Há muito que não vou a uma floresta, nem sequer a um local isolado daqueles em que o ar é puro e só cheira a eucalipto e a pinhas. Tenho saudades de passear num monte donde se disfrute uma vista magnífica sobre o mar, saudades de vegetação, de árvores fechadas sobre si, mal se descortinando os raios de sol.
Tenho saudades da quinta dos meus Pais em Albarraque, no sopé de Sintra, onde passávamos as nossas férias em criança. Havia lá um local onde os choupos(?) eram tão altos e tão próximos que não se sentia pinga de vento. O meu Avô apelidou esta álea de "alameda do pouco vento". Ficava junto dum caramanchão ( palavra que já não usava há séculos), onde havia videiras verdejantes na Primavera e vermelhas no Outono.
Na minha memória já se confunde tudo, pois o meu Pai vendeu a quinta quando eu tinha dez anos. Só me lembro de andar de burro, no Tupi, que era montado por todos nós, dos figos apanhados da érvore e comidos ali quentinhos, de tirar os pinhões e de os abrir com uma pedra, que os esmigalhava quase...e lembro-me também das redes que serviam para dormirmos as sestas no meio da mata, mal eu sabia como era privilegiada...
Não sei porque me lembrei disto agora, talvez porque hoje me deu para a nostalgia. Pintei um quadro impressionista - so to speak - com as cores quentes da floresta...
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
O presépio
Fiz ontem o meu presépio, antes de a minha filha chegar de Leeds. Queria ter tudo lindo para ela ter uma surpresa ao entrar na sala ( de olhos fechados). Os meus filhos ainda gostam destas coisas e enquanto eu puder, sei que vale mais do que as prendas que eventualmente lhes dou.
Há quase 40 anos que é assim, sou sempre eu que enfeito a casa e se não a tinha enfeitava a dos outros, como aconteceu quando andei pela província. Muito me custa estar numa casa vazia de natal...nisso sou completamente infantil, adoro o ambiente, o cheiro das velas, a caruma e as pinhas que ainda hoje fui apanhar ao botânico e que estão cheias de resina. Dantes até tinha sempre um pinheiro a sério, mas ja há dois anos que faço a árvore com um artificial e o efeito não é menos bonito. Nunca gasto dinheiro em enfeites, apanho folhas, pedrinhas, ramos de pinheiro aqui da rua e com algumas folhas de cameleira, armo o local onde vou pousar o estábulo e as figurinhas antigas, que comprei quando vim para o Porto há 32 anos. Sóo musgo é que é comprado e vem bem fresquinho ainda verde a cheirar a montes.
Também gosto de pequenos bibelots, anjinhos, pais natais, bonequinhos comprados nos bazares do Colégio Alemão ou do Clube inglês, feitos à mão.
Visto-me de vermelho, oiço Christmas Carols e sinto o Natal a sério. Boas Festas!
Há quase 40 anos que é assim, sou sempre eu que enfeito a casa e se não a tinha enfeitava a dos outros, como aconteceu quando andei pela província. Muito me custa estar numa casa vazia de natal...nisso sou completamente infantil, adoro o ambiente, o cheiro das velas, a caruma e as pinhas que ainda hoje fui apanhar ao botânico e que estão cheias de resina. Dantes até tinha sempre um pinheiro a sério, mas ja há dois anos que faço a árvore com um artificial e o efeito não é menos bonito. Nunca gasto dinheiro em enfeites, apanho folhas, pedrinhas, ramos de pinheiro aqui da rua e com algumas folhas de cameleira, armo o local onde vou pousar o estábulo e as figurinhas antigas, que comprei quando vim para o Porto há 32 anos. Sóo musgo é que é comprado e vem bem fresquinho ainda verde a cheirar a montes.
Também gosto de pequenos bibelots, anjinhos, pais natais, bonequinhos comprados nos bazares do Colégio Alemão ou do Clube inglês, feitos à mão.
Visto-me de vermelho, oiço Christmas Carols e sinto o Natal a sério. Boas Festas!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O Natal
Ontem fiz a minha árvore de Natal,mais cedo do que é habitual e talvez por mera necessidade de sentir algum calor e luz nesta época que, outrora, era de grande bulício e frenesim.
As aulas estavam a acabar depois dum período cansativo de três meses, os testes tinham de ser corrigidos , as avaliações feitas atempadamente, os níveis ou notas atribuídos, antes de se pensar em Natal, em enfeites, prendas ou o que quer que fosse. Deixava tudo para a última hora e os dias 22 e 23 eram passados a comprar coisinhas para a minha enorme família ou a acabar tricots que sempre ofereci aos meus sobrinhos ou filhos. Gostava daquela azáfama que só acabava no dia 26, depois de termos tido a consoada em minha casa, com a família do meu ex- a 24, e da corrida a Lisboa para o jantar de Natal, a 25, em casa da minha Mãe. Não aguentava aquela maratona e quase sempre o Natal acabava em lágrimas, sem qualquer razão especial.
Os dias a seguir eram de ressaca...nem Ano Novo queria festejar.
Sempre gostei de dar aos alunos uma réstea de magia e trazia filmes relacionados com a época, pedacinhos de ficção mais sugestivos, alguns jogos e muita , muita música de Natal no último dia de aulas. Fiz uma vez um calendário de Advento com caixinhas de fósforos forradas de dourado e coladas a uma fita de papel crepe vermelho. Abria-se uma caixinha antes de começar a aula e dentro dela havia a foto de um dos alunos que, nesse dia, tinha de fazer qualquer "gracinha" para os colegas em inglês, antes de comer o chocolate ou rebuçado respectivo. Tudo isto trazia um colorido diferente para a Escola, onde não havia grandes manifestações de solidariedade.
Uma vez, resolvi trazer um leitor de cassetes e pôr a tocar música de Natal na sala de profs; depois de uma certa estranheza, houve vários colegas que se queixaram do "barulho", de modo que compreendi que era inútil, há pessoas que não vibram com nada...e que todos os dias é Natal...para elas!
Ainda não trouxe os meus netos a verem a árvore. Em geral eles gostam ainda mais do presépio por causa dos bonecos espalhados pelos montes cobertos de musgo, dos cogumelos pequeninos que brotam aqui e ali, as pinhas prateadas e as velas. As figuras são antigas e todos os anos a decoração é diferente, conforme o material que tenho à mão. Não gasto dinheiro em enfeites.Está tudo guardado em caixas e só sai à liça nesta época.
As noites são escuras, mas há luz em minha casa.
As aulas estavam a acabar depois dum período cansativo de três meses, os testes tinham de ser corrigidos , as avaliações feitas atempadamente, os níveis ou notas atribuídos, antes de se pensar em Natal, em enfeites, prendas ou o que quer que fosse. Deixava tudo para a última hora e os dias 22 e 23 eram passados a comprar coisinhas para a minha enorme família ou a acabar tricots que sempre ofereci aos meus sobrinhos ou filhos. Gostava daquela azáfama que só acabava no dia 26, depois de termos tido a consoada em minha casa, com a família do meu ex- a 24, e da corrida a Lisboa para o jantar de Natal, a 25, em casa da minha Mãe. Não aguentava aquela maratona e quase sempre o Natal acabava em lágrimas, sem qualquer razão especial.
Os dias a seguir eram de ressaca...nem Ano Novo queria festejar.
Sempre gostei de dar aos alunos uma réstea de magia e trazia filmes relacionados com a época, pedacinhos de ficção mais sugestivos, alguns jogos e muita , muita música de Natal no último dia de aulas. Fiz uma vez um calendário de Advento com caixinhas de fósforos forradas de dourado e coladas a uma fita de papel crepe vermelho. Abria-se uma caixinha antes de começar a aula e dentro dela havia a foto de um dos alunos que, nesse dia, tinha de fazer qualquer "gracinha" para os colegas em inglês, antes de comer o chocolate ou rebuçado respectivo. Tudo isto trazia um colorido diferente para a Escola, onde não havia grandes manifestações de solidariedade.
Uma vez, resolvi trazer um leitor de cassetes e pôr a tocar música de Natal na sala de profs; depois de uma certa estranheza, houve vários colegas que se queixaram do "barulho", de modo que compreendi que era inútil, há pessoas que não vibram com nada...e que todos os dias é Natal...para elas!
Ainda não trouxe os meus netos a verem a árvore. Em geral eles gostam ainda mais do presépio por causa dos bonecos espalhados pelos montes cobertos de musgo, dos cogumelos pequeninos que brotam aqui e ali, as pinhas prateadas e as velas. As figuras são antigas e todos os anos a decoração é diferente, conforme o material que tenho à mão. Não gasto dinheiro em enfeites.Está tudo guardado em caixas e só sai à liça nesta época.
As noites são escuras, mas há luz em minha casa.
sábado, 25 de dezembro de 2010
A lareira

Sinto-me muito privilegiada por ter uma lareira em casa. Não a utilizo tantas vezes quanto gostaria porque já me custa um pouco mantê-la acesa, manusear os tarolos com perícia, gerir a quantidade de pinhas e acondicionar tudo bem para que o oxigénio continue a alimentar a chama. É uma arte, que aprendi com o meu Pai que adorava acender a lareira na nossa grande casa nos dias de festa ou quando estava realmente muito frio. Ele queixava-se de que não fazia mais nada e não parava quieto , mas todo aquele processo lhe era grato pelo prazer que nós sentíamos em redor do fogo.
Ainda hoje de manhã fui apanhar pinhas com os meus netos para o jardim da Faculdade de Ciências, onde existe um pinheiro enorme , mesmo ao fundo, num cantinho. Este ritual já é tradiocional nesta época, há três anos até fui sozinha e dei de cara com as gárgulas à volta da fonte, que olhavam para mim com cara de espanto. Hoje, quando lá chegámos , o meu neto mais velho constatou quase a chorar que não havia pinhas nenhumas no chão e que a árvore estava carregadinha delas lá em cima, tão alto!. Mas foi teimoso e resolveu aventurar-se numa zona mais perigosa, com roseiras selvagens que o picaram. Resultou em cheio. Encontrou umas vinte pinhas por baixo duns troncos quebrados que o mais novo queria à viva força trazer para casa:).
A minha amiga Regina deve ter escrito alguns poemas acerca deste fenómeno, eu só consigo viver o poema dentro de mim, sem nada escrever...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
O Outono tarda a chegar
Fui ao Jardim Botânico durante uma hora para apanhar umas pinhas para a lareira, antes que comece a chover e elas fiquem encharcadas. Havia-as aos montes, cheias de resina e envoltas em caruma, com aquele cheirinho tão especial que me faz lembrar a minha infância na quintarola de Albarraque, onde passávamos parte das férias até aos meus dez anos. Os meus netos gostam muito de fazer essa actividade , mas o jardim agora fecha aos fins de semana e nos dias normais as 4 horas, de modo que era impossivel ir com eles.
Está um dia lindo, daqueles a que os ingleses chamam "Glorious"...eles não têm muitos destes lá na sua terra. Não há uma única nuvem no céu e por entre as árvores densas, vêem-se pedacinhos de azul luminoso. Tiro sempre fotos diferentes neste local e adoro ouvir os passarinhos, anda que entrecortados pelos automoveis e pesados da VCI.
Andam a restaurar a casa dos Andersen, que está envolta num manto branco, como aquelas peças de mobiliário nas casas antigas, quando a família partia para férias.
A secura torna as flores quase inexistentes e as que há, rosas, malmequeres, repúblicas, estão sequiosas e muito abandonadas. O jardim de nenufares tb parece outro de tão degradado. Não haverá uma associação de voluntários que queira vir para aqui restaurar o jardim?

