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terça-feira, 2 de março de 2010

Cor em Movimento







Realizou-se ontem a inauguração da minha exposição no Espaço Vivacidade. Ainda me custa a interiorizar que esta exposição é minha, fui eu que fiz aqueles quadros e , sobretudo, que há alguém nesta cidade - e talvez não só - que aprecia o que faço, me apoia, me ensina, me anima e amima.
Não posso deixar de agradecer aqui a TODOS os que estiveram presentes no evento, desde o meu querido professor Domingos Loureiro, cuja obra e dedicação à Escola são extraordinárias e que fez a minha apresentação como se conseguisse ler o que me vai na alma em cada momento que dedico à pintura, aos proprietários da Escola Utopia, Teresa e Zé Vieira, que me incentivaram a entrar para este meio tão especial, à Adelaide e Pedro, almas da Vivacidade, cujo dinamismo é inesgotável, aos meus amigos da Escola e de fora dela, and last but not the least, aos meus filhos e netos, cuja presença e actuação musical me comoveram muitíssimo.

Vale a pena chegar à minha idade e usufruir de momentos como estes. OBRIGADA!

Vão aqui algumas fotos que a Vivacidade publicou no seu blogue e já se podem ver no site próprio.

Desta vez não tirei fotos nenhumas. Ficariam, certamente, embaciadas de emoção.




terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O PROFESSOR - a não perder





Ontem fui a Lisboa e não levei nada para ler, esqueci-me, apesar de ter 4 livros na mesa de cabeceira neste momento, todos eles bons. Na Gare do oriente, como sempre, fui á feira do Livro, que é convidativa e colorida no meio do cinzento do betão. Estive uma meia hora a namorar os livros e encontrei este, que vim a ler no comboio e que me entusiasmou tanto que não conseguia parar de ler, apesar dos solavancos do pendular e do enjoo. Há muito tempo que não lia nada tão saboroso, com um sentido de humor ( irlandês) tão inteligente e com um tema para mim mais que apelativo, completamente empático. Já tinha lido o primeiro livro do autor , escrito aos 64 anos - As Cinzas de Angela - de que fizeram um filme excelente.


Este livro é o reverso do primeiro, que ganhou o Prémio Pulitzer e que lançou o autor para a celebridade, narrando a sua infância e adolescência quase traumáticas na Irlanda dos anos 30. Este reporta-se à sua vida uns anos mais tarde, em 1958. Depois de cumprido serviço militar na Alemanha, consegue tirar um curso nos EU e conquistar o lugar com que sempre sonhou: ser professor. Mas a vida e a experiência provam que ser professor não é nada do que ele esperava. Perspicaz, sardónico, sensível e muito comovente.

Vai aqui um aperitivo:

" Irrompem assim pela sala adentro cinco vezes por dia. Cinco turmas, trinta a trinta e cinco alunos em cada turma. Adolescentes? Na Irlanda víamo-los nos filmes americanos, melancólicos, carrancudos, a passearem-se de automóvel e perguntávamos a nós próprios porque estariam melancólicos e carrancudos. Tinham comida, roupa, dinheiro e, mesmo assim, eram maus para os pais. Na Irlanda não havia adolescentes. Andávamos na escola até aos catorze anos. Crescíamos, arranjávamos trabalho, casávamos...alguns anos depois emigrávamos para Inglaterra para trabalhar na construção civil ou para nos alistarmos nos exercitos de Sua Majestade e combater pelo Império."

" Numa sala de aula de um liceu o professor é ao mesmo tempo um sargento instrutor, um rabi, um ombro amigo, um displinador, um cantor, um erudito de baixo nível, um funcionário administrativo, um árbitro, um palhaço, um conselheiro, um controlador de vestimentas, um maestro, um defensor, um filósofo, um colaborador, um dançarino de sapateado, um político, um terapeuta, um louco, um polícia de trânsito, um padre, um pai-mãe-irmão-irmã-tio-tia, um contabilista, um crítico, um psicólogo, o último reduto."

Espectacular.
Leiam e revejam-se se forem professores como eu.

Infelizmente Frank McCourt morreu aos 78 anos e não escreverá mais livros.


O Professor
Colecção: Vidas d´Escritas
Nº na Colecção: 4

Editorial Presença


Sinopse: Neste seu terceiro livro de memórias, Frank McCourt, autor de As Cinzas de Ângela e Esta É a Minha Terra, escreve uma crónica irreverente e vigorosa sobre os trinta anos durante os quais deu aulas em diversos liceus de Nova Iorque. Com o seu característico humor, ressonâncias líricas e honestidade desarmante, McCourt relembra os desafios e as recompensas com que se deparou no ensino público nova-iorquino, criando assim um relato inspirador e comovente sobre as relações humanas e sobre como aquilo que temos para dar e receber pode fazer a diferença na vida de cada um.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Rómulo de Carvalho / António Gedeão - um site magnífico





Este blogue não pretende dar a conhecer tudo o que está na Internet, poupando aos cibernautas o voluptuoso prazer de descobrirem as respostas às suas inquietações, mas sente-se na obrigação de fazer referência a sites excepcionais, como este, descoberto por mero acaso. É espantoso como da Vieira da Silva se passa para Rómulo de Carvalho, numa mesma pagina de pesquisa, é este o milagre e a sina de quem por aqui passa.

http://purl.pt/12157/1/poesia/maquina-fogo/maquina-fogo.html

O site chama-se MÁQUINA DE FOGO e é editado pela Biblioteca Nacional. Apresenta uma biografia completa do professor-investigador-poeta e não só. Interessante saber que Rómulo de Carvalho tirou o curso de Física na Universidade do Porto, embora tenha leccionado anos e anos em Lisboa.

Em especial para a minha Amiga Regina, esta página, quase tão imperceptível como ela quando fala depressa :).

NOTA que se pode ler na página abaixo:

Este poema foi publicado no jornal dos estudantes do Liceu Camões, em 1967, que foi apreendido pelo reitor da instituição.. Sabendo o que sei sobre o dito reitor, compreendo o "perigo" que tal jornal representava.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

António Gedeão - aniversário- 24/11/1906




Faria hoje 103 anos, se tivesse a longevidade do nosso Manoel de Oliveira. Mas faz/fará anos sempre...e não faz/fará anos nunca, já que a sua poesia é presente, sempre.

Foi meu colega no Liceu Pedro Nunes, era eu uma catraia de 24 anos e ele teria já os seus 60. Olhava para nós com um sorriso altivo e nós corávamos, sabendo QUEM ele era, aquele professor, metodólogo, Rómulo de Carvalho. Foi professor do meu irmão mais novo durante cinco anos.
Os seus poemas são uma mistura de realidade, beleza e ciência em quantidades perfeitas.

Deixo aqui um poema e uma pintura minha que lhe dedico:



Tempo de Poesia

Todo o tempo é de poesia



Desde a névoa da manhã

à névoa do outro dia.



Desde a quentura do ventre

à frigidez da agonia



Todo o tempo é de poesia



Entre bombas que deflagram.

Corolas que se desdobram.

Corpos que em sangue soçobram.

Vidas que a amar se consagram.



Sob a cúpula sombria

das mãos que pedem vingança.

Sob o arco da aliança

da celeste alegoria.



Todo o tempo é de poesia.



Desde a arrumação ao caos

à confusão da harmonia.



FOREVER, GEDEÃO!


E já agora para os "poéticos e literatos" do Porto fica aqui o anuncio de mais uma actividade a não perder:



( clicar para ler)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

pintura no atelier



Tenho dedicado algumas entradas a pinturas feitas em casa, em geral, produto da minha imaginação, mas sem grande direcção, mais instintivas do que trabalhadas.
Estas duas foram produzidas no atelier, com conselhos avulsos dados pelo professor Domingos Loureiro - muito sumários pois ele tem muitos alunos com que se entreter - mas sempre interessantes.

Submeto aqui as pinturas ao vosso critério. Podem criticar livremente. Não há censura e gosto de ler as vossas opiniões.



Os dois quadros são em acrílico sobre tela.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Domingos Loureiro - o meu novo professor de pintura







Conforme tinha prometido, eis aqui o que consegui saber sobre o meu novo professor através da net. Alguns dos seus trabalhos vão aqui também para revelar aos leitores do meu blogue o seu talento e capacidades. Alguns dos seus trabalhos mais originais são esculpidos em madeira e pintados depois, sendo o efeito final extraordinariamente belo, como já pude constatar no atelier. Para mais pormenores, podem ir ao seu site.

http://www.domingosloureiro.com/


Domingos Loureiro
Nasceu em 1977, em Valongo.

