Já falei aqui da Escola Pauta, academia de música que aplica o método Suzuki para a aprendizagem do violino, viola clássica ou violoncelo, desde a mais tenra idade.
Os meus netos tocam violino e violoncelo ( o instrumento é quase maior que o artista que tem apenas cinco anos).
Hoje houve uma audição a solo de dezanove alunos no auditório do ISEP.
Cada um tocou uma peça, do mais elementar ao mais complexo, como um concerto de Vivaldi, tocado com virtuosidade por uma menina ainda. Os meus netos tocaram " O Balão do João" ( de autor desconhecido?!) e a "Gavotte"in D de Bach.
A simplicidade com que decorreu o evento, finalizado com uma ceiazinha confeccionada pelos pais das crianças, foi a nota principal.
As crianças que, no palco apresentam uma postura impecável, vestidos de igual, rapazes e meninas, respectivamente, cá fora, revelam-se como são na realidade, brincalhões, comilões ou hiperactivos. Tudo com ordem e bom ambiente, sem gritos, nem choros mas com imensa naturalidade, sem sofisticações.
Como Avó, estou muito orgulhosa dos meus netos e seus pais, pois isto representa um enorme sacrifício, disponibilidade, empenho e entusiasmo.
Vai aqui um video do Concerto da Casa da Música em Maio deste ano:
domingo, 28 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Underwater 2
Pintar o fundo do mar é um dos meus temas preferidos e dos primeiros que criei.
Hoje voltei ao tema num quadrinho mais pequeno, com impasto para dar alguma rugosidade e saliências. Adorava merguhar com óculos e barbatanas quando tinha idade para isso,
sem nunca me afastar da superfície, mas vendoo azul transparente, os ocres e brancos das rochas, os tons mais escuros das sombras....gostava que as minhas cinzas fossem um dia deitadas ao mar ou ficassem lá perto, junto à palmeira da minha Avó na Luz.
Um poema ao mar, sem o qual a vida seria difícil.
Viver na Beira-Mar
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"
Hoje voltei ao tema num quadrinho mais pequeno, com impasto para dar alguma rugosidade e saliências. Adorava merguhar com óculos e barbatanas quando tinha idade para isso,
Um poema ao mar, sem o qual a vida seria difícil.
Viver na Beira-Mar
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
JORDI SAVALL
Ouvi-o só uma vez na Casa da Música, embora ele já cá tenha estado em Portugal muitas vezes.
É um génio na viola de gamba e o som deste instrumento leva-me a recordar o filme maravilhoso Tous les matins du Monde, com o enorme Gérard Dépardieu, o Cyrano que nunca esqueci.
No Mezzo vão transmitir uma série de concertos de Jordi Savall, música antiga que nos faz vibrar e sentir o sabor da Idade Média, dos bailes da corte, dos torneios e banquetes. Começam já hoje.
Um amigo meu quis que o seu casamento fosse acompanhado da música deste maravilhoso compositor e o ambiente estava mais original, tanto mais que celebrado na Pousada do Marão, com as montanhas a perder de vista.
Se puderem, vejam-este intérprete ao vivo no Mezzo, é liiiindo!
É um génio na viola de gamba e o som deste instrumento leva-me a recordar o filme maravilhoso Tous les matins du Monde, com o enorme Gérard Dépardieu, o Cyrano que nunca esqueci.
No Mezzo vão transmitir uma série de concertos de Jordi Savall, música antiga que nos faz vibrar e sentir o sabor da Idade Média, dos bailes da corte, dos torneios e banquetes. Começam já hoje.
Um amigo meu quis que o seu casamento fosse acompanhado da música deste maravilhoso compositor e o ambiente estava mais original, tanto mais que celebrado na Pousada do Marão, com as montanhas a perder de vista.
Se puderem, vejam-este intérprete ao vivo no Mezzo, é liiiindo!
Os sem abrigo
Hoje resolvi sair um pouco do âmbito da cultura para me debruçar sobre o social.
Vejo no Telejornal da hora de almoço os últimos números da adesão à greve - abaixo das expectativas, pois claro, quem é que pode perder o vencimento dum dia de trabalho, mesmo que ele seja baixo e oferecer ao Estado uma percentagem daquilo que ele lhe paga quase por favor?
Enquanto professora só fiz greve uma vez e por solidariedade pois nem sequer estava convocada para os exames desses dias. Mesmo assim tiraram-me cerca de 200 euros no vencimento ao fim do mês. E greves de professores não têm consequências nenhumas, só servem para os alunos se divertirem e andarem pelos shoppings a passear...
Outra notícia que despertou a minha atenção, foi a de que muitos sem-abrigo pernoitam na gare do Oriente,
aquele monstro de betão com espaço que daria para fazer dez casas ou mais onde abrigar estas pessoas que o azar atirou para as ruas.
Não é só cá. Lembro-me de ver sem abrigos em Londres, em NY, em Paris, com climas gélidos. Passei duas noites em gares, por viajar de noite em grupo e sei quanto custa não termos onde encostar a cabeça e esticar as pernas. E eu tinha 19 anos.
Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver os jovens a entregar refeições na estação, o modo como abraçavam os necessitados, o carinho com que os tratavam.
Ainda bem que há gente generosa. Um dos homens que ali estava, com bom aspecto físico e sapatos engraxados, explicou que é epilético e que não há patrões que o admitam. Ou seja, despedem-no mal sabem que ele sofre de epilepsia. Tive uma estagiária que sofria dessa doença e sempre deu aulas, embora, pessoalmente tenha tido muitas complicações durante a vida. As doenças mentais são a maior razão de ostracismo e de miséria. Não há qualquer protecção social para quem sofre destas doenças, nem sequer podem fazer seguros de doença. Sei-o bem.
Este país não é para velhos, nem para deficientes, nem doentes, nem sequer para jovens licenciados, casais novos com crianças, este país não é para quase ninguém....
Vejo no Telejornal da hora de almoço os últimos números da adesão à greve - abaixo das expectativas, pois claro, quem é que pode perder o vencimento dum dia de trabalho, mesmo que ele seja baixo e oferecer ao Estado uma percentagem daquilo que ele lhe paga quase por favor?
Enquanto professora só fiz greve uma vez e por solidariedade pois nem sequer estava convocada para os exames desses dias. Mesmo assim tiraram-me cerca de 200 euros no vencimento ao fim do mês. E greves de professores não têm consequências nenhumas, só servem para os alunos se divertirem e andarem pelos shoppings a passear...
Outra notícia que despertou a minha atenção, foi a de que muitos sem-abrigo pernoitam na gare do Oriente,
Não é só cá. Lembro-me de ver sem abrigos em Londres, em NY, em Paris, com climas gélidos. Passei duas noites em gares, por viajar de noite em grupo e sei quanto custa não termos onde encostar a cabeça e esticar as pernas. E eu tinha 19 anos.

Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver os jovens a entregar refeições na estação, o modo como abraçavam os necessitados, o carinho com que os tratavam.
Ainda bem que há gente generosa. Um dos homens que ali estava, com bom aspecto físico e sapatos engraxados, explicou que é epilético e que não há patrões que o admitam. Ou seja, despedem-no mal sabem que ele sofre de epilepsia. Tive uma estagiária que sofria dessa doença e sempre deu aulas, embora, pessoalmente tenha tido muitas complicações durante a vida. As doenças mentais são a maior razão de ostracismo e de miséria. Não há qualquer protecção social para quem sofre destas doenças, nem sequer podem fazer seguros de doença. Sei-o bem.Este país não é para velhos, nem para deficientes, nem doentes, nem sequer para jovens licenciados, casais novos com crianças, este país não é para quase ninguém....
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Música na TV
Ouvi dizer que hoje é o dia Mundial da TV. Não confirmei, nem estou especialmente interessada. o Dia da TV é sempre que eu quero....e posso...e mando.

Neste momento, através da TV - Mezzo - estou a regressar aos meus dez anos, ao primeiro concerto a que fui na minha vida, no Coliseu de Lisboa. Tocava violino o célebre David Oistrack e o concerto era precisamente este: Beethoven, o seu único concerto para violino, opus 67, lindíssimo, tocado agora por Anne-Sophie Mutter, a menina prendada e protégée de Karajan. Merecidamente, visti que é um portento de força e virtuosidade.
Em tempos quando dava aulas de Alemão, encontrei numa revista especial para o ensino da língua,um artigo sobre esta rapariguinha alemã, que tinha, na altura 15 anos e se deslocava todos os dias vários kms para ter aulas na Suiça. Levei a história verídica para a aula e os alunos ficaram muito interessados na menina da sua idade, tão promissora e corajosa.
Hoje vejo-a na TV com muitos mais anos, mas ainda uma figurinha linda, feições muito perfeitas e um sonho a tocar.
A Orquestra Sinfónica de Israel, conduzida por Zubin Mehta parece rezar uma prece à volta desta Madona. Os músicos até fecham os olhos durante os seus solos para melhor se empregnarem do som do violino.
Há momentos belos em cada dia....hoje parecia um dia cinzento, anónimo, ida ao supermercado, arrumar a casa, tratar da roupa, limpar o pó que teima em pegar-se aos móveis, dar um jeito à lareira, fazer o jantar... e eis que do nada, a música irradia pela minha sala e convida a uma pausa para contemplar e vibrar.
Obrigada Beethoven! Obrigada Anne Sophie! Obrigada Zubin! Obrigada MEZZO!
O jantar.....virá dentro de horas quando estiver capaz de o fazer:))

Neste momento, através da TV - Mezzo - estou a regressar aos meus dez anos, ao primeiro concerto a que fui na minha vida, no Coliseu de Lisboa. Tocava violino o célebre David Oistrack e o concerto era precisamente este: Beethoven, o seu único concerto para violino, opus 67, lindíssimo, tocado agora por Anne-Sophie Mutter, a menina prendada e protégée de Karajan. Merecidamente, visti que é um portento de força e virtuosidade.

Em tempos quando dava aulas de Alemão, encontrei numa revista especial para o ensino da língua,um artigo sobre esta rapariguinha alemã, que tinha, na altura 15 anos e se deslocava todos os dias vários kms para ter aulas na Suiça. Levei a história verídica para a aula e os alunos ficaram muito interessados na menina da sua idade, tão promissora e corajosa.
Hoje vejo-a na TV com muitos mais anos, mas ainda uma figurinha linda, feições muito perfeitas e um sonho a tocar.
A Orquestra Sinfónica de Israel, conduzida por Zubin Mehta parece rezar uma prece à volta desta Madona. Os músicos até fecham os olhos durante os seus solos para melhor se empregnarem do som do violino.
Há momentos belos em cada dia....hoje parecia um dia cinzento, anónimo, ida ao supermercado, arrumar a casa, tratar da roupa, limpar o pó que teima em pegar-se aos móveis, dar um jeito à lareira, fazer o jantar... e eis que do nada, a música irradia pela minha sala e convida a uma pausa para contemplar e vibrar.
Obrigada Beethoven! Obrigada Anne Sophie! Obrigada Zubin! Obrigada MEZZO!
O jantar.....virá dentro de horas quando estiver capaz de o fazer:))
sábado, 20 de novembro de 2010
Tarde calma de outono
Lá fora chuvisca de vez em quando, mas quando as nuvens não estão muito espessas, abrem-se clareiras luminosas de uma cor dourada-prateada magníficas. As árvores saúdam esta luz benfazeja, brilhando em todas as suas gotículas. Uma imagem que se alia ao cheiro característico da humidade entranhada na natureza, só possível nestas épocas de invernia.
O meu neto assobia melodias várias enquanto constrói uma carro em LEGO, bem complexo, com peças minúsculas,
Na cozinha, pinto e preparo um assado ao mesmo tempo. Vou-lhe fazer peixinhos da horta, a ver se ele come vagens ( diz que não gosta).
O meu quadro está um pouco gótico, mas hoje enveredei pelo roxo e lilás, cores de que que gosto muito. São invernias também.
Nos intervalos dos assobios, ponho a tocar os Improvisos de Schubert. Maria João Pires no seu melhor.
Quereria guardar estes momentos e metê-los num cofre para os abrir quando, já senil, não puder viver a 100% e os netos já forem grandes , estiverem ocupados e eu rodeada de estranhos. É uma imagem que me assusta.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Catarina Miranda aka Emmy Curl

