segunda-feira, 20 de junho de 2011

Introspecção


Já tenho recebido algumas dicas ou censuras leves sobre a minha actividade bloguística, sobretudo no que se refere à minha abertura, expressão de emoções ou opiniões mais sinceras sobre temas mais intimistas.
Há pessoas que consideram os blogues meros exercícios narcisistas ou voyeuristas, necessidade íntima de feedback emocional ou carinhos online. Não nego que talvez haja uma percentagem de tudo isto na motivação que me levou a abrir o blogue, mas falta aqui o factor principal.
Gosto do que faço, acho útil para quem me lê, não prejudico ninguém directamente e sobretudo, divulgo os meus hobbies principais: a pintura, a fotografia e a música.
Será que poderia divulgá-los no Facebook ou no Twitter? Talvez, mas não era a mesma coisa :)).
A minha Mãe escrevia bastante e por vezes lia-me algumas das suas croniquetas sobre viagens, episódios a que assistira, recordações, etc. Quando faleceu, nada disso sobreviveu, não sei o que aconteceu aos seus cadernos e memórias.
O meu Avô tinha diários que a minha Avó guardou quando ele faleceu em 1963, passaram depois para a minha Mãe, mas neste momento também não sei onde páram e tenho pena, pois teria um enorme prazer em ler a sua escrita, sempre deliciosa. Felizmente também deixou livros, ainda que históricos e não tão íntimos.
O meu irmão escreve muito, já teve dois blogues, publica livros quase todos os anos. Já recebeu críticas excelentes e outras menos boas, mas isso não o pára e ainda bem.

Já pensei em fechar este espaço para não ferir susceptibilidades familiares ou correr riscos, mas gosto do desafio e não me faz qualquer efeito depressivo saber que causo alguma fricção em pessoas da família ou anónimas. Procuro não criar atritos, mas para já , continuarei a ser sincera e a exprimir o que me vai na alma, sem receio de que na terrível net haja inimigos encapotados ou alguém que me dê importância demasiada.

Gostaria de deixar este legado aos meus netos, não vou imprimir nada disto, mas tudo ficará no ciberespaço quando eu desistir de escrever.Esse dia virá certamente... quando é que não sei.


Para animar estas cogitações, coloquei aqui algumas fotografias que tirei ontem no Botânico, local que faz parte das minhas vivências mais felizes nesta cidade.

domingo, 19 de junho de 2011

Um Domingo para recordar


O dia estava lindo, cheirava a maresia aqui na minha varanda, tinha de ir à Foz. Os meus netos estavam ocupados, os filhos também, de modo que podia decidir como queria passar umas boas horas sozinha. Apanhei o autocarro mal cheguei à paragem . O 204 leva-me quase sem parar até à Rua do Farol, a 5m do mar. Espectacular.Havia um ventinho de norte que afastava as pessoas da varanda e as recolhia ao calor do café. Resolvi sentar-me cá fora, apesar da temperatura menos quente, e não me arrependi. Estava calor q.b. e o ventinho tornava tudo mais agradável. A praia estava cheia e diverti-me a ver cenas várias como se estivesse sentada na plateia do Lusomundo. Tirei mais de 50 fotos naquelas horas junto ao mar, são fotos anónimas, mas por isso mesmo, mais interessantes.
Pelas 5, ao chegar de autocarro -cheio de velhotes rabujentos - fui ao Botânico tomar um chá e comer um brownie na nova esplanada da Casa Andresen. Um ambiente fabuloso, o café tem uma janela que me chamou logo a atenção e que é uma autêntica obra de arte . Através dela pode-se ver o jardim "aos quadradinhos", pois é cheia de losangos que recortam e emolduram as manchas verdes lá de fora. O empregado surpreendeu-se com o meu pedido para fotografar a janela.
Descubro sempre cantinhos novos neste jardim e este ano com a Expo Darwin, a animação é enorme. Vêem-se muitas famílias espalhadas pelos diversos recantos, crianças felizes, mães a explicar o que se vê na expo. As flores vão murchando e florescendo num ciclo ininterrupto de Abril até Outubro. Há plantas que surgem de repente e que nunca tinha visto, como uma parreira que sobe pelos pilares do alpendre junto ao jardim de nenufares. Os agapantos estão no seu auge, mares lilazes e brancos, aqui e ali. Uma beleza.
Para terminar a tarde, os meus netos vieram para minha casa ver um filme comovente sobre a amizade de um urso polar e de uma foca. Dei-lhes de jantar e eles estavam felizes.

Saudades de nem sei o quê

Hoje só dormi quatro horas.

Estava excitada com o concerto da Pauta, duas horas e meia de música interpretada por jovens dos 3 aos 18 anos, entre os quais os meus netos. Casa da Música repleta, lindíssima, com o sol a entrar pelo lado poente e a iluminar todos os dourados dum modo especial. Foi entusiasmante e mais uma prova de empenhamento e de amor à Música.Depois jantei em casa dos meus filhos, uma opípara refeição rodeada de pessoas queridas.

Acordei há pouco, lá fora está um dia glorioso, da minha janela só se vê verde, árvores de todas as tonalidades, folhas que se agitam suavemente, sol a jorros.

Subitamente sinto saudades da Inglaterra. Por um momento, vem-me o cheiro da erva cortada que exala dos parques de Leeds. Queria estar lá com a minha filha, deitadas no chão a olhar para o céu, como naquela foto de 2005, que ainda hoje me faz arrepios porque tanta coisa sucedeu horas depois....

Queria voltar ao Yorkshire Sculpture Park, onde passei um dos dias mais bonitos da minha vida em 2010, rodeada de esculturas quase vivas, espalhadas pelo parque, vegetação verde, luxuriante e romantica, como nos filmes da BBC.

A vida oferece momentos muitos belos a quem os sabe apreciar...nem sempre quero, nem sempre sei...ando como uma gaivota semi-perdida entre o mar e o céu, em busca de algo que não encontro. Um amigo meu dizia-me que eu tinha fases de restlessness, que significa inquietação, ansiedade. É exactamente como me sinto hoje.

Vou ver se durmo. Preciso de fechar os olhos.

Saramago

Oiço às duas da manhã uma entrevista com Saramago, levada a cabo pela RTPN. O entrevistador, José Rodrigues dos Santos, interroga-o com inteligência, perguntas pertinentes e interessantes. Sigo com atenção todo o programa do princípio ao fim e pergunto-me como é possível transmitirem uma conversa destas - a todos os níveis superior - a esta hora. Quem estará a ver uma estação da cabo neste momento?


Na SICN transmitem outro programa que é tecnicamente uma perfeição: 60 minutos, pequenos casos verídicos relatados e apresentados primorosamente por Mário Crespo, histórias que captam a nossa atenção do princípio ao fim, tal o interesse humano e social que contém.

Não consigo perceber porque é que o teleespectador é considerado tão estúpido das 8 em diante até à meia noite. Os programas dos 4 canais são mediocres ou maus. Só quando os telespectadores decidem ir para a cama, pois têm de trabalhar no dia seguinte, é que os canais se tornam inteligentes...como se fosse necessário ser noctívago para se ser culturalmente interessado ou curioso.

Não consigo deitar-me cedo e já o tentei muitas vezes, acreditem. Estas horas passadas a ver programas inteligentes permitem-me acreditar que a Tv pode ser uma óptima companhia para quem está sozinho...mas é uma péssima companhia à hora apelidada de nobre; de nobreza nada tem mas pobreza com certeza.

sábado, 18 de junho de 2011

Quatro da manhã


E não consigo dormir...

Oiço uns indivíduos a falar do novo governo na SIC N. Vão do tom mais optimista ao mais pessimista, falam bem, com clareza, como se soubessem tudo. Mas será que sabem?
Gosto deste novo governo, são jovens, activos, têm currículos excepcionais, competentes nas suas áreas, têm intenções sérias ( se não, não deixavam as suas profissões bem remuneradas para se queimarem num governo ), querem encontrar soluções nesta situação desgraçada a que chegámos.Penso que são honestos, quero crer que vão fazer o seu melhor, assim o povo o queira e deixe.Mas imediatamente se ouvem críticas ridículas da oposição, que nem sequer ainda sabem o que eles vão fazer. Porque é que a nossa Oposição é tão mesquinha e invejosa, sempre me surpreendeu que não houvesse nem um pingo de solidariedade na Assembliea que é escolhida pelo Povo, afinal.

"Este país tem enormes dificuldades em cumprir os seus compromissos", diz-se. Mas temos de os cumprir para não irmos ao fundo. Terrível responsabilidade a nossa.

Oiço música que condiz com o Povo que somos....chama-se WEEPING SONG ( canção do choro) e vem a propósito. É um coro tradicional...cantado por Nick Cave.



Go son, go down to the water
And see the women weeping there
Then go up into the mountains
The men, they are weeping too

Father, why are all the women weeping?
They are weeping for their men
Then why are all the men there weeping?
They are weeping back at them

This is a weeping song
A song in which to weep
While all the men and women sleep
This is a weeping song
But I won't be weeping long

Father, why are all the children weeping?
They are merely crying son
O, are they merely crying, father?
Yes, true weeping is yet to come

This is a weeping song
A song in which to weep
While all the men and women sleep
This is a weeping song
But I won't be weeping long

O father tell me, are you weeping?
Your face seems wet to touch
O then I'm so sorry, father
I never thought I hurt you so much

