segunda-feira, 3 de maio de 2010

Alan Sillitoe ( 1928-2010)



O escritor britânico Alan Sillitoe, uma figura importante da ficção dos últimos 50 anos criador de obras neo-realistas como Saturday Night and Sunday Morning, morreu no dia 25 de Abril de 2010 aos 82 anos no hospital Charing Cross de Londres.

Nascido na cidade de Nottingham, norte da Inglaterra,onde passei tres semanas num curso para professores de Inglês e que é conhecida por ser o berço de Robin Hood e do malvado Sheriff, Sillitoe publicou obras de poesia, livros infantis e peças de teatro, além de ser crítico sobre temas sociais.

A sua obra Saturday Night and Sunday Morning, cujos textos usei muitas vezes em aulas do 11º ano, a propósito do tema trabalho, revolução industrial, desemprego, etc., foi transformada em filme com a performance do grande actor Albert Finney; o seu romance The Loneliness Of The Long Distance Runner, também foi levado ao cinema, tendo como figura central o actor Tom Courtenay..

Curiosamente tive a sorte de ver os dois actores contracenarem juntos, em Londres, na peça ART de Yasmina Reza e pergunto-me qual deles seria o mais portentoso. Muito diferentes, mas ambos tão talentosos!

As duas obras são consideradas dramas clássicos da realidade britânica de meados do século 20 e ficaram na memória de muitos leitores, que falam delas no link abaixo:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/8642912.stm
site da BBC que aconselho a quem gostar de ler em inglês.

Há quem diga que é preciso estudar muito para se ser escritor....já há dias li uma outra biografia extraordinária dum escritor que não fez mais do que a 4ª classe. Nascido a 4 de Março de 1928, Sillitoe abandonou a escola aos 14 anos e foi trabalhar para uma fábrica de bicicletas, antes de entrar para a Real Força Aérea (RAF),como operador de rádio.Filho de um trabalhador analfabeto, o escritor relatou numa certa ocasião as penúrias de sua infância.

"Vivíamos em um quarto em Talbot Street (Nottingham) cujas quatro paredes cheiravam a gás, gordura e camadas de papel cheio de mofo", disse uma vez o escritor.O seu primeiro relato de ficção, sobre a vida duns primos foi escrito ainda na infância, mas a mãe queimou-o porque achava o texto demasiado revelador.
Enquanto servia para a RAF contraiu tuberculose, o que o obrigou a passar 16 meses num hospital da Força Aérea antes de receber uma pensão, após o qual decidiu dedicar-se à literatura.
No total, Sillitoe, que se considerava poeta mais que romancista, escreveu mais de 50 livros, entre estes a sua autobiografia, publicada em 1995 com o nome de Life Without Armour."



Tinha posto aqui um poema em inglês, mas resolvi modificar a entrada e oferecer-vos um video extraído do filme " The loneliness of the long-distance runner", com legendas em espanhol. Não preciso de explicar o tema do filme. Isto diz tudo. Vale a pena ver, apesar de ser a preto e branco.

domingo, 2 de maio de 2010

DIA DA MÃE


Nenufares- jardim Botanico- 2010

Pudesse eu, soubesse eu, escrever poemas à minha Mãe, como faz a minha amiga Regina ou o meu irmão Mário, se eu conseguisse traduzir em palavras tudo aquilo que sinto ao pensar nela, ficaria aqui até ao romper da aurora, que não tarda, e mesmo assim não bastaria.

Faz-me tanta falta a minha Mãe.
Fez-me falta logo no dia em que saí de casa para me casar em 1973, e depois quando deixei Lisboa em 1975, mais tarde em Chaves durante dois longos anos sem telefone em casa a 500km de distância, mais os vinte e cinco no Porto,cidade de que ela parecia não gostar e que só visitou duas ou tres vezes. Fez-me muita falta no casamento do meu filho e essa ausencia custou-me muito a perdoar.

Faz-me falta a minha Mãe desde que deixei de lhe telefonar a pedir conselhos, a dar-lhe novidades, a transmitir-lhe boas novas dos filhos, de mim e da nossa vida. Ficava feliz com cada vitória minha, com cada êxito dos meus filhos, elogiava-me e aumentava a minha auto-estima só de a ouvir.

