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sexta-feira, 13 de abril de 2012

O palco na floresta

Já o tinha visto várias vezes no MEZZO.
Hoje liguei para o meu novo canal BRAVA HD, que é pago a 2.50 euros por mês e vale bem a pena para quem gosta de música clássica.

Descobri um programa de duas horas e meia, transmitindo um concerto magnífico chamado Tausendundein Nachte, As Mil e Umas Noites, na imponente arena , construida no meio da floresta e por isso apelidada de Palco na Floresta - Waldbuhne. 


A Orquestra Filarmónica de Berlim abrilhanta esta performance de luxo.

Encontrei na Wikipedia uma longa descrição do local, que traduzi e encurtei.
Acrescento que durante os intervalos, os espectadores picnicam em amena cavaqueira, trocando os seus víveres, que trouxeram de casa. O panorama é idílico.
Pergunto-me se com o tempo magnífico que temos, não seria possível haver concertos de música classica ao ar livre no Parque da Cidade. Porque é que só os festivais roqueiros é que usufruem desses espaços?


Waldbühne - Culture - Berlin

Waldbühne

Um palco sob as estrelas.

Um dos locais de concerto favoritos de Berlim, foi construído em 1936 para as XI Olimpíadas, como um anfiteatro grego com bancos de madeira que albergam 22.000 espectadores. Após a guerra, serviu de cinema ao ar livre, de ringue de boxe e para realizações musicais. Durante os anos 60, sucederam-se os concertos de rock, uma decisão que se lamenta, pois durante um concerto dos Rolling Stones, os membros da audiência destruíram os bancos numa batalha campal com a polícia. Levaria anos e 400.000 DM para reparar e reabrir o anfiteatro.

Eis um vídeo que revela em parte o que poderá ser uma experiência destas:



domingo, 25 de março de 2012

O primeiro concerto de Beethoven

Depois duma curta brincadeira no pátio da minha casa com a nova coqueluche dos miúdos - os populares Bey-Blades, espécie de piões que giram dentro duma pista tipo alguidar e travam lutas entre si até um parar, voltei a casa e sintonizei o BRAVA HD, novo canal de Musica Clássica.

Maravilha. KISSIN no seu melhor. Mais velho, com a cabeleira ainda mais alta ( tipo toucado do Nicolau Tolentino, lembram-se?), todo vestido de branco, com o seu "blackitie", tocando o primeiro concerto de Beethoven, o mais mozartiano dos seus concertos, mas já com muita da garra beethoveniana.

Sentimento, subtileza e clareza, mas não a magia do meu querido Sokolov. Este menino bonito, que foi considerado um génio em criança, já não nos faz parar como dantes. Reconheço-lhe talento, quem sou eu , afinal , para pôr em causa a sua genialidade? As notas saem alegres, vivaças, ritmadas, mas não tão leves como eu desejaria.
Também pode acontecer que isso se deva à gravação, que, na TV nunca é tão boa.

Este concerto é electrizante, duma jovialidade excepcional, faz-me lembrar alguns de Saint-Saens, com leitmotifs pujantes, sopros intervenientes, contracenando com o piano, numa troca de mimos vibrante.

O meu neto entrou hoje num concurso de piano em Vila Praia de Ancora e ganhou o prémio de interpretação, o que me orgulha muito. Não é um Kissin, a sua especialidade é o violino, mas o que sei é que ele pôe sentimento em tudo o que faz e isso é o mais importante. Os seus pianíssimos e fortissimos destacam-se, a virtuosidade já se nota desde pequeno.

A orquestra entusiasma-se neste final do 3º andamento. Os dedos de Kissin deslizam, cavalgam, saltitam ao ritmo dos violinos e clarinetes. Briilhante. Aplausos e Bravos estrondosos. Bendita BRAVA HD, que me permite estar numa sala de concertos sem sair de casa.

Instado pelas ovações, Kissin senta-se de novo e toca um Nocturno de Chopin. Lindo.

Como gostaria de ter a minha Mãe aqui junto a mim.Passam por mim névoas de memórias caladas , mas não adormecidas, momentos sublimes em família, ouvindo Chopin, as cortinas da janela estremecendo ao som e vibração do piano, a calmaria das tardes na nossa grande casa, onde se respeitavam estas horas de recolhimento e sossego espiritual.