Há dias li no blogue do meu amigo Pedro Freire de Almeida, Novo Mundo uma notícia sobre um concerto da jovem cantora portuguesa, EMMY CURL que se ia realizar aqui no Porto. A notícia vinha acompanhada dum vídeo da mesma.
Ao ouvir a canção, não pude deixar de me surpreender, não só pelo timbre de voz como pelo encanto da melodia e harmonia de todos elementos. Resolvi ir à página indicada pelo bloguista e lá tinham várias canções da compositora e vocalista de apenas 19 anos, que já é um sucesso fora dos círculos do mainstream. Porque, como diz o Pedro, esta rapariga ainda vai dar que falar, achei interessante apresentá-la aqui.
Eis um extracto dum artigo do Notícias de Vila Real:
Emmy Curl é o alter-ego de Catarina Miranda, uma jovem cantora e compositora de 19 anos nascida em Vila Real. Recentemente foi anunciada como um dos nomes que integram a edição deste ano de dois festivais de Verão, Sudoeste TMN e Delta Tejo. A juntar a isto, Emmy é uma das propostas da colectânea Novos Talentos Fnac 2010.
Começou pelo nome Emmy e agregou Curl (caracol em português) pois desde sempre desenha espirais. Aos 11 anos compôs a sua primeira canção mas cedo a sua aptidão para a música foi sobressaindo. Ainda na barriga da mãe, “já estava a ser cultivada com música”, tendo os pais como grande influência na sua inclinação artística. “Os meus pais faziam canções antes da minha existência, durante e ainda hoje”, refere Emmy que aos oito anos recebeu uma máquina de gravar voz e “era viciada em gravar tudo, inclusive as aulas da primária”. Aos 15, completou três anos de formação de guitarra clássica e iniciação ao canto lírico no Conservatório Regional de Vila Real. “Foi suficiente para mim, a partir dessa formação fui moldando esse conhecimento àquilo que já sabia e que ainda procuro”. Para Emmy Curl, “Trás-os-Montes é um antro de inspiração de todo o poeta, músico ou pintor”, sendo que a sua maior inspiração provém da Natureza e inevitavelmente das “paisagens do Douro e das Serras do Alvão e Marão”.
Apesar de transmontana orgulhosa, Emmy sabe que o que surge na capital e bem longe dos montes tem maior impacte nacional. “Tem meios mais fáceis de divulgação, as pessoas que importam estão lá, o que faz com que a troca de informação com as pessoas certas seja mais rápida”. “Viver longe do mundo citadino apenas traz-nos inspiração. O resultado final é sempre melhor quando lá (capital) chegamos e expiramos o que de mais belo trazemos do campo”, disse.

No que toca a edições, Emmy está ainda no início da sua carreira discográfica. Ainda este ano, foi escolhida por Henrique Amaro – radialista da Antena 3 – para integrar a colectânea Novos Talentos Fnac 2010, onde se apresenta com o tema “Seafire And Its Waltz”, gravado com o produtor Mário Barreiros. Esta compilação, nas lojas desde segunda-feira, já lançou nomes revelação da música nacional como Deolinda ou Rita Red Shoes e para Emmy não é mais que uma porta aberta para a expansão da sua curta carreira musical. “Já me foram abertas algumas portas e o CD só agora foi lançado, mas acredito que me levará mais longe”, revelou.
Para Outubro, está previsto o seu disco de estreia mas entretanto Emmy tem um longo Verão pela frente. Entre showcases em Fnacs um pouco por todo o país, a cantora pop vai marcar presença em dois grandes festivais de Verão. A 3 de Julho estará no Festival Delta Tejo em Lisboa e cerca de um mês mais tarde, a 6 de Agosto, no Festival Sudoeste TMN na Zambujeira do Mar, este com maior projecção do que o primeiro. “Vou ter uma banda a tocar comigo, um contrabaixo, um baterista e uma rapariga que faz percussão e back vocals”, adianta a menina da voz melodiosa. Apesar de novas nestas andanças e ainda muito pouco mediatizada, Emmy espera “uma boa recepção” por parte do público e deseja que este esteja “receptivo e com vontade de ouvir coisas novas”.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
V-A-B ART FEST

Este fim de semana vai-se realizar um evento, que penso merecer as honras duma Entrada neste blogue. Não é a cimeira da NATO da qual já sabemos mais do que o suficiente, mas uma manifestação cultural de calibre maior. Transcrevo parte da carta que recebi do meu professor Domingos Loureiro com informação detalhada do acontecimento.
Este fim de semana, a Velha-a-Branca, em Braga, vai encher-se de arte recebendo a segunda edição do V-A-B art fest. São 30 artistas e várias personalidades ligadas às artes que se vão apresentar no espaço da Velha-a-Branca, no Museu Nogueira da Silva e na Casa do Professor.
A inauguração das exposições será esta sexta-feira, pelas 21h30, havendo às 22h00 uma conferência com o Prof. António Quadros Ferreira (Dois Anos, dois Momentos: 1974 Manifesto de Vigo, 1976 Grupo Puzzle). António Quadros Ferreira é Professor Catedrático da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e artista, além de autor de várias publicações sobre arte.