Licenciado em Belas Artes - Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto-1996/2001
Efectuou estudos na Kunst Akademie em Karlsruhe, na Alemanha, ao abrigo do programa Erasmus -2001
Frequenta o mestrado em pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
2008 ‘Get Real’ Galeria Plumba, Porto; 2008 ‘Na Pele’ Fórum da Maia; 2008 ‘Dadas as circunstâncias’ Centro Cultural são Mamede, Guimarães; 2008 ‘Considered my self as part of you’ Volta Show, Nova Iorque; 2007 ‘em contacto’ Transfer_ arte contemporânea, Maia; 2007 ‘Diz-me por onde andas’ Galeria 24B_ Oeiras; 2006 ‘Erased’Galeria Plumba _ Porto; 2005 ‘Retrospective’ Galeria Plumba _ Porto; 2005 ‘Scratching’ Velha-a-Branca, estaleiro cultural _ Braga; 2005 ‘Digging’ Espaço Cultural Casal de S. Domingos _ Sintra; 2004 ‘Arranha Céus’ Forum Cultural de Ermesinde


Prémios: Prémio Sousa Pinto – Artvallis, 1999 e 2001; Prémio de Revelação D. Fernando II, 2003; Prémio de Pintura D. Fernando II, 2004.

Realiza trabalhos de grande dimensão, em Mdf escavado, que funcionam como “grandes matrizes de xilogravura” com “um aspecto próximo de objectos cerâmicos e de design relegando para segundo plano a imagem”, permitindo o contacto táctil do público com a obra de arte.






domingo, 2 de agosto de 2009

Tempo de descobertas


Foi há ano e meio. No dia 8 de Janeiro de 2008, recebi uma carta da minha Escola, que por sua vez, trazia anexada uma outra da Caixa Geral de Aposentações, informando-me de que me tinha sido concedida a aposentação, após 37 anos de ensino em escolas publicas.

Foi um dos dias mais felizes da minha vida, contrariamente ao que sempre tinha pensado iria ser. Senti-me leve, desamarrada, jovem e cheia de força para enfrentar a nova aurora que se adivinhava. O que ia eu fazer agora que tinha todo o tempo do mundo?

Dois meses depois, passei numa loja da minha rua, onde se podia ler um letreiro assim:

SE QUERES APRENDER A PINTAR,PINTA!

Achei o apelo convidativo e entrei. O atelier parecia uma loja com tudo o que há de materiais, telas, tintas, papeis, quadros já pintados, barcos montados, bonecos, uma panóplia de coisas que suscitaram a minha curiosidade. Perguntei se ali havia aulas de pintura. Acrescentei que nunca tinha pintado na minha vida para que a rapariga simpática que me atendeu não pensasse que eu era já uma artista. Disse-me que sim, que tinham aulas às 3ª e 4ª e qual o preço. Resolvi inscrever-me.

Na 4ª seguinte, fui à minha primeira aula.

A porta do atelier estava fechada e um rapaz - para mim ele será sempre um rapaz - sentado na berma da janela perguntou-me ao que eu ia. Respondi-lhe que era uma nova aluna. Ele sorriu e respondeu : Eu sou o professor. Nikola Raspopovic!

Estávamos apresentados e ainda esperámos mais uma meia hora porque tinha havido alguma complicação e a rapariga não tinha conseguido vir. Conversámos, ele explicou que era sérvio, mas que estava no Porto há catorze anos; eu, timidamente, continuei a afirmar que nada sabia de pintura, que nunca pintara a não ser na escola e que não era dotada, mas que gostaria de experimentar algo novo.

E foi assim que começou a minha aventura com as artes. Desde então já pintei mais de 50 quadros, a acrílico, a pastel, a guache, a aguarela. Alguns destes podem-se ver aqui no blogue, embora não tenham a assinatura, são apenas fotos. Até já fiz uma exposição!!

Cada vez gosto mais de pintar. Descansa-me, relaxa, abre-me os olhos para a beleza do que me rodeia e até para o abstraccionismo daquilo que vejo, tornou-se-me quase uma obsessão, como já o era a fotografia à qual dediquei sempre muito do meu tempo livre.

Tenciono mostra-vos aqui algumas das minhas telas, mas não só. Gostava de convencer-vos a pegarem num pincel ou num pastel e a tentarem pintar. Se o conseguir, fico feliz.