Perante a insistência do publico entusiasmado, Kissin toca agora a Valsa Brilhante de Chopin.
Ó minha Mãe, vejo-a a si, sentada ao piano, desculpando-se por qualquer falha e pela falta de domínio das teclas insubordinadas...nostalgia da infância, gratidão e emoção, tudo junto. A certeza de que enquanto viver, nunca hei-de esquecer.

sábado, 17 de março de 2012

Alfred Brendel , Claude Abbado e Beethoven

Oiço-os no MEZZO. 3º Concerto de Beethoven. Êxtase . Emoção. Harmonia. Sensibilidade. Sintonia perfeita.

Tantas vezes ouvi este concerto na minha casa da infãncia ou em casa dos meus avós, junto ao rádio sempre sintonizado para a Emissora 2, que o meu Avô adorava à falta de um gira-discos ou grafonola. Nunca os teve, embora fosse um amante incondicional dos grandes clássicos e românticos e das óperas italianas. Comecei a ir a concertos no Coliseu aos dez anos e era já com emoção que me deixava impregnar deste amor à música, sem a qual a minha vida seria tão mais cinzenta e ausente.

Os dedos percorrem as teclas e adivinho o som que vai sair, prevejo a tonalidade sonora, antecipo a pausa, deslizo com as escalas, embalo-me na orquestra e sob a batuta do maestro.

O ambiente é divinal. Brendel está velhinho,
os seus óculos tremem assim como o seu cabelo branco, mas os dedos não falham um trilo, um bemol ou sustenido. Tocar assim deve encher uma vida. E enriquecer a dos outros.

O Allegro salta como um adolescente aventureiro depois do adágio melancólico e pausado. Tudo vibra, os músicos seguem as notas que sabem de cor, tantas vezes já tocaram este concerto.
Brendel toca a cadenza, a orquestra espera ansiosa pelo remate final. Os sopros dão um ar da sua graça ou não fosse esta obra de Beethoven. Suspense , os violoncelos criam a expectativa em tom plangente, logo seguidos pelos violinos. Pizzicatos em surdina preparam a apoteose final.Abbado sorri, as trompetes sorriem também. E os clarinetes e as trompas....acompanham o sorriso dos dedos de Brendel. Perfeição no écran.

Fica aqui um video (com outros intérpretes) para comprovarem esta maravilha. Se Beethoven não tivesse vivido, o mundo da música seria menos surpreendente e nós muito mais pobres.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Art Nouveau ao som de Elgar

Há tempos fiz um quadro em tons de lilás e azul, que ficou muito especial. Tinha um misto de futurista e de gótico e o efeito com a moldura era lindo. Ofereci-o no Natal a uma pessoa que me é muito querida e ela, segundo me disse, pintou uma parte da parede da sala a combinar com o quadro, tal foi a alegria de o receber.

Hoje encontrei, por acaso, a fotografia do mesmo aqui nos arquivos e tive vontade de usar as mesmas cores num quadro diferente.

Usei impasto para dar a textura que desejava e ainda os tais vidrinhos minúsculos que dão à tela um efeito magnético.

Antes de ir para a fisioterapia, dediquei-me a lançar a tinta muito líquida sobre a tela, em cores muito enigmáticas e frias: branco, azul, violeta, que misturados criaram outros tantos tons maravilhosos.

Quando vim da fisioterapia, olhei para o quadro e gostei, mas precisava de mais branco, estava um pouco escuro demais, apliquei branco diluído e mais violeta. Deixei secar e só agora duas horas mais tarde o fotografei ainda sem verniz que dará o toque final.

Parece Art Nouveau, faz-me lembrar livros que havia em casa da minha Avó cujos inícios de capítulo eram decorados com ilustração muito rebuscada a negro.

Entretanto, pus-me a ouvir um concerto que adoro desde há muito: Concerto para violoncelo de Elgar, que já aqui mencionei a propósito de Jacqueline Du Pré, a violoncelista inglesa que morreu muito nova , mas deixou um legado imortal.

Ficam aqui os dois quadros e o concerto em questão:





sábado, 12 de novembro de 2011

Sabado sem história

Um sábado como tantos outros que já tive na minha vida...agradável, mesmo sem muito sol, nem futebol:))

De manhã estive a experimentar uma nova bicicleta estática
que comprei anteontem em Matosinhos a conselho dum amigo- é propria para pessoas que sofrem de artroses, pois não exerce pressão nas articulações, só nos músculos. A pessoa está sentada como num fauteil e as pernas é que se movem quase à altura da cintura. O contador regista o tempo, os kms, a velocidade e as calorias gastas.
Pu-la em frente à janela do quarto da minha filha, que tem uma vista privilegiada para os jardins da Casa das Artes, só se vêem árvores e céu, cortado, de vez em quando, por uma gaivota. Tb comprei um aparelho de step,que permite exercício das pernas para cima e para baixo suavemente. No inverno custa-me ir ao ginásio, de modo que vou cancelar a minha assinatura e fazer exercício todos os dias em casa. Não quero estragar o meu visual que está bem melhor do que no ano passado por esta altura. Tenho de me manter jovem (...) para os meus netos queridos. Ontem o mais velho que veio aqui ver a selecção exclamou, quando me viu: Oh Vóvó, já não te via há tanto tempo!! ( desde Domingo, dia dos seus anos :)

Almocei com o meu filho num restaurante novo chamado Altamira que fica no cruzamento da Rua da Venezuela e Bessa Leite. É barato e tem uma secção de venda de pão, frutas, legumes, bolos, mercearia e chocolates... excelente porque é mais perto do que o pingo doce e perde-se menos tempo a ir lá.

Tarde com electricista em casa. Um dos focos da sala estava estragado e a luz da cozinha era muito fraca. Mudei-a e ficou bem mais quente. Não gosto de ter coisas por arranjar, mas às vezes fico um ano assim à espera..:)

Pintei um quadro, entrementes, enquanto meu filho dormia uma sesta reparadora na cama da irmã...é bom ter filhos em casa:)). Acho que vou modificá-lo,porque não gosto muito dele.

Oiço uma sinfonia de Mahler no Mezzo, belo fim de tarde...as coisas simples dão-me imenso prazer, cda vez estou mais avessa a festas e barulho.

sábado, 1 de outubro de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MUSICA

Que dizer. Sem ela não existiria....pelo menos, espiritualmente. Ela é a  alegria, o impulso,a comoção, a expressão mais pura e mais  universal de todos os sentimentos e sensações humanas. Ela é a expressão da Natureza, dos seus sons inimagináveis, a tradução desses sons em forma acessível a qualquer pessoa de qualquer idade.

Ontem o meu filho esteve aqui a fazer-me uma instalação sonora. Comprei esta aparelhagem há uns dois anos e nunca a usei, por maravilhosa que fosse. Não conseguia ligar tanto fio, nem entender-me com os comandos. Comprei uns cabos que ligam directamente o meu MAC a aparelhagem e ao plasma e consigo ver séries, filmes, música downloaded com dolby surrounding, o efeito é mesmo o de um home cinema, impressionante.

É assim que vou festejar este dia da música, ouvindo o Mezzo em estereo.....

Aqui fica um dos excertos mais belos de Bach, que ouvi recentemente em Londres. Aqui o interprete é o controverso Nigel Kennedy, com uma das mais lindas versões que conheço deste concerto para violino.

domingo, 18 de setembro de 2011

No 4º dia

Não tínhamos planos.
Já sabia o que a minha filha ia escolher...apaixonada que é pelo ar livre e pelos parques. Fomos para o Hyde Park de autocarro. Saímos no Marble Arch, que fica no coração do West End e entrámos no enorme espaço de lberdade, que é ainda, o pulmão da cidade. Estava uma manhã quente e solarenga, poucas pessoas, uma paz fantastica. Andámos bastante, a minha filha tirou os sapatos e correu de pés nús na relva que devia estar húmida, até que colocou um pé num ouriço de castanha!! Havia-as por todo o lado, assim como avelãs e esquilos a comerem que nem senhores.
Ao pé do lago estava-se bem, com aves de toda a espécie a nadar ou a voar livremente.  Muitos barcos azuis a serem pedalados no lago. Ali estivémos algum tempo.
Fomos depois almoçar ao M&S, que tem uma cafeteria, tipo self-service, onde se arranja lugar. A Oxford Street estava apinhada de gente. Andámos a ver roupas, mas acabámos na Waterstones - livraria - onde comprei dois livros - How to make the most of your digital camera - e On Photography da Susan Sontag, um livro pequenino com reflexões sobre a importancia da fotografia nos anos 60. Mal ela sabia o que a revolução digital traria. Li parte do livro no aeroporto, antes de embarcar.


À tarde quis dar um salto à loja Hemleys,  na Regent Street, onde se vendem os jogos mais fantásticos para crianças. Fui à secção dos Legos, mas era tudo muito caro e acabei por não comprar nada.



Em seguida, fomos ao concerto Brilliant Baroque na Igreja já citada. O ambiente era místico, com velas acesas e os grandes chandeliers a meio gás. Um ensemble de oito pessoas tocaram como se de uma orquestra se tratasse: peças de Bach, Vivaldi, Mozart, Tartini, etc. Bach é divinal, quando tocado assim em ambiente religioso.
Saímos pelas 10 e ainda havia imensa gente em Trafalgar. Fomos jantar ao Bella Italia, cadeia de restaurantes, onde se pode repsrtir os pratose fica tudo em conta. São muito cosy e animados. Apanhámos um taxi para casa, mas poderiamos ter usado o autocarro, dado que é caro enão compensa.
Fizémos as malas já com um sabor amargo de despedida.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

S. João - O concerto



Hoje fiz o que quis....levantei-me tarde.

Vi no cartaz do lazer o que havia para gozar no S. João e a minha escolha recaíu no Concerto duma Banda no Palácio de Cristal. Tencionava ir sozinha, mas afinal toda a família me acompanhou o que me sensibilizou bastante. Ter os netos e os filhos comigo é sempre melhor que estar sozinha, mesmo que eles me inquietem por vezes com as suas pequenas birritas, nada de especial. Gosto deles, sempre, incondicionalmente.
Quando chegámos ao Palácio era um arraial de gente, " muito povo" como diria uma tia do meu marido que era tipicamente portuense. Lembrou-me os parques ingleses onde todos se sentam ou deitam no chão, como se estivessem na praia.Só que aqui, muitos prefrem cadeirinhas de armar. Perdem a oportunidade de olhar o céu enquanto escutam música, o que é uma experiência fantástica, como expliquei ao meu neto mais velho. A banda já tocava o Capricho Italiano de Tchaikoswky, muito solene e majestoso. Os miudos cansaram-se depressa, mas foram para o parque de diversões, apinhado de crianças. O sol queimava, felimente havia sombra em muitos cantinhos do parque. Lembrei-me da minha filha, que tanto ama aquele local.

É claro que não resisti as fotografias, algumas da família, que estão lindas , mas não ponho aqui propositadamente, mas também de pessoas anónimas que por ali descansavam.Aprendi com o Woophy que os pormenores as vezes são mais curiosos que o simples trivial dum parque. Cada vez gosto mais de procurar esses pormenores.

A banda continuava a tocar, mas o reportório era demasiado erudito na minha opinião, seria mais interessante ouvir peças conhecidas do grande público, como os musicais, as marchas ou música portuguesa popular.

Viémos embora quando os miudos se cansaram e passámos pelo Fluvial onde vendiam farturas, iguaria que não dispenso no S. João. Trouxe seis para casa...e lá se vai a dieta por uma vez. Hoje nem pão tenho em casa, bem preciso de algo de doce, como a madama dos ferrero rocher. O Ambrósio dispenso.:)

domingo, 19 de junho de 2011

Saudades de nem sei o quê

Hoje só dormi quatro horas.

Estava excitada com o concerto da Pauta, duas horas e meia de música interpretada por jovens dos 3 aos 18 anos, entre os quais os meus netos. Casa da Música repleta, lindíssima, com o sol a entrar pelo lado poente e a iluminar todos os dourados dum modo especial. Foi entusiasmante e mais uma prova de empenhamento e de amor à Música.Depois jantei em casa dos meus filhos, uma opípara refeição rodeada de pessoas queridas.

Acordei há pouco, lá fora está um dia glorioso, da minha janela só se vê verde, árvores de todas as tonalidades, folhas que se agitam suavemente, sol a jorros.

Subitamente sinto saudades da Inglaterra. Por um momento, vem-me o cheiro da erva cortada que exala dos parques de Leeds. Queria estar lá com a minha filha, deitadas no chão a olhar para o céu, como naquela foto de 2005, que ainda hoje me faz arrepios porque tanta coisa sucedeu horas depois....

Queria voltar ao Yorkshire Sculpture Park, onde passei um dos dias mais bonitos da minha vida em 2010, rodeada de esculturas quase vivas, espalhadas pelo parque, vegetação verde, luxuriante e romantica, como nos filmes da BBC.

A vida oferece momentos muitos belos a quem os sabe apreciar...nem sempre quero, nem sempre sei...ando como uma gaivota semi-perdida entre o mar e o céu, em busca de algo que não encontro. Um amigo meu dizia-me que eu tinha fases de restlessness, que significa inquietação, ansiedade. É exactamente como me sinto hoje.