Faz-me falta a minha Mãe desde esse dia - que é hoje o 7º aniversário, 2 de Maio de 2003, quando, pelo telefone, me anunciaram a sua morte aos 84 anos. De repente, o coração falhou. Ainda no Natal em sua casa, fizera um pequeno discurso para toda a família reunida, um discurso demasiado solene e que nos causou calafrios na espinha. Parecia que adivinhava...

Tudo o que sou aprendi ,em parte, com a minha Mãe. Ela adorava ensinar: a coser, a tricotar, a bordar, a passar a ferro com esmero, a cozinhar, a ler romances ou poesia, a interpretar e a apreciar filmes romanticos ou dramáticos, a tocar piano, a ouvir Chopin, a olhar para o mar, a sentir a areia, a cheirar a maresia, a fazer pausas para apreciar e respirar fundo, a viajar em paz e harmonia, a inventar, a imaginar, a sonhar e sobretudo a viver cada minuto da Vida...ela adorava VIVER.

Não fui a filha ideal. Sei-o bem. Distanciei-me muito para quebrar o cordão umbilical que me impedia de ser feliz longe dela. Estive tempos infindos sem lhe dizer quanto a amava, embora ela o soubesse. Tenho saudades dos telefonemas infindáveis a falar dos meus projectos e dos dela - tinha sempre algo para fazer...quanto mais não fosse a modificar a sua casa, que mudava de fisionomia todos os dias.

Tenho aqui a sua fotografia, com as rosinhas de s. Teresinha, que me ofereceram há dias. Penso nela. E, sem querer, vem-me uma lágrima aos olhos...só sabemos o que perdemos quando deixamos de o ter...

Uma pintura feita há meses para ela que nunca viu nenhuma minha. Nunca pintei antes de ela falecer.

E uma peça de música o Arabesque de Debussy, que ela própria tocava no piano, depois de almoço, quando nos sentávamos na sala todos juntos, sobretudo ao Domingo.Quando o meu filho toca esta peça agora, vem-me uma miríade de sensações e emoções.



Obrigada, Mãe.
Pois é, ainda estou acordada a estas horas, mas já vou dormir....os passarinhos já cantam e o céu já está claro...pode ser que a insonia já tenha passado.

sábado, 1 de maio de 2010

Tempo de pausa

Os últimos dias foram bastante activos e ainda estou a sofrer a ressaca - boa - dos acontecimentos. O dia está lindo, mas não me deu para sair, talvez porque o meu filho mais novo teve um exame importante e estou nervosa, sem saber como lhe correu. Sofro mais com os exames - ou problemas - dos filhos do que com os meus, a ansiedade vai-se avolumando em crescendo até atingir um ponto de desespero, quase. Não sou nada calma quando se trata deste tipo de esperas....



Pus-me a pintar. Tinha uma telazinha daquelas em mdf ( penso que é isso) quadrada, com 30X30 e resolvi cobri-la de impasto há tempos; a ideia era fazer outra coisa. Mas hoje deu-me mais para isto. Usei tintas várias, verde, azul prussiano, azul mais claro, amarelo e branco, são as cores que mais uso em quadros ultimamente. Primeiro pintei simplesmente por zonas, depois usei tinta líquida para fazer pingos, mais escuros e mais claros. O resultado foi este e gosto dele.

Vai aqui com um música ao meu gosto: o soundtrack dum dos filmes que mais gostei na vida e que se adapta bem ao meu estado de espera: As Horas.

É um filme maravilhoso centrado na escritora Virginia Woolf, considerada uma pioneira na introdução da corrente de pensamento no romance.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cores em movimento - Somewhere over the rainbow


As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

Jorge Sousa Braga



Ontem foi um dia feliz para mim. E penso poder dizer para muitos dos que me rodearam e deram apoio numa festa em que o centro era ARTES.
Várias pessoas ligadas ao Espaço Vivacidade, entre as quais uma senhora pintora já famosa, colegas da Utopia, Amigos e Família estiveram presentes na sessão de encerramento da Exposição.

