terça-feira, 28 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Back to painting

Ontem, Domingo, tive cá os meus dois homenzinhos, de 5 e 7 anos. Era expressamente proibido ver TV durante uma hora e meia. As actividades que se perspectivavam não eram muitas: ler, recortar e colar ( já houve tempo em que adoravam fazer isto), jogar jogos, pintar....optaram pela última e, entusiasmados, escolheram as telas que queriam das que havia aqui em casa. Estiveram entretidos durante uma hora, cada um com um avental e T-shirt velha, pinceis e bisnagas de cores diferentes.
Os quadros ficaram bonitos, um abstracto , o outro mais concreto, mas foram ainda húmidos para casa...para mostrar a obra feita aos pais e provar que não tinha havido TV, a não ser no resto do tempo que sobrou.
Para uma criança não tem TV em casa, esta exerce uma atracção fatal em casa dos Avós e é muito mais difícil para nós contermos esse ímpeto . Desta vez e já na véspera, consegui demovê-los do Panda Biggs, que é agora a coqueluche dos miudos, com os seus personagens esquisitos.
Todos passámos pelo mesmo. O fruto proibido é o mais apetecido....

Hoje fui eu que resolvi não ver noticiários, embora esteja interessada em saber a composição do governo. No Mezzo estavam a dar jazz e não me apetecia ouvir. Fui para a cozinha com a uma ideia e acabei por me sentar a pintar sobre uma tela que já tinha sido pintada anteriormene. Saiu isto.



Tenho o quadro aqui na estante em frente. Parece quase uma aguarela, mas é acrílico com bastante água.
Cada vez que olho para ele, à medida que seca, fica diferente.

Evado-me pelos campos e campinas dum país lá longe que nem sei qual é.Gosto do céu, dos montes, do espaço infinito...respiro nele e ganho alma.

domingo, 26 de junho de 2011

7 da manhã


Acordei muito cedo e não me apeteceu ficar na cama, doem-me s costas, o que é uma constante, hoje em dia. Só espero não ter nenhuma doença grave que provoque este tipo de dor, atribuo-a sempre a artrose, má posição, almofada pouco recomendável ou velhice. Infelizmente lembro-me sempre duma amiga que faleceu aos 50 anos com um cancro dos pulmões e que apenas se queixava de dores nas costas meses antes de tudo acontecer. Segundo a minha médica o cancro é uma doença terrível porque não dá sinais assustadores, a não ser quando já está muito adiantado.
Bom,mas falemos de coisas mais alegres.

Silêncio total aqui na rua, não se ouvem sequer os autocarros, que constumam descer o Campo Alegre a uma velocidade grande. Rua vazia. Domingo de manhã. Há menos gaivotas agora, já não piam....será que encontram comida na Foz, finalmente? noutros lados? As árvores estão mudas e quedas como cadáveres, nem uma folhinha se move. Verde claro, muito verde escuro, tons um pouco iguais no Verão...céu azul claro, alguma neblina vinda do rio.

Gosto muito das manhãs, do cheiro das plantas que aqui abundam, desde o alecrim à alfazema, rosas,lantana e madressilva há-as todas por aqui.Graças a Deus.

Fica aqui uma canção das mais poéticas que conheço em louvor da natureza. Um bom domingo para todos:

