quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Swan Lake- vivências infantis

Quando eu tinha dez anos, os meus Pais resolveram ir numa viagem a França, Inglaterra e Escócia (ao Festival de Edimburgo) e escolheram os meus irmãos mais velhos para os acompanharem. os cinco mais novos ficaram todos em casa com os meus Avós. Os meus Pais foram de carro e só cabiam tres filhos, era uma longa viagem. É claro que fiquei triste, durante dias chorei com saudades da minha Mãe e com um sentimento de injustiça, que nunca foi inteiramente sanado.
Passei os dias à espera que voltassem e, ao menos, trouxessem algumas coisas giras que não houvesse em Portugal - como as bics, gabardinas, livros ou pastas para o colégio.
Quando chegaram, as minhas irmãs vinham excitadíssimas. Mostraram as prendas de que já nem me lembro. Mas houve uma que me ficou na memória: dois discos -albuns em vinil do bailado : O Lago dos Cisnes - Swan Lake de Tchaikovsky - lindