segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Farukh Ruzimatov

Hoje voltei ao Mezzo.

Neste momento estão a transmitir Fado, género que não é dos meus favoritos, mas que gosto de ouvir, por vezes, quando se adequa ao meu mood, o sentir no momento.É um concerto no estrangeiro e a audiência está a gostar, ainda que os aplausos não sejam entusiásticos...canção em tom menor...para pessoas tristes...

Antes deste programa vi outro excepcional: um filme sobre a Companhia de Bailado Mikhailovsky e o seu Director Artístico Farukh Ruzimatov, um bailarino que me pareceu completamente acima de tudo o que tenho visto ultimamente. Um espírito a dançar...música de Mahler, Bizet,Purcell, etc., com entrevistas pelo meio, sempre interessantes, sobreposições de imagens de bailado e orquestra, com efeitos mágicos. Espectacular...ultimamente tenho vindo a apreciar a dança cada vez mais, desde que vi o filme Pina, que me despertou para essa arte.

Encontrei alguma informação sobre o bailarino russo Ruzimatov em Inglês:

Born in Tashkent on June 26, 1963, he graduated from the Vaganova Academy of Russian Ballet (Gennady Selyutsky’s class). In 1981, Ruzimatov joined the Mariinsky (Kirov) Theatre (in 1986 became a soloist). In 1990-1991, Ruzimatov performed as Principal Guest Artist with American Ballet Theatre. His professional awards include the Russia’s highest theatre award Golden Mask and the St Petersburg’s highest theatre award Golden Soffit, in 2000 he was awarded the title of the Honoured Artist of the Russian Federation.

In 2007-2009, Farukh Ruzimatov was of Artistic Director of the Mikhailovsky Ballet Company. Under his directorship there premiered seven new ballet productions: Giselle, Cipollino, Spartacus, Romeo and Juliet, The Moor’s Pavane, Le Corsiare, and Swan Lake. At his invitation some of Europe’s leading ballet teachers have taught master classes at the Mikhailovsky Theatre. In 2009, he took the post of the Artistic Advisor to the Mikhailovsky Ballet.


Um corpo elástico, coreografias sensuais, beleza artística,ritmo tudo se encontra aqui.

Nostalgia



.Já chegámos..mas ainda estou lá...abro a janela do meu quarto e só consigo ver azul infinito, ouvir vozes de crianças, pássaros cantadeiros...nada mais. O mar ficou, assim como as rochas amareladas, onde já pousámos os pés com ou sem sandálias, centenas de vezes. Ficaram as pocinhas cheias de mistério, onde se escondem milhares de seres , ondulam milhares de algas fininhas e multicolores, se cravam mexilhões e lapas empedernidas, como a que defender o seu território. Ficou o horizonte sem fim, que é o que mais falta me faz aqui, onde as árvores altas me escondem o céu e o mar.

Estou triste...o meu neto voltou a casa, um longo abraço uniu a Mãe ao filho mais velho, que já há 15 dias privava comigo todos os dias, brincava, ria, nadava, comia, andava, pintava, ouvia, perguntava ( sem fim) mil e umas coisas sobre a nossa casa e tudo o que o rodeava. Lia o seu Harry Potter e quase o acabou...

Só me disse : adorei, quando lhe perguntei se tinha gostado. Eu também. Adorei estar com ele e com o irmão por uns dias, adorei mostrar-lhes aquilo de que gosto, aquilo que sou, afinal, revelar-lhes um pouco mais do que os antecedeu, donde vêm e o que devem estimar e preservar.

A Praia da Luz é um local banal...se a olharmos como mais uma praia em Portugal. Mas tem um cunho muito especial independentemente de ser nossa a casa há precisamente 45 anos - faz no dia 6 de Agosto que atravessámos a ponte Salazar pela primeira vez e fomos pela estrada velha em direcção a Lagos.
É uma praia internacional, onde se tem a sensação de estar no estrangeiro...de tal modo é a presença de famílias inteiras que para lá vão, aí passam férias relaxadas, encontram-se, jogam à bola, passeiam na praia, enchem cafés e restaurantes. Também é o local escolhido por muitos para terminar as suas vidas, já que, aposentados, nada os prende à sua terra natal e o clima ºe excelente para velhos. Muitos eventos da vila estão relacionados com as vivencias destes britânicos, que até editam um jornal.

Não há quase portugueses em Julho. Este mês virão muitos mais, sobretudo para o Parque de Campismo Valverde que fica a 3km da praia se é que ainda existe, nem reparei. Desta vez fiquei-me mesmo pelo lado ocidental da vila e não saí, a não ser ontem.


Só para o ano voltarei....embora a casa no inverno tb seja agradável, com a lareira acesa...acredito que o espírito dos meus Pais paira por lá, vejo-os constantemente a sorrir.

domingo, 31 de julho de 2011

Manhã de despedida....

Manhã, tão bonita manhã...é assim que começa uma das canções mais tristes que conheço: Manhã de Carnaval.

Antes de ir à praia, fui tirar umas fotos à casa do meu amigo Paulo, as palmeiras dele estão viçosas, bem mais bonitas do que a nossa, que morreu definitivamente. Já lhas mandei para o sossegar.

Hoje o meu neto acordou com vontade de experimentar uma coisa, que lhe disse ser tradicional aqui. Todos os anos como um pequeno almoço à inglesa no bar Lazuli, geralmente no dia em que parto. Lá fomos, eu e ele todo contente com a ideia de ser inglesinho por uns minutos. Não gostou do feijão a saber a tomate e depois achou que o bacon sabia ao feijão....de modo que só comeu os ovos e as torradas e pouco mais. Eu comi o resto, pois já sabia o que a casa gastava....:)))

Viémos a conversar sobre a vida na praia da Luz nos meus tempos, mostrei-lhe a "piscina", local junto às rochas donde se davam saltos mirabolantes para o mar, numa espécie de baiazinha sem rochas. Na fortaleza, um par de velhinhos contemplava o mar, mas depois de ver o meu neto a gritar para a tia que estava na prainha, afastou-se...

A prainha estava linda como sempre, água transparente, e convidativa, apetece mesmo ir despedir-me, mas estou a fazer a digestão do que comi ao pequeno almoço:))). Não perde pela demora. Já ontem arrumei tudo, hoje é só gozar os últimos momentos de lazer antes de partir de boleia para Faro e daí para o Porto em 50m. Bendita Ryanair!

sábado, 30 de julho de 2011

Epílogo



Chegámos ao fim das férias...penso que escrevi umas linhas aqui todos os dias, abstraí-me dos verdadeiros propósitos deste blogue e embarquei numa de diário de adolescente com necessidade de expressar os meus sentimentos, as reflexões que este lugar me suscita, as memórias cravadas nas pedras que nos rodeiam, o eterno retorno ao mar tão amplo e azul que até fere o olhar...

Hoje foi mais um dia... triste porque sei que só para o ano voltarei. Nadei durante horas com o meu neto e agora sofro as consequências...dores nas costas e no corpo todo. Saudades antecipadas deste menino e do seu olhar límpido, as suas longas pestanas,o seu ar grave, as suas gargalhadas, o seu "Vóvó" único. Estar com ele foi a melhor coisa deste verão.

Também fiz hoje as lides da casa, o "lavar dos cestos", que custa bastante, mesmo a olhar para o mar.

À noite fomos matar saudades do Bar Havana, com as suas waffles, English breakfasts, música ao vivo e até jogos de futebol...ambiente único nesta praia quase britânica.

As gaivotas reuniam-se à beira-mar , como que a comemorar uma qualquer festividade...ou a despedir-se do meu verão.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

E depois do sueste veio o oeste....e por fim a nortada

Pois foi.

O sueste assustou-se e não durou mais que um dia...com pena minha, que me estava a habituar às noites sem vento, ar cálido, cheiro a mar e barulho das ondas. Hoje parece que nada aconteceu.
De manhã estava sombrio, ameaçava chuva, o céu cinzento de chumbo e aquele je ne sais quoi de fim de férias, nostalgia, a pedir cházinho com scones...
Fui almoçar à praia com o meu neto e filha. Estava-se bem...depois fomos a pé pela praia, mesmo na orla do mar em direcção à Rocha Negra, até onde se podia andar em seco. Estava maré cheia, é impossível passar pelas pedras por baixo das falésias...alem de se poder lá ficar retido até a maré baixar. Mais uma vez me curvei perante a maravilha geológica que está ali escondida e que muitas pessoas desconhecem...

Também observei os turistas que iam nos sofás amarrados aos barcos para mais uma corridinha com ais e uis e splashs divertidos, crianças loiras a andar de baloiço, figurinhas de filme inglês de outros tempos. O meu neto apanhou mais umas conchinhas e pedras para a sua colecção e ansiava por tomar banho, mas não o deixei , dado que tinha acabado de almoçar.
À tarde, o banho estava maravilhoso,já não havia grandes ondas, mas o meu neto andou maluco a fazer carrerinhas com a sua prancha durante uma hora.É inesgotável a energia duma criança, a alegria de conseguir o que é mais difícil, o divertimento de conquistar o mar e o prazer de estar ali comigo (a assistir em flashback à minha própria infância em Carcavelos, usando pneus como boias e deixando-me levar pelas ondas).


As férias estão quase a acabar...hoje resolvi pintar a prainha...

vista por mim...em guache.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

E lá veio o sueste...como eu previa:)



O sueste é a fúria do mar aqui no sul...
O vento vira subitamente de norte para sul ou sueste...ontem já se supeitava pelo cheiro da maresia pouco habitual nestas paragens...e as ondas aparecem do nada com um estrepitar sonoro nas rochas. Há um ambiente diferente no ar, vento quente do norte de áfrica, ondas grandes, furibundas. Dura tres dias e depois vai embora com a chegada triunfal da nortada fresca, que já é benvinda.
Gosto muito dos suestes aqui para variar do mar flat, transparente e límpido como o de ontem. Os banhos são fantásticos, com os fura- ondas deliciados, as pranchas a rolarem até à areia, os gritinhos histéricos dos miudos ou das ladies, as gargalhadas dos "putos", entusiasmados com as aventuras maritimas.Hoje estavam dois parzinhos ingleses em roupa interior, com certeza desceram aqui e resolveram tomar banho sem fatos de banho apropriados....elas estavam mesmo com fio dental e soutien às cavalitas dos mancebos em boxers.:))). Tudo se vê aqui!

De manhã dedicámo-nos à pintura de que resultaram tres quadrinhos em guache - faute de mieux -. Aqui vão eles com a assinatura dos artistas.

Tempo de estio


Finalmente chegou o calor a sério...as rochas escaldam, a água está morna, o ar é quente e quase abafante. Nada como estar na água nestes dias assim. É repousante, é lindo, é libertador.
Uma vez perguntei a uma amiga que já faleceu em que estilo gostava mais de nadar - ela nadava bem - e respondeu-me candidamente: Boiar. Como a compreendo. Olhar o céu, flutuando no cimo da água, deixar-se levar pela corrente ou pelas ondinhas, é um prazer enorme.
A prainha está cheia de miudos loiros, tipo nórdico e hoje estive a observá-los. Falam baixo, brincam com muito juizo, sem discussões, nem choros. Constroem coisa giras, castelos, carros, fossos por onde entra a água. Divertem-se no melhor sítio do mundo para o fazer.
A praia é um espaço imenso, o único lugar do mundo onde se pode fazer tudo o que se quer, desde que não se moleste outros. Ninguém se preocupa ao ver-me de óculos e tubo a ver os peixes nas rochas, a minha filha e o sobrinho a jogarem ping-pong na água, usando duas pranchas coladas, a minha vizinha com 71 anos a dar braçadas - 150 - freneticamente ao fim da tarde, todos sorriem ao ver um pai desvelado a dar banho à sua filhinha de meses, com touquinha e braçadeiras...há parzinhos que se sentam as cavalitas e mergulham, miudos com seringas gigantes a metralhar os outros com água, um homem com um lenço enrolado na cabeça, sentado numa cadeira, quase fauteil, a mandar vir com o filho por causa duns calções comprados no Corte Inglês, uma senhora a falar ao telemóvel ininterruptamente como se estivesse no escritório e eu a observar tudo isto deliciada...é melhor que um filme, é a vida real e é bom enquanto durar...

Ontem passei pela Igreja da Luz, tão falada na altura em que desapareceu a Maddie. Estava aberta, iluminada, pareceu-me um local místico...há coisas muito bonitas em Portugal.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Poças de vida



Hoje gozei uma das mais belas manhas da temporada. O sol ferve, a água está a 22º, tudo está bem, as pessoas felizes, crianças por todo o lado, pais contentes e à volta um mundo vivo que nos rodeia, que dura há séculos, que já assistiu a milhoes de veraneantes passeando por estas rochas, já ouviu mihares de conversas, namoros, flirts de verão, escapadelas à noite, banhos das 24h, sorrisos de adolescentes, brigas de jovens competitivos, avós enlevados, pescadores de água doce, tarzans a atirarem-se em mergulho, concursos de natação, jangadas feitas por nós, sestas as 4 da tarde ...etc.etc.etc.
Hoje vi muitos peixes, bem grandes, na ponta que liga a prainha com a praia grande. Levei os óculos e deleitei-me a olhar para o fundo do mar, onde a fauna e flora são inimagináveis. Quem me dera ter uma máquina daquelas que podem ir para dentro de água, uma amiga minha do Woophy tem uma e é mergulhadora de modo que as suas fotos são todas originais.

