Ontem para além de olhar para as árvores nuas erguendo-se para os céus, também me encantou ver os efeitos dos reflexos na água e os troncos cobertos de hera, fungos e outras plantas.O botânico tem fontes, lagos, pântanos onde as plantas encontram a humidade necessária para se desenvolverem num microcosmo quase tropical. Mesmo sem flores - ainda que haja já camélias e algumas rosas ou narcisos - encontro sempre aqui milagres da natureza ou motivos para cada vez mais apreciar os locais abertos, onde o olhar repousa e a alma rejuvenesce.
Mostrar mensagens com a etiqueta troncos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta troncos. Mostrar todas as mensagens
domingo, 5 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Floresta ao luar
Nestes dias fiz este quadro. Ao vivo é mais apelativo, aqui perdem-se um pouco as saliências, fica tudo no mesmo plano. O melhor será clicar na foto e ver em grande.
Chamei-lhe floresta ao luar, pois dentro do abstracto há contornos de árvores, de um lago, da luz a entrar pelo lado esquerdo.
Foi feito em MDF e mede 35x40 cm.
Fica aqui um poema de Sophia de Mello Breyner a propósito:
Bebido o luar
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
E já agora acrescento mais dois poemas enviados pelo meu irmão ( obrigada!) há minutos que parecem feitos para este quadro ou vice-versa...
Formas alvas dançam na escuridão em meus sonhos.
Por entre os galhos que rangem tristonhos
vem a luz da Lua visitar o chão
para ouvir as Árvores em sua noturna canção.
Que a noite, neste momento as reúna,
Que seus espíritos voem juntos no vento
e que seja infinito o tempo
enquanto não vem o dia,
que haja apenas a magia.
No cheiro das flores nesses ares,
Nos feixes de luz nua
Se sente o amor da Lua pelas Árvores,
Se sente o amor das Árvores pela Lua.
Filipe Torresi Rissetto
Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.
Fernando Pessoa
Foi feito em MDF e mede 35x40 cm.
Fica aqui um poema de Sophia de Mello Breyner a propósito:
Bebido o luar
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
E já agora acrescento mais dois poemas enviados pelo meu irmão ( obrigada!) há minutos que parecem feitos para este quadro ou vice-versa...
Formas alvas dançam na escuridão em meus sonhos.
Por entre os galhos que rangem tristonhos
vem a luz da Lua visitar o chão
para ouvir as Árvores em sua noturna canção.
Que a noite, neste momento as reúna,
Que seus espíritos voem juntos no vento
e que seja infinito o tempo
enquanto não vem o dia,
que haja apenas a magia.
No cheiro das flores nesses ares,
Nos feixes de luz nua
Se sente o amor da Lua pelas Árvores,
Se sente o amor das Árvores pela Lua.
Filipe Torresi Rissetto
Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.
Fernando Pessoa
domingo, 20 de dezembro de 2009
Voltei ao Botânico
no dia em que acaba o Outono e começa o inverno.
Estava sombrio e frio, as árvores sem folhas, excepto algumas mais pertinazes e as perenes, que estão sempre verdes. As cameleiras aprontavam-se para o Natal com as suas flores vermelhas e brancas em profusão magnífica. Deve ser o jardim com mais camélias do país. São milhares a toda a volta e no meio do jardim. Voltei a ver o toco da tília deitada abaixo e apeteceu-me marcar lá as minhas iniciais, como fazem os namorados pirosos no meio das florestas. Amei aquela árvore e faz-me falta como uma pessoa de família ( tb rima com tília, Regina, dá para fazer um elogio fúnebre em verso). Fica mesmo ao pé do busto de Ruben A, que me pareceu mais só que nunca.


Resolvi tirar fotos aos troncos que agora se vêem muito melhor sem as folhas. Há os de todos os tamanhos, formas, entrelaçados, afastados, em direcção ao céu, prostrados para o chão atapetado por musgo e trevo aos milhares. Num local que conheço bem, havia pinhas e pinhas juncadas no chão, cheias de caruma e resina. Pareciam pintadas, como se fosse já Natal. Apanhei muitas para a minha lareira. Ali no chão, ninguém lhes liga nenhuma, acabam por sucumbir na mesma. São lindas, afuniladas, fazem figura no meu cesto da lenha.
Acabei por me vir embora porque as mãos se me gelavam. Tomei um chazinho com a minha nora eo meu neto mais pequenino, que já gatinha e come pão, grandes progressos!
Por favor cliquem nas fotos para sentirem o cheiro e as rugosidades dos troncos. Vale a pena!




Subscrever:
Mensagens (Atom)