Mesmo assim...vale sempre a pena ir em busca do Outono. As primeiras plantas a vestir-se de cores multivariegadas são os áceres e as vinhas virgens, lindas nas suas roupagens de carmim e ouro. Em breve todas as outras estarão prontas para o baile outonal.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Árvores, não choreis, olhai e vêde...( Florbela Espanca)

Passear no Botânico é um vício para mim, sobretudo no inverno , quando as árvores estão despidas e se erguem para o céu quais esqueletos negros, em busca de um pouco mais de azul. Sempre gostei de passear em parques no inverno e lembro-me de longas caminhadas no Englischer Garten, o jardim mais lindo que conheço, em Munique, com ou sem neve, temperaturas de bater o dente, céu cinzento de chumbo e nem uma folha ou flor á vista.
As árvores são mais verdadeiras assim, neste defeso, em que se preparam, nuas, para a moda fashion da primavera. Assumem uma personalidade diferente e altaneiras ou anãs, quedam-se em silêncio, irmanadas na solidão dos parques vazios.

Hoje fui apanhar pinhas com os meus netos. Cada um levava um saco grande e tinha de o encher. Prometi oferecer um Gormitti - bonecos horrendos duma colecção pavorosa de monstros - ao primeiro que enchesse o saco. Respondeu logo o mais pequeno: "Vai ser o mano. Ele ganha tudo." Comoveu-me a sua modéstia, sensatez e constatação de factos. Não acrescentou: "Vou apanhar mais do que ele". Continuou a apanhar as suas pinhinhas e a encher devagarinho o seu saco, certo de que a Avó daria um Gormitti a cada um.

Vão aqui algumas fotos que tirei...desculpem o meu vício fotográfico e toxicodependência das árvores, da água, das plantas. O lodo na fonte parece uma renda. As camélias perfeitas.
As plantas fazem parte da minha vida cada vez mais. Mais do que as pessoas - posso estar meses sem ver algumas, mesmo da família - não dispenso a presença destes seres vivos na minha rotina diária, árvores que nascem, crescem e morrem para lá de nós.

CLIQUEM NAS FOTOS QUE VALE A PENA!
domingo, 20 de dezembro de 2009
Voltei ao Botânico
no dia em que acaba o Outono e começa o inverno.
Estava sombrio e frio, as árvores sem folhas, excepto algumas mais pertinazes e as perenes, que estão sempre verdes. As cameleiras aprontavam-se para o Natal com as suas flores vermelhas e brancas em profusão magnífica. Deve ser o jardim com mais camélias do país. São milhares a toda a volta e no meio do jardim. Voltei a ver o toco da tília deitada abaixo e apeteceu-me marcar lá as minhas iniciais, como fazem os namorados pirosos no meio das florestas. Amei aquela árvore e faz-me falta como uma pessoa de família ( tb rima com tília, Regina, dá para fazer um elogio fúnebre em verso). Fica mesmo ao pé do busto de Ruben A, que me pareceu mais só que nunca.


Resolvi tirar fotos aos troncos que agora se vêem muito melhor sem as folhas. Há os de todos os tamanhos, formas, entrelaçados, afastados, em direcção ao céu, prostrados para o chão atapetado por musgo e trevo aos milhares. Num local que conheço bem, havia pinhas e pinhas juncadas no chão, cheias de caruma e resina. Pareciam pintadas, como se fosse já Natal. Apanhei muitas para a minha lareira. Ali no chão, ninguém lhes liga nenhuma, acabam por sucumbir na mesma. São lindas, afuniladas, fazem figura no meu cesto da lenha.
Acabei por me vir embora porque as mãos se me gelavam. Tomei um chazinho com a minha nora eo meu neto mais pequenino, que já gatinha e come pão, grandes progressos!
Por favor cliquem nas fotos para sentirem o cheiro e as rugosidades dos troncos. Vale a pena!




quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Tarde de Outono

São tão belas as tardes de Outono.
Hoje preenchi-a com tarefas caseiras tipicamente outonais. Fiz marmelada da boa e geleia de marmelo para comer com castanhas assadas que os meus filhos adoram - e eu também.
Custa a cortar os marmelos, mas compensa pelo prazer que dá ver as tigelinhas a secar, com a marmelada muito vermelhinha e apetitosa. A geleia também é linda, transparente e duma cor fantástica.
Vão aqui fotografias das mesmas para vos aguçar o apetite.
As 5 fui buscar os meus netos ao colégio. Parámos no caminho e entrámos pelos jardins da Fac. de Ciências para eles correrem, mas sobretudo com um objectivo definido. Mesmo no fim do jardim, já quase junto à rua , há um pinheiro gigante cheio de pinhas que caem todos os anos e enchem o chão de caruma e pinhas. Os meus netos apanharam mais de cem pinhas, metemos num saco que eu tinha levado. Eram imensas. Umas são para queimar na lareira, pois é o melhor meio de atear a lenha e cheiram bem, outras, mais pequenas são para pintarmos com tinta acrílica e enfeitarmos a árvore de Natal. Estavam felizes, os meus netos, por ajudar a Vóvó e por fazerem algo diferente.Só queriam saber qundo poderiam apanhar mais pinhas:) Apeteceu-me prolongar aqueles momentos durante meses .....
Quando chegámos à minha casa, arrumaram-se as pinhas, pusémos a marmelada nas tigelas e a geleia nos frascos. Que bom, rica tarde de outono!!
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