sábado, 25 de junho de 2011

Tarde plena


Passei toda a tarde com os meus netos mas velhos...foi um teste a que me submeti porque é raro fazê-lo, estou com eles partes do dia, horas depois das aulas, mas quase nunca um dia inteiro.
Ri-me imenso, afligi-me, ralhei-lhes, corri, enterneci-me, ajudei a subir a árvores, joguei as escondidas, recordei cenas com eles, colei cromos na caderneta, ouvi-os falar do que não sei - sobre os Invisimals, por exº - passeámos, almoçámos e lanchámos juntos.
Esta zona onde vivo é excelente para sair com miudos, é aberta, com passeios grandes e muitas flores. Ensinei-lhes os nomes de algumas, mas é mais difícil para eles aprenderem palavras como agapanto ou buganvília do que Transformer ou Gormitti!:). É tudo uma questão de motivação!
Fomos ao Pingo Doce, onde eles nada me pediram, estão bem educados.Ajudaram-me com os sacos, o que não é pouco.
Depois de colarmos muitos cromos, saímos de novo para o botânico, onde eles já conhecem todos os cantos à casa, parece que sempre viveram ali! Como sempre, tirei fotos ao lago de nenúfares e à casa, conseguindo sempre encontrar novos motivos de interesse. Poucos lugares exercem tanto fascínio em mim como este jardim...nunca pensei que pudesse vir a ter um local destes à minha porta. Sou mesmo privilegiada.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

S. João - O concerto



Hoje fiz o que quis....levantei-me tarde.

Vi no cartaz do lazer o que havia para gozar no S. João e a minha escolha recaíu no Concerto duma Banda no Palácio de Cristal. Tencionava ir sozinha, mas afinal toda a família me acompanhou o que me sensibilizou bastante. Ter os netos e os filhos comigo é sempre melhor que estar sozinha, mesmo que eles me inquietem por vezes com as suas pequenas birritas, nada de especial. Gosto deles, sempre, incondicionalmente.
Quando chegámos ao Palácio era um arraial de gente, " muito povo" como diria uma tia do meu marido que era tipicamente portuense. Lembrou-me os parques ingleses onde todos se sentam ou deitam no chão, como se estivessem na praia.Só que aqui, muitos prefrem cadeirinhas de armar. Perdem a oportunidade de olhar o céu enquanto escutam música, o que é uma experiência fantástica, como expliquei ao meu neto mais velho. A banda já tocava o Capricho Italiano de Tchaikoswky, muito solene e majestoso. Os miudos cansaram-se depressa, mas foram para o parque de diversões, apinhado de crianças. O sol queimava, felimente havia sombra em muitos cantinhos do parque. Lembrei-me da minha filha, que tanto ama aquele local.

É claro que não resisti as fotografias, algumas da família, que estão lindas , mas não ponho aqui propositadamente, mas também de pessoas anónimas que por ali descansavam.Aprendi com o Woophy que os pormenores as vezes são mais curiosos que o simples trivial dum parque. Cada vez gosto mais de procurar esses pormenores.

A banda continuava a tocar, mas o reportório era demasiado erudito na minha opinião, seria mais interessante ouvir peças conhecidas do grande público, como os musicais, as marchas ou música portuguesa popular.

Viémos embora quando os miudos se cansaram e passámos pelo Fluvial onde vendiam farturas, iguaria que não dispenso no S. João. Trouxe seis para casa...e lá se vai a dieta por uma vez. Hoje nem pão tenho em casa, bem preciso de algo de doce, como a madama dos ferrero rocher. O Ambrósio dispenso.:)

Midsummer Night's Dream



Sonho de uma noite de verão....peça de Shakespeare e música de Mendelsohn que associamos ao solestício de verão, e também à noite mais quente do ano como a do S. João no Porto.
Nem sempre está quente, hoje estava fresquinha, mas foi um dos S. Joões mais bonitos a que assisti.
Nesta zona do Campo Alegre, há uma área só de vivendas, onde vivem famílias de classe alta. Muitas delas são já da minha geração ou mesmo da dos meus Pais. Pessoas com posses, cujos filhos vão para colégios desta zona, o Colégio Alemão, o Luso-Francês, o do Rosário ou Sra de Lurdes, todos eles bem posicionados no ranking de escolas do Porto. Gente que normalmente pensamos serem snobs e arrogantes. Os meus filhos andaram no Colégio Alemão de modo que conheci muitas famílias destas em eventos vários durante anos, embora não vivesse aqui.
Hoje tive uma agradável surpresa. Os meus filhos sugeriram que fosse com eles a uma festa do bairro e eu disse que sim, sem saber bem para o que ia. Não me apetecia nada estar em casa sozinha esta noite, os meus netos também iam, devia ser divertido. E foi mesmo, as pessoas das várias casas, abriram as suas portas para a rua - uma rua pedonal onde se pode estar à vontade - e colocaram umas vinte mesas e muitas cadeiras com toalhas coloridas, balões, churrasco, aperitivos, bebidas etc. Um encanto para quem nunca viveu o verdadeiro espírito sanjoanino por diversas razões. Senti-me bem no meio de pessoas da minha idade, outras mais novas , uma colega que não via há muito e as suas filhas, uma jovem que foi minha aluna e que sorriu e recordou as minhas aulas, uns amigos do meu filho, a minha nora sempre bonita, dedicada e simples, os meus netos nas suas sete quintas, o pequenino entusiasmado com os balões e a festa. ..
Lançaram-se vários balões para gáudio da pequenada....comeu-se muito bem, bebeu-se ainda melhor :) e
conversou-se...numa festa onde metade das pessoas não se conheciam. É este o milagre do S. João no Porto, a festa mais bonita e a mais popular do ano.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A magia das redes sociais



Tenho andado a brincar no Facebook.É um prazer verdadeiro, genuino, espontâneo e imediato.
Todos os dias sei algo dos meus filhos que não moram aqui, comunico com eles, sei que músicas ouvem, o que fazem, o que os alegra...nem preciso de os ouvir.

Comunico, em segundos, com sobrinhos que não vejo desde o Natal, sei que hoje um dos casais faz 10 anos de casados, um outro, que adora gelados Santini vai dando conta dos novos sabores, sei que acabam de ter um bébé minutos depois de a criança ter nascido, os que receberam prémios ou reabilitaram uma casa em Coimbra...

Falo com amigos que são sensíveis à música como eu...encontro os fotografos do Woophy todos os dias numa página fechada do FB dedicada a fotografia, que contém diálogos verdadeiramente únicos entre nós a toda a hora, sinto-me acompanhada por jovens e velhos, da China à Austrália...ou mesmo daqui do Porto.
Noutra página fechada, chamada New Colour Photo, todos os dias as cores mudam e as fotos têm de obedecer à cor determinada. Hoje é o amarelo. Vemos uma panóplia de fotos que são publicadas em album para deleite dos nossos olhos. Há muita gente a fotografar.

Ainda não descobri nenhuma página dedicada à pintura , mas há-a com certeza.

Entretanto oiço no Mezzo, um músico a dizer esta frase:"O meu pai infectou-nos a todos com a doença da música"...frase expressiva sobre o que se passou comigo, em criança, e por sua vez com os meus filhos e netos por tabela. O meu ex- não gostava de música, durante anos não a ouvia ou mesmo repelia-a, o que me afastou dele mais do que possam pensar. Não concebo a vida sem ela -neste momento oiço a Sinfonia nº 35 de Mozart tocada por uma orquestra de instrumentos antigos....harmonia e precisão...mozartianas. E agora, uns minutos mais tarde toca o famoso András Schiff o maravilhoso concerto K466, que tanto me fez chorar quando vi o Amadeus, o filme mais triste e genial de que me lembro.

Véspera de S. João, anda não sei o que vou fazer. Talvez sair com os meus filhos e netos mais velhos,aqui no bairro, talvez fique em casa a ver TV...tout est possible...para já, não me sinto nada só.

BOM S. JOAO a todos!!

Com Mozart....

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Voltei a pintar



Hoje voltei a pintar...já não o fazia há mais de um mês, não me tem apetecido...e não andava inspirada. Sentia a falta de trabalho manual e até pensei em passar roupa a ferro, tenho algumas peças que necessitam desesperadamente de carinho, mas o cesto não exerceu nenhum apelo em mim e decidi pegar numa tela pequena, quadrada, com apenas 20cm. Usei 5 cores diferentes e tentei que a paisagem sugerisse a calheta, a estrada onde vivo na praia da Luz e donde se avista o mar profundo, azul, verde, com rochas incrustradas, como se pode ver no curto video que fiz lá.