Vou ver se durmo. Preciso de fechar os olhos.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Mitsuko Ushida

Ligo para o Mezzo, depois de ter pendurado roupa, arrumado roupa, dobrado roupa....enfim tratado do que é meu e que urge meter nas gavetas ou nos armários.Tarefa pouco interessante, para não dizer entediante. Sento-me na sala e ligo a TV - MEZZO, claro.
Petrifico ao ouvir os acordes de piano, algo conhecido, tão querido aos meus ouvidos que imediatamente carrego no som e olho para as imagens para ver quem me adoça assim este pedaço da tarde.
É ela, a espantosa pianista Mitsuko Ushida que ouvi há dois anos aqui na Casa da Música a tocar sonatas de Beethoven duma forma arrebatadora. Toca o Concerto nº 4 de Beethoven, o preferido do meu Pai, que ele ouvia vezes sem conta. Esta artista é única, espantosa, que me dera que voltasse ao Porto. Naquela tarde, a plateia rendeu-se , todos aplaudiram de pé. Expansiva e temperamental, uma figura eloquente ao piano.Mitsuko Ushida, um nome que nunca mais se esquece.

Obrigada pela oferta, Mezzo...já ganhei o dia.

Aqui fica um excerto do concerto:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Grigory SOKOLOV ao vivo

Ontem fui ouvir o grande Grigory Sokolov. Com os meus filhos e com a minha Amiga Regina, para quem consegui um bilhete à última da hora porque a minha nora teve de ficar com os meninos.



A nossa Casa da Música, sala Suggia, a abarrotar, até havia cadeiras no palco, fenómeno a que nunca tinha assistido. Coro cheio, camarotes repletos, plateias sem um lugar vago. Ninguém quis perder este concerto, tal é a fama dum pianista que de mediático nada tem, figura pesada, pequena, cabeleira branca, mãos papudas. Senta-se ao piano dois segundos depois de fazer os cumprimentos e a partir daí transfigura-se. Só conseguimos ver os seus dedos a dançar sobre as teclas, nuns cambiantes de tons maravilhosos, seguros,sem deslizes. Um silêncio total que até arrepia. Ninguém se atreve a espirrar ou a tussir, não há telemóveis, nem mexer nas cadeiras. As plateias rendem-se à magnificiencia do executante.

Dois concertos de Bach, um à moda italiana, outra à francesa, a torrente de notas ao ritmo barroco. Uma beleza para quem aprecia o compositor alemão, como eu. Repetitivo talvez, mas impregnado de misticismo e beleza espiritual. Na segunda parte, Schumann, arrevezado, obrigando a malabarismos com as mãos que se trocam, que deslizam sobre as teclas, que se levantam e baixam com força, sentimento a rodos, pausas em que quase não dá tempo para respirar.

Por fim, as palmas, um estrondoso aplauso de pé, que o pianista agradece sem se demorar, como se tivera receio de ceder à tentação de agradar demais. À segunda vinda ao palco, senta-se e toca um encore. Chopin, Schubert, Rachmaninoff, não sei bem qual. E a cada chamada ao palco, presenteia-nos com mais uma peça, até chegar às sete, já com a plateia a debandar, pois é meia noite e no dia seguinte tem de se trabalhar.

Ficaria ali esquecida a ouvi-lo, pois cada momento a mais é mais um sonho realizado.

Fica aqui um excerto de um concerto dado em Paris com um Prelúdio de Chopin:

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sem a pintura e a música....

a minha vida não teria colorido...



Há cerca dum mês fiz estes quadrinhos. Tencionava oferecê-los, mas enamorei-me deles, coloquei-os numa parede estreitinha junto ao meu quarto, em coluna, e gosto de olhar para eles todos os dias, várias vezes.
Cada um deles me conduz a um lugar diferente, mas todos lá para o fundo do mar, locais misteriosos, onde habitam seres coloridos e atraentes, mais belos do que os que vemos à superfície, nas nossas cidades taõ betonizadas e torturadas pelos asfaltos, passeios sujos e grafitti.
A pintura faz-me sonhar e, mesmo quando não me sai nada de jeito e destruo o que fiz, sinto que valeu a pena estar ali aquelas horas com os pinceis na mão.
A música - oiço neste momento um concerto de música de Câmara de Schubert no Mezzo com um violino plangente tocado magistralmente - e a pintura enlevam-me a ajudam-me a viver melhor os momentos de relativa solidão que me inflijo a mim própria com teimosia.
Os dedos sobre as teclas ou sobre as cordas, os pinceis sobre a tela, a harmonia dos sons, a variedade dos tons, tudo isto é mais belo que a realidade do dia a dia.
Deixo-vos aqui a Fantasy for Violin and Piano in C Major D. 934 de Schubert

domingo, 28 de novembro de 2010

Concerto de Natal - Pauta

Já falei aqui da Escola Pauta, academia de música que aplica o método Suzuki para a aprendizagem do violino, viola clássica ou violoncelo, desde a mais tenra idade.
Os meus netos tocam violino e violoncelo ( o instrumento é quase maior que o artista que tem apenas cinco anos).
Hoje houve uma audição a solo de dezanove alunos no auditório do ISEP.
Cada um tocou uma peça, do mais elementar ao mais complexo, como um concerto de Vivaldi, tocado com virtuosidade por uma menina ainda. Os meus netos tocaram " O Balão do João" ( de autor desconhecido?!) e a "Gavotte"in D de Bach.
A simplicidade com que decorreu o evento, finalizado com uma ceiazinha confeccionada pelos pais das crianças, foi a nota principal.
As crianças que, no palco apresentam uma postura impecável, vestidos de igual, rapazes e meninas, respectivamente, cá fora, revelam-se como são na realidade, brincalhões, comilões ou hiperactivos. Tudo com ordem e bom ambiente, sem gritos, nem choros mas com imensa naturalidade, sem sofisticações.
Como Avó, estou muito orgulhosa dos meus netos e seus pais, pois isto representa um enorme sacrifício, disponibilidade, empenho e entusiasmo.

Vai aqui um video do Concerto da Casa da Música em Maio deste ano:

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Música na TV

Ouvi dizer que hoje é o dia Mundial da TV. Não confirmei, nem estou especialmente interessada. o Dia da TV é sempre que eu quero....e posso...e mando.


Neste momento, através da TV - Mezzo - estou a regressar aos meus dez anos, ao primeiro concerto a que fui na minha vida, no Coliseu de Lisboa. Tocava violino o célebre David Oistrack e o concerto era precisamente este: Beethoven, o seu único concerto para violino, opus 67, lindíssimo, tocado agora por Anne-Sophie Mutter, a menina prendada e protégée de Karajan. Merecidamente, visti que é um portento de força e virtuosidade.

Em tempos quando dava aulas de Alemão, encontrei numa revista especial para o ensino da língua,um artigo sobre esta rapariguinha alemã, que tinha, na altura 15 anos e se deslocava todos os dias vários kms para ter aulas na Suiça. Levei a história verídica para a aula e os alunos ficaram muito interessados na menina da sua idade, tão promissora e corajosa.

Hoje vejo-a na TV com muitos mais anos, mas ainda uma figurinha linda, feições muito perfeitas e um sonho a tocar.
A Orquestra Sinfónica de Israel, conduzida por Zubin Mehta parece rezar uma prece à volta desta Madona. Os músicos até fecham os olhos durante os seus solos para melhor se empregnarem do som do violino.

Há momentos belos em cada dia....hoje parecia um dia cinzento, anónimo, ida ao supermercado, arrumar a casa, tratar da roupa, limpar o pó que teima em pegar-se aos móveis, dar um jeito à lareira, fazer o jantar... e eis que do nada, a música irradia pela minha sala e convida a uma pausa para contemplar e vibrar.

Obrigada Beethoven! Obrigada Anne Sophie! Obrigada Zubin! Obrigada MEZZO!



O jantar.....virá dentro de horas quando estiver capaz de o fazer:))

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quality time




Hoje foi um dia diferente.

Fui buscar o meu neto mais velho ao colégio, depois do treino de futebol, para o levar a um concerto na Escola de Música Silva Monteiro, reputadíssima academia de grandes músicos desta cidade,onde o meu neto aprende a tocar piano com um professor da Universidade de Aveiro, que mostrou interesse em dar-lhe aulas.
Quando lá chegámos, estavam muitas pessoas reunidas no átrio.
O concerto constava de seis peças, uma sonata de Beethoven - 1º andamento, tres peças de Chopin, das quais saliento o Estudo opus 10, nº4, que o rapaz, Raul Peixoto da Costa, de 16 anos, tocou magistralmente. As outras duas peças eram espectaculares, a de Lopes Graça, Música Festiva nº 14 muito original e vistosa, outra, Sugestão Diabólica Prokofiev, igualmente rebuscada e difícil. O meu neto ficou com os olhos em bico quando o viu trocar as mãos e tocar na madeira em alternância com as teclas na peça do compositor português. Todo ele vibrava.
Findo o concerto, propus-lhe irmos jantar os dois à Alicantina, um restaurante muito popular que fica na zona, o que lhe agradou imenso por poder comer um prego no prato e beber um sumo. Fica feliz com pouco, este meu neto.
À vinda para casa, perguntei-lhe: Lembras-te quando eras pequenino e a Avó te contava histórias no caminho do colégio para casa?
E comecei a contar-lhe: Era uma vez um Mocho e uma Raposa. O Mocho estava no cimo duma árvore....ele interrompeu-me logo com jeitinho: Vóvó, não era um corvo? ". Desatei a rir com a minha lacuna...e ele acrescentou filosoficamente: É que as raposas não andam à noite pelos campos....". Uma lição do neto à Avó (já gágá). Continuei a contar a história agora com o corvo no seu lugar. As objecções continuaram: "Como é que o Corvo falava com a Raposa e o queijo não caía?". Respondi: É que ele falava com a boca cheia, como tu, a comer o gelado! Marquei um ponto, finalmente!:))

Assim se acabou a tarde. O pequenito já estava com sono e ainda tinha de tomar banho antes de dormir. Suspirou: Mas porque é que eu fui jogar futebol? Devia era ter ido à piscina como o mano para não ter de tomar banho! . Eram 8 horas.

Fica aqui um Estudo de Chopin em memória destas horas preciosas.

domingo, 10 de outubro de 2010

From Gatwick with love

Ja em Londres, neste aeroporto meio caotico que é Gatwick vou ter de fazer horas para o aviao da TAP. Mais ou menos tres horas, sem nada de interessante para ver, mas com um livro bom para ler ou a possibilidade de dormitar num destes maravilhosos sofas do Cafe Nero; tambem tem uma capela, talvez va la rezar pelos meus filhos....
A Luisa ficou feliz, ontem o concerto encheu-nos as medidas, a sala estava cheia e num ecran gigante vimos todas a s imagens tiradas pelos telescopios Magellan ( o nosso Magalhaes) nos planetas todos, a comecar em Marte e a acabar em Neptuno, A musica e involvente e poderosa, ainda deram dois encores. Viemos embora pelas 10, deixei a minha filha na residencia e fui para p hotel....
Hoje ja vou para casa. Vou estranhar.
Cinco dias parecem imensos fora de casa.
E adoro a Inglaterra.

Fica aqui uma excerto de Os Planetas de Holst, compositor britânico, citado detalhadamente no blogue da minha amiga Regina, precisamente num destes dias por mera coincidência ou telepatia.

domingo, 1 de agosto de 2010

Tríptico Cor em Movimento


Para festejar o 1º aniversário do blogue, fiz este tríptico em tres tonalidades diferentes que se multiplicam por tantas outras conforme a luz,a posição,as sombras, o local e até o nosso estado de espírito.
Gosto de todos, embora o violeta me pareça o mais original. Ao vivo despertam mais as nossas sensações. Têm um tamanho razoável, 60x30, e foram pintadas em acrílico com gel e areia misturados de forma a criarem toda a espécie de rugosidades e desenhos para as tintas escorrerem e fundirem-se dum modo artístico.Cliquem neles para ver ao perto.

Deram-me imenso prazer, foram duas noites e três dias a inventar...será abstracto, será gestual? O meu amigo Paulo o dirá:))

Para festejar o dia ofereço-vos uma performance extraordinária dum dos mais ( o mais?)
aclamados pianistas da actualidade,Grigory Sokolov num dos concertos mais carismáticos do Romantismo, Rachmaninoff - Concerto nº 3 ( 1º andamento incompleto).

segunda-feira, 7 de junho de 2010

CONCERTO DA ACADEMIA "A PAUTA" - CASA DA MÚSICA - SALA SUGGIA


Imagem digitalizada do Programa

Foi e é a única Escola de Música que ensina segundo o método SUZUKI, do músico e pedagogo japonês Shinichi SUZUKI que considerava toda e qualquer criança capaz de aprender a tocar um instrumento, desde os 2 1/5 de idade, como se aprendesse a língua materna, sem necessidade de saber ler pelo papel, "cantando" as notas no seu cérebro e movimentando os dedos e as mãos segundo essas notas mentais.

Há vários vídeos no Youtube sobre este musico inovador, cujas teorias se expandiram por todo o mundo, havendo hoje milhões de crianças a tocar desde a mais tenra idade.


O concerto a que assisti ontem foi brilhante. Na 1ª parte tocaram os mais velhos, obras de Weber, Telemann, Beethoven, Monti, Vivaldi, etc. Na 2ª, os alunos iam entrando em grupos dos mais velhos até aos mais pequeninos, que entraram no fim. Os grupos tocaram em separado : o de violoncelos e violas de arco, recentes na Escola, de que faz parte o meu neto André com 4 anos; o dos violinos com mais de cem alunos, dos 3 até aos 16 anos. Tocaram melodias e peças conhecidas que fizeram as audiências aplaudir em delírio.
O momento mais carismático foi OVER THE RAINBOW, cantado por uma aluna, que compôs a letra com a Mãe e Avó. O meu neto Daniel tocou 15 peças em conjunto, entre as quais O Balão do João, que me faz sempre lembrar o meu filho, pai deles, na mesma idade.

O concerto durou duas horas e meia e ninguém arredou pé, tal era o entusiasmo dos familiares e amigos que enchiam por completo a Sala Suggia: mil e trezentas pessoas no total.
Infelizmente não era permitido tirar fotos, de modo que coloco aqui algumas tiradas do site ainda em construção da Academia.

Obrigada a todos os que contribuiram para este maravilhoso concerto: professores, pais que acompanham os filhos e os treinam em casa todos os dias, alunos concentrados e responsáveis, mesmo na mais tenra idade. É bom assistir a algo assim em Portugal.

PARABÉNS À PAUTA e, em especial à sua fundadora JOANA SEYBERT JESUS.

Na falta do video de ontem, consolem-se com este vídeo de ver, ouvir e chorar por mais...inacreditável.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Verde e azul



São cores extremamente expressivas. Há quem lhes chame cores frias por oposição ao vermelho, amarelo ou laranja, cores quentes. Associo estas duas cores a cenários maravilhosos como os campos verdejantes da Irlanda ou dos Açores, ao mar revolto da Foz, ao céu em dias cálidos de verão ou ao conceito e sentimento de esperança. Gosto de azul, é a minha cor preferida em termos de roupa, Também é a cor do meu clube, mas isso não é muito importante..:)

Resolvi fazer quatro quadrinhos em tons de azul e verde. são muitos tons diferentes e branco suave aqui e ali.

Ao fotografá-los, lembrei-me de que há anos assisti a um concerto memorável duma banda celta em Londres. Chamava-se Battlefield Band, era escocesa, cantaram, tocaram e encantaram. Uma das canções que me ficou na memória foi esta " The Green and the Blue", que curiosamente encontrei no youtube e aqui fica.

sábado, 27 de março de 2010

Jacqueline du Pré



Foi uma violoncelista precoce, a quem se preconizava um futuro brilhante, semelhante ao de Anne-Sophie Mutter, que a todos maravilha com a sua virtuosidade. Nascida em Oxford - Inglaterra - notabilizou-se no violoncelo, que começou a tocar aos 4 anos. Ao ouvir na radio o som do instrumento, virou-se para a Mãe, também ela música, e disse: "É isto que eu quero tocar".
Foi aluna dos mais brilhantes violoncelistas do mundo e Rostropovich, ao ouvi-la, concedeu que era a única executante que conhecia capaz de vir a exceder a sua (dele)própria fama e qualidade.



Jacqueline du Pré celebrizou uma peça menos conhecida do grande público - O Concerto para violoncelo de Elgar, que a ela associam todos os que a conheceram. Casada com outro gigante da música contemporânea, o maestro pianista Daniel Barenboim, percorreu o mundo, dando concertos inesquecíveis para quantos os ouviram durante doze anos. Aos 27 foi-lhe detectada esclerose múltipla, doença que a impediu de continuar a carreira; veio a falecer aos 42 anos.
Uma perda enorme para quem a considerava um génio do violoncelo e guarda na memória a sua presença bela, esfusiante e emotiva nos palcos.

Ofereço-vos uma parte do 1º andamento deste concerto, que desde que ouvi pela primeira vez como música de fundo duma série da BBC - Paradise Postponed ( Paraíso adiado) nos anos 80, se tornou uma das minhas peças musicais de culto. Oiçam bem o som do violoncelo e a virtuosidade da intérprete.