Durante 3 dias a Velha-a-Branca apresentará vários eventos como exposições de artes plásticas, conferências e workshops.
Todos os eventos são gratuitos, à excepção dos Workshops (Ilustração e Desenho/Pintura) que terão um preço simbólico de 15 € (25€para os dois).

http://www.velha-a-branca.net/
A não perder!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
ANIVERSÁRIO

Os meus Pais fariam hoje 70 anos de casados.
Já cá não estão, mas para nós, a família, serão sempre os pilares desta grande prole: oito filhos, vinte e um netos, trinta bisnetos, dos 69 anos ao 1 dia de idade. Espero não me ter enganado nas contas:)
Os meus Pais viveram sempre um para o outro e para os filhos. Viveram bem, gozando todos os momentos que a vida lhes proporcionou, o meu Pai procurando tornar o país melhor no campo da Pediatria, a minha Mãe, cuidando de nós e ajudando-o , sendo ela também parte integrante do seu brilhante projecto de vida e carreira. O meu Pai faleceu faz em Dezembro trinta anos, a minha Mãe sobreviveu-lhe mais vinte e dois anos, nunca o esquecendo e orgulhando-se sempre muitissimo do seu marido, de quem falava a toda a hora aos netos e bisnetos. teriam agora 98 e 92 anos, respectivamente, o que não foi possível, infelizmente.
Fomos privilegiados, sem dúvida e por isso, aqui fica a memória deles, que, à medida que envelhecemos, se nos torna mais nítida e transparente.
Duas peças de música que cada um apreciava e que me comovem sempre que as oiço.
Ao meu Pai:
À minha Mãe:
Bem hajam, onde quer que estejam!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Quality time

Hoje foi um dia diferente.
Fui buscar o meu neto mais velho ao colégio, depois do treino de futebol, para o levar a um concerto na Escola de Música Silva Monteiro, reputadíssima academia de grandes músicos desta cidade,onde o meu neto aprende a tocar piano com um professor da Universidade de Aveiro, que mostrou interesse em dar-lhe aulas.
Quando lá chegámos, estavam muitas pessoas reunidas no átrio.
O concerto constava de seis peças, uma sonata de Beethoven - 1º andamento, tres peças de Chopin, das quais saliento o Estudo opus 10, nº4, que o rapaz, Raul Peixoto da Costa, de 16 anos, tocou magistralmente. As outras duas peças eram espectaculares, a de Lopes Graça, Música Festiva nº 14 muito original e vistosa, outra, Sugestão Diabólica Prokofiev, igualmente rebuscada e difícil. O meu neto ficou com os olhos em bico quando o viu trocar as mãos e tocar na madeira em alternância com as teclas na peça do compositor português. Todo ele vibrava.
Findo o concerto, propus-lhe irmos jantar os dois à Alicantina, um restaurante muito popular que fica na zona, o que lhe agradou imenso por poder comer um prego no prato e beber um sumo. Fica feliz com pouco, este meu neto.
À vinda para casa, perguntei-lhe: Lembras-te quando eras pequenino e a Avó te contava histórias no caminho do colégio para casa?
E comecei a contar-lhe: Era uma vez um Mocho e uma Raposa. O Mocho estava no cimo duma árvore....
ele interrompeu-me logo com jeitinho: Vóvó, não era um corvo? ". Desatei a rir com a minha lacuna...e ele acrescentou filosoficamente: É que as raposas não andam à noite pelos campos....". Uma lição do neto à Avó (já gágá). Continuei a contar a história agora com o corvo no seu lugar. As objecções continuaram: "Como é que o Corvo falava com a Raposa e o queijo não caía?". Respondi: É que ele falava com a boca cheia, como tu, a comer o gelado! Marquei um ponto, finalmente!:))Assim se acabou a tarde. O pequenito já estava com sono e ainda tinha de tomar banho antes de dormir. Suspirou: Mas porque é que eu fui jogar futebol? Devia era ter ido à piscina como o mano para não ter de tomar banho! . Eram 8 horas.
Fica aqui um Estudo de Chopin em memória destas horas preciosas.
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