Preparei uns caderninhos com as fotografias das pinturas e dos poemas que iriam ser lidos e na Vivacidade, a infatigável Helda, a quem agradeço muito em especial, organizou um Powerpoint, em que cada slide correspondia a uma das pinturas, com registo do nome e do poema que se iria ler. Formalmente estava tudo preparado. Mas houve grande espontaneidade durante a sessão porque todo o discurso, o meu, sobretudo foi improvisado. A Adelaide começou por me fazer uma pergunta que não esperava: Como é que interrelaciona a pintura com a poesia?
Tudo o que disse me veio à mente na altura e agora já não seria possível repeti-lo com as mesmas ideias e palavras. Liguei a música ao poema, o poema à imagem e a imagem à pintura, que é como, em geral, olho para as Artes.
Ao escolher os poemas fi-lo criteriosamente, mas houve uns que talvez tenham ficado mais intrinsecamente ligados aos quadros, de tal modo que neste momento , quando penso no quadro, me vem logo o poema à mente. Acontece isso com os poemas da minha Amiga Regina Gouveia, cujos poemas são excelentes, não me canso de o afirmar. Também associei alguns do meu irmão Mário, que são duma simplicidade desarmante, e nos surpreendem - e muito - no final.

O mais belo da festa foi o meu neto. A sua presença, sentado á frente, pernas a baloiçar, poemas na mão, o soletrar cuidadoso - com 6 anos, está a aprender a ler e ainda há letras que desconhece - a sua insistência em ler em voz alta o poema Tudo é Poesia de Gedeão, a interpretação das peças no violino no final, sozinho ou acompanhado com a Mãe, comoveram-me tanto que as lágrimas me vieram aos olhos e o mesmo aconteceu com várias pessoas na sala. Obrigada, meu neto lindo!

Ficam aqui algumas das pinturas e poemas lidos. A Vida é muito Bela! Somewhere over the rainbow....



Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece. Não sei se suspenso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Porque fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

Ricardo Reis

A Chama
Dançava a chama voluptuosa
espalhando em redor um tom vermelho-rosa
As achas ardiam na lareira
e a criança batendo as palmas, rindo,
dizia "lindo, lindo"
apontando a fogueira.

Era uma chama voluptuosa
e ao mesmo tempo etérea,
tudo por causa do plasma,
o quarto estado da matéria.

No plasma, com seus núcleos e iões
em estranhas convulsões electrões davam saltos quânticos.

Era a energia
que assim se emitia
em passos de dança, sensuais, românticos,

A criança que, batendo as palmas, rindo,
dizia "lindo, lindo",
adormeceu sorrindo.

E então a louca chama, pressentindo
que a criança já estava dormindo,
deu em esmorecer, foi-se extinguindo.

Regina Gouveia

Boletim metereológico


Sol posto
magenta, azul
cheiro a mosto
cheiro a Sul
vejo o teu rosto
na rosa dos ventos
sinto o teu gosto
na ponta do tempo


céu aberto, céu azul
Sol nascente
magenta, doirado
estou no presente
e vivo o passado
solto um lamento
redondo, fechado
Ah!, ilusão
de te ter a meu lado
céu cinzento, céu nublado.


Mário Cordeiro

Infinito

O que é o infinito?
Será um estado de alma
num dia de muita calma,
em que o ar fica parado
de tão sereno e tão quente?

Será um oito deitado
dos que vêm nas sebentas,
nos compêndios, nos opúsculos,
ou serão as tardes lentas
que precedem os crepúsculos?

Ou será o quociente
em toda e qualquer divisão,
sem indeterminação,
em que zero é o divisor?

Ou será um grande amor?
Ou será a imensa dor
sentida ao perder alguém?

Ou será a imensidão
do Universo em expansão?

Ou será mesmo o Além?
Será a suprema alegria
de ver um filho nascer?

Será talvez a magia
de ver a vida crescer?

O que é o infinito?
Talvez seja aquele grito
que eu tento a custo suster.


Regina Gouveia

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cor em Movimento - Quadros de uma exposição




Hoje termina a exposição, que até agora, mais prazer artístico, espiritual e social me deu. Logo haverá uma sessão em que todos os "ingredientes" me são queridos desde os poemas de poetas conhecidos e da família que escolhi, recitados pela minha Filha Luisa, a minha Amiga Regina e a organizadora do Espaço e minha Amiga também Adelaide, até ao som do violino e da flauta tocados pelo meu Neto Daniel e pela minha Nora, Ana. A todos agradeço já agora do coração.