This is a weeping song
A song in which to weep
While we rock ourselves to sleep
This is a weeping song
But I won't be weeping long
But I won't be weeping long
But I won't be weeping long
But I won't be weeping long



Nick Cave

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Mitsuko Ushida

Ligo para o Mezzo, depois de ter pendurado roupa, arrumado roupa, dobrado roupa....enfim tratado do que é meu e que urge meter nas gavetas ou nos armários.Tarefa pouco interessante, para não dizer entediante. Sento-me na sala e ligo a TV - MEZZO, claro.
Petrifico ao ouvir os acordes de piano, algo conhecido, tão querido aos meus ouvidos que imediatamente carrego no som e olho para as imagens para ver quem me adoça assim este pedaço da tarde.
É ela, a espantosa pianista Mitsuko Ushida que ouvi há dois anos aqui na Casa da Música a tocar sonatas de Beethoven duma forma arrebatadora. Toca o Concerto nº 4 de Beethoven, o preferido do meu Pai, que ele ouvia vezes sem conta. Esta artista é única, espantosa, que me dera que voltasse ao Porto. Naquela tarde, a plateia rendeu-se , todos aplaudiram de pé. Expansiva e temperamental, uma figura eloquente ao piano.Mitsuko Ushida, um nome que nunca mais se esquece.

Obrigada pela oferta, Mezzo...já ganhei o dia.

Aqui fica um excerto do concerto:

Mais uma princezinha

nasceu na minha família. É já da 4ª geração. Impressionante.
Dos meus Pais nasceram oito filhos, desses geraram-se 21 netos, que por sua vez já tiveram 27 filhos, sendo este bébé o 28º. Já lhes perdi a conta aos nomes e então datas de nascimento, só indo ao blogue da família verificar.
Já há coincidências várias nas datas de aniversários. No dia dos meus anos fazem anos mais dois sobrinhos, um em Lisboa, outra em Coimbra e eu no Porto. Não dá para festejar em conjunto:)
Há os loiros, tipo nórdico, há os morenos tipo indiano, há de olhos azuis enormes, os mais expressivos e menos expressivos. Têm um ar feliz, quando os vemos nas poucas festas de família.
Uma coisa é certa, são sinal de VIDA e de certeza. Os meus pais, lá onde estão, devem apreciar esta prole com desvanecimento. Eles merecem ser recordados, mais do que ninguém. Viveram dum modo ímpar. E criaram uma grande Família. Que irá prolongar-se para o Futuro.

terça-feira, 14 de junho de 2011

REGRESSO A CASA

Fui cedo para o aeroporto. Cheguei com tres horas de antecedência, é o que dá aproveitar as boleias...sou pobre e mal agradecida, diriam os mais exigentes,mas não me aborreci, nem um minuto. É giro poder usar o laptop num espaço tão grande e ver tudo o que se passa...tirar fotos coloridas, gozar daquela lufa-lufa calma, num aeroporto pequeno e simpático, que existe para proporcionar férias a muitos cidadãos estrangeiros, mais que a portugueses.Oiço o altifalante chamar os passageiros para um voo que segue para Leeds. Apetece-me loucamente meter-me nele e ir ver a minha querida filha, mas não dá. Durante uma hora, oito aviões despejam turistas no nosso cantinho paradisíaco, vê-se gente bronzeada, com mochilas, sacos, malas, bébés, pastas ( poucas), mas sobretudo com um sorriso feliz nos lábios. A vida é bela, parecem dizer. Lá se esquece a crise por uns dias, o sol é meigo, o mar amigo. Nestes dias, nem ondas havia, a água parecia quase parada tal era a calmaria.

A praia da Luz foi sempre um local amigo das famílias e com a Ryanair, mais e mais virão. O caso Maddie já passou, nada na Luz nos fala dela, a igreja está aberta quase todo o dia, vêem-se muitos ingleses a entrar, talvez a rezar pela menina, mas é assunto encerrado, a vida continua.
A vila evolue, vão-se abrindo novos locais, restaurantes passam de gerencia em gerencia, por vezes é pena pois há recordações perenes de sabores tradicionais que não podemos voltar a ter.
Uma semana nesta praia chega para revitalizar qualquer um,
mesmo com crianças cansativas, tempo menos quente ou menos dinheiro. A areia voltou este ano, a praia e prainha estão enormes, os caminhos estão limpos e tratados, vê-se que há vida para lá das férias...

LUAR na LUZ



Ainda não era lua cheia....mas já havia luar. E que lindo estava.

Estive a admirar a paz que aquela visão me transmite....a foto diz tudo.

Fica aqui a sonata ao luar....3º andamento....em homenagem ao meu filho João que a toca.

LUAR na LUZ


Ainda não era lua cheia....mas já havia luar. E que lindo estava.

Estive a admirar a paz que aquela visão me transmite....a foto diz tudo.