Como não podia dedicar-me a fotografia sub-aquática, resolvi explorar o que está fora desse mundo, ainda que lhe pertença. Poças e pocinhas, rochas e rochinhas, mexilhões quase dispostos em prato numa pequena enseada, plantas que ondulam com a água a entrar suavemente, sal a brilhar ao sol, pedra perene que um dia será areia...daqui a milhares e milhares de anos.

É linda a Natureza, o meu neto apanhou muitas conchinhas e anda encantado com elas, lavou-as todas e dispo-las na sua prancha a secar para depois levar para casa e talvez colar.


Gosto do mar...não conseguia viver sem ele...este cheiro, este gosto, esta salinidade faz-me falta todo o ano...felizmente há a Foz...

Férias IV


Ter um neto connosco, sozinho, sem os irmãos nem os Pais, mesmo , mesmo só para nós, é uma benção.
A ternura, a paciência, o enternecimento e a minha curiosidade perante as suas perguntas, sugestões ou conselhos vêm à tona, quando já os julgávamos perdidos...
Ontem e hoje tenho andado quase sempre com ele, quer seja na praia, em casa, nos passeios a noite, nas idas ao supermercado, às refeições...e descubro nesta criança uma inteligência, alegria e inocência comoventes, a par do sentido de responsabilidade de neto mais velho, preocupado com o bem estar da sua Vóvó ( como ele me trata), sincero, sem ser demasiado paternalista.
Ainda bem que ele ficou cá comigo, há muito que queria testar a sua capacidade de estar longe dos Pais e irmãos por uns dias e também a minha convivência com ele, os seus interesses, as suas conversas, etc.
Hoje fomos comprar guaches e logo vamos fazer umas pinturas. Para já, ele foi para a praia coma tia, pois está um dia radioso e eu tenho de fazer uma sopa, lavar o terraço, varre-lo e pôr a casa OK.
Também me faz mal estar demasiado tempo ao sol e esta prainha não tem sombras, é mesmo uma baía com rochas por todos os lados, mas sem qualquer espaço à sombra. Há quem leve chapéus de sol...o que não seria difícil...mas sou preguiçosa, prefiro só levar o indispensável: creme, tm, pente e lenços.Até comecei a usar havaianas para serem mais leves e fáceis de manusear.
Ainda me surpreendo com o encanto desta casa...a sua localização, a paz que aqui se respira...vejo pessoas conhecidas, fazemos sorrisos, conversamos esporadicamente à beira-mar ou na fila dos gelados(!), mas é mesmo conversa de verão, sem profundidade.
É uma vida feliz....como diz Esteves Cardoso, quando os nossos problemas maiores são entre escolher uma t-shirt azul ou verde mar para vestir....

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ausência dos media

É o que tem sido mais benéfico nestas duas semanas....nada saber do que se passa, a não ser por terceiros, ir aproveitando ao máximo o silêncio da TV, reaprender a viver sem os políticos, os politólogos, os que tem a mania de que sabem dissertar sobre o estado calamitoso da nação e do mundo, ignorá-los por completo durante dias e dias tem sido um bálsamo...embora só ontem e hoje tenha estado mesmo afastada de qualquer meio de comunicação ( excepto o tm, muito útil para se saber que os filhos chegaram bem).
Mas o massacre de Oslo acabou por me chegar aos ouvidos dois dias depois...Oslo, onde namorei o meu futuro marido em 1965, uma terra que parecia o paraíso, cheio de fjordes, de ilhas, de lagos, neve, montanhas e gente civilizada...pergunto-me o que levou aquele jovem a matar outros jovens....ainda se se vingasse na geração anterior, ainda compreendia (?).
A xenofobia leva a situações desesperadas e é nesses países civilizados que nunca conheceram colónias, nem sequer conseguiram civilizar no tempo dos vikings, pois no fundo eram bárbaros e violentos por natureza, que o ódio ao estrangeiro mais se faz sentir. Não acontece em Inglaterra por exemplo, onde praticamente para cada inglês, há cinco estrangeiros ou imigrantes.
Entretanto aqui goza-se a Vida enquanto se pode, rodeados de estrangeiros alegres, cientes de que dum momento para o outro as coisas mudam e há sobressaltos.
Já os tive e as férias eram muitas vezes seguidas de drama...daí nunca contar como seguro aquilo que tenho.
Ontem o meu neto encontrou um grupo de miudos a jogar futebol à noitinha na praia, onde andámos a passear e jogou futebol com eles, todos pequenitos e muito engraçados, gente diversa, ingleses, portugueses, alemães, felizes por poderem dar com o pé na bola...é assim que se deve viver.