês que proporciona a autenticidade do que na Natureza é per si genuíno.
As noites de Novembro tornam especiais os primeiros serões à lareira e exultam o estado de reflexão.
É altura de nos rendermos e procurarmos "aquele" cachecol tão quentinho que relembra o sabor único das castanhas assadas...
Em Novembro,
O nevoeiro matinal envolve de mistério a aurora, e o Sol seu prisioneiro, tenta em vão brilhar.
Em Novembro,
A nostalgia preenche os dias e abraça as noites de uma forma única e especial...
Fly - in Luso-poemas
sábado, 6 de novembro de 2010
Outono
Está um dia cinzento, com uma calmaria ímpar,
POEMA AO OUTONO
Se deste outono uma folha,
apenas uma, se desprendesse
da sua cabeleira ruiva,
sonolenta,
e sobre ela a mão
com o azul do ar escrevesse
um nome,
somente um nome,
seria o mais aéreo
de quantos tem a terra,
a terra quente
e tão avara
de alegria.
Eugénio de Andrade
E a música de Vivaldi:
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
O outono aqui tão perto

Pois é, já acabou o verão, este ano, com muito calor sobretudo lá para o interior e sul, que aqui no Porto nunca se sufoca e há sempre a brisa maritima refrescante que nos é oferecida pela nossa localização privilegiada. Chove mais? Dizem que sim, mas esta chuva é benfaseja, os verdes não são castanhos, os rios são caudalosos, há cascatas no Gerês, há cambiantes de luz no céu, o azul não é todo uniforme como as vezes em Lisboa, a ferir os olhos.

Segundo o meu amigo Pedro Freire, a cidade é iluminada pelo reflexo do sol nas pedras graníticas das construções antigas e possui um encanto diferente mais romantico e menos banal.
Em Portugal o Outono começa no calendário antes de se notar na natureza. As árvores da minha rua estão bem verdes ainda e só lá para fins de Novembro, estaremos envolvidos em sinfonias de castanhos, vermelhos e amarelos dourado.
O Jardim Botanico esta semi fechado, andam a preparar uma exposição e a restaurar a casa Andersen, já não era sem tempo. Não tenho ido lá, a ideia de ver máquinas e gruas não é bem aquela que mais aprecio...:)

Hoje vou continuar com a minha experiência de óleo. Só tive uma aula, mas achei interessante pintar com um material que não seca, tem cheiro e cores brilhantes. Vamos a ver se consigo fazer alguma coisa com tantas cores.
Um poema outonal feito numa escola e pinturas, que já ofereci aos meus familiares.
Que o Outono seja belo este ano para todos vós! Calmo e relaxante, sem grande sobressaltos. Para mim vai ser diferente...
AGUARELA DE OUTONO
Âmbar, dourado
E fulvo também!
Matiz de castanho
Lá vem o Outono
Que encanto tamanho...
Na brisa do ar
As folhas ao vento
Quais estrelas cadentes
Aguarela e desejo
São carícias de beijo
No rosto do chão
São húmus, são seiva
Da Mãe Natureza
Em renovação!...
sábado, 31 de outubro de 2009
Bom fim de semana de Outono
Outono 1 - pastel seco sobre papel
Hoje está um verdadeiro sábado de Outono. O céu está cinzento claro, cheira a maresia aqui onde eu moro, não muito longe do mar, como que a prever um agravamento para chuva provável, ou - com sorte - um céu azul que dissipará toda o nevoeiro. On ne sais jamais à Porto!!

red forest - guache sobre papel
Ando com vontade de ver mais cores de Outono, mas as árvores este ano recusam-se a despir o verde, sentem-se bem com o sol
e alguma água só de vez em quando, não nos estão a dar as tonalidades do ano passado, em que a cidade parecia dourada.

Riacho - guache sobre papel
À falta de fotografias deste Outono tardio, decidi colocar aqui algumas das minhas pinturas sobre o tema. Grande parte foi feita no início da minha aprendizagem, de modo que não esperem demasiado delas!!

Autumn reflections - pastel de óleo sobre papel
Têm o mérito de ter sido pintadas em casa - todas - sem ajuda de nenhum professor ( na época do defeso na gíria futebolística), pelo mero prazer de criar algo de que gosto com materiais fáceis de usar em tardes de relaxamento total passados aqui na minha cozinha.
Abstracto outonal - acrílico sobre tela
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Outono

(Fotos minhas tiradas na Rotunda da Boavista - Novembro 2008 - clicar)
O Outono já chegou - aos arrufos do vento
as folhas num desmaio embalam-se pelo ar... - vão caindo...caindo
uma a uma, em desalento
e uma a uma, lentamente, vão no chão pousar...
O céu perdeu o azul - vestiu-se de cinzento
e envolveu na neblina a luz baça do luar...
- na alameda onde vou, de momento a momento,
há um gemido de folha a cair e a expirar...
O arvoredo transpira as carícias dos ninhos,
e o vento a cirandar na curva das estradas
eleva o folhareu no espaço em redemoinhos...
Há um córrego a levar as folhas secas em bando...
- e à aragem que soluça entre as ramas curvadas,
parece que o arvoredo em coro está chorando!...
Camilo Pessanha
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Não estou com saudades do Outono

...mas tenho pintado muitos quadros com motivos outonais, não sei bem porquê. Comprei um calendário de fotografias chamado "Trees", em Boston. Estas fotos inspiram-me imenso, talvez porque são paisagens mais majestosas do que as que vejo habitualmente. As árvores são a minha grande paixão, para lá do mar. Gosto de árvores, talvez por ter crescido entre árvores e de ter vivido 2 anos na Beira Baixa rodeada de pinheiros por todos os lados.
Fiz duas pinturas nestes dias. Vou pô-las aqui e espero que alguém dê uma opinião, mesmo que seja desfavorável:)
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