Este quadro vai ser oferecido ao meu irmão mais novo,ele aprecia o local e a pintura.
Fica aqui uma foto do quadro...e o video.

Mensagem de esperança

Recebi hoje do meu irmão um mail sobre a 3ª idade nos EUA.

Terminava assim:

Life is short!

Break the rules!

Forgive quickly!

Love truly, Laugh uncontrollably.

And never regret

Anything that made you smile.

The best things in life are free until the government finds out and taxes em'.



A vida é curta!
Quebre regras!
Perdoe rapidamente!
Ame a sério, ria desalmadamente.
E nunca se arrependa
de algo que a/o fez sorrir.
As coisas melhores da vida são grátis até que o Estado as descubra e o/a obrigue a pagar impostos.


Um bom dia para todos!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cidade mater

Fui hoje à minha terra....

Estava menos bonita que o habitual, muito seca e ensolarada, passei por zonas bem feias e que me fazem lembrar aqueles filmes neo-realistas portugueses, Zona J, por exemplo. Tenho pena de nunca ver a parte mais bonita da cidade. Mesmo o parque expo está menos resplandecente, tudo parece sequioso. A estação do Oriente continua a atrair e a repelir-me. Betão e mais betão....por baixo duma abóbada monumental e esplendida. Uma feira do livro apetitosa, apetecia-me sentar ali e folhear aqueles livros todos.
À vinda - o comboio atrasou-se uma hora pelo caminho -ouvi música lindíssima dum compositor português, que há muito amo: Rodrigo Leão. Costumava compor e tocar com os Madredeus, mas a sua música era por vezes ofuscada pela voz (que eu não apreciava muito) de Teresa Salgueiro. Quando começou a sua carreira a solo, gravou CDs de música instrumental excelente. É uma música diferente do faduncho ou canção pimba portuguesa, talvez um pouco repetitiva às vezes ou minimalista - faz lembrar os Wim Mertens, os Yann Tiersen, os Glass, embora esses colossos sejam mundialmente conhecidos e Rodrigo Leão não tanto.

Eis o que encontrei na Wikipedia sobre o compositor:

A solo começa a explorar a combinação das suas composições clássicas-modernas com formas de canção e instrumentação mais tradicional, com a presença de Lula Pena ou Adriana Calcanhotto, no CD Alma Mater e correspondente digressão. Entre os seus convidados constam-se ainda Sónia Tavares e Nuno Gonçalves dos The Gift, e Rui Reininho dos GNR, que participou na gravação do seu álbum ao vivo intitulado Pasión. Quer o disco Alma Mater quer o próprio músico receberam dois importantes títulos de reconhecimento público, o de Disco do Ano (Pémios DN+) e o de Artista do Ano (Prémios Blitz).

Em 2004 editou Cinema, considerado pelo editor da revista americana Billboard um dos melhores discos editados nesse ano. Neste trabalho participaram Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto, entre outros.

Em 2006 lança um olhar retrospectivo sobre a sua carreira com O Mundo [1993-2006], acrescentando seis canções inéditas.

Em 2007 compõe a banda sonora original da série documental Portugal, Um Retrato Social, dirigida por António Barreto para a RTP. Baseada nos 18 temas do disco, surge a digressão nacional Os Portugueses.

Em 2008-2009 divide com Sérgio Godinho a responsabilidade da banda sonora da série de televisão Equador, que contém temas originais e temas pertencentes a trabalhos anteriores (Alma Mater, O Mundo [1993-2006], Portugal, Um Retrato Social) ou a sair nesse ano (A Mãe).



Fica aqui um exemplo desta música que me embalou durante toda a viagem de volta ao Porto. Este excerto é mais internacional do que outras, mas eu gosto muito dela.

Fiquei deslumbrada com a cor do rio Douro, às seis da tarde do dia mais longo do ano. Esta cidade é linda.