Muitas outras exposições se irão seguir, a começar já no dia 10 no 10º Aniversário do Spazo Zen., aqui no Campo Alegre.
Sinto uma enorme felicidade em poder mostrar aos outros aquilo que faço, aquilo de que gosto. Oxalá seja também para quem vê uma fonte de prazer estético e espiritual.

Fica aqui uma peça musical muito bela e majestosa chamada : Quadros para uma Exposição do compositor russo Mussorgsky tocado pelo jovem Evgeny Kissin numa interpretação vibrante muito pessoal:

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estações de caminho de ferro



Há estações muito bonitas em Portugal e até encontrei livros sobre elas.Estações aqui no Norte com azulejos e traça portuguesa encantam-me , mesmo quando modernizadas. Também as há feias como a de Coimbra, onde muitas vezes tive de esperar o comboio à chuva.

Em Inglaterra as estações são anitigas, mas têm sempre umas salas e restaurantes confortáveis, onde se pode tomar um chocolate quente e comer umas sande ou cookies. Os ingleses sentem quase um respeito intimo pela herança dos caminhos de ferro, que tentam a todo o custo preservar. Tirei algumas fotos a várias estações e ao aeroporto para a minha colecção.







Claraboia do aeroporto de Stansted

Os efeitos estéticos da água



Quando estive em Sheffield há dias, estava a decorrer nos pavilhões dos jardins interiores , muito belos, por sinal, o Campeonato Mundial de Snooker, que é visto por milhões de pessoas no Europort e ao vivo..
Para engalanar a cidade todas as fontes estavam a funcionar. Por todo o lado havia efeitos de água nas mais variadas formas, transmitindo uma paz enorme aos que contemplavam esses elementos nas praças públicas ou nos jardins ou que se sentavam em bancos s´o para ouvir o murmurar da água a cair. Algumas crianças até ousavam meter-se debaixo delas, com uma temperatura cá fora de 10º.

Vão aqui algumas fotos que tirei.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Daffodils



Em Inglaterra encontram-se por toda a parte, enchem os campos com a sua leveza e cor dourada. São flores singelas, muito belas, que mereceram da parte dos poetas ingleses grande enlevo.

Vão aqui uma foto tirada há dias no Hyde Park de Leeds e um dos poemas mais conhecidos de William Wordsworth, o poeta romântico do Lake District. Quem o recita é um dos meus actores ingleses favoritos, Jeremy Irons




"Daffodils" (1804)


I WANDER'D lonely as a cloud
That floats on high o'er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host, of golden daffodils;
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.

Continuous as the stars that shine
And twinkle on the Milky Way,
They stretch'd in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.

The waves beside them danced; but they
Out-did the sparkling waves in glee:
A poet could not but be gay,
In such a jocund company:
I gazed -- and gazed -- but little thought
What wealth the show to me had brought:

For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.

By William Wordsworth (1770-1850).

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domingo, 25 de abril de 2010

Liberdade artística

1. Hoje de manhã resolvi pintar...ou seja, cobrir um quadro que já tinha feito e de que não gostava com outro mais apelativo.
Talvez devesse ter pintado a vermelho, dado que hoje é o dia que é, mas a minha tendência foi para os azuis, cores do mar , do céu, dos olhos das princesas dos contos de Grimm, das violetas e do meu clube do coração.



(clicar- esta versão saiu melhor do que a foto de ontem)

Blue whales


2. Estive grande parte da tarde com os dois netos mais velhos, fomos ao Jardim Botânico, que estava resplandecente e tinha ainda uma exposição de répteis feitos de tampinhas de frascos de toda a espécie, tudo em plástico de várias cores. Muito criativo.
Aqui ficam alguns exemplares muito originais.

Dia da Liberdade



É costume associar-se o cravo à Liberdade. Não gosto de uniformidade - porque isso já representa para mim um certo seguidismo bacoco. Esta imagem de um canteiro de flores do Hyde Park em Leeds dá-me mais a sensação de beleza e liberdade que o cravo na lapela de muitos portugueses.

E em vez de Grandolas ou gaivotas ( desculpem, fiquei alérgica)....vai aqui uma canção linda do Serge Reggiani: MA LIBERTÉ!



VIVA A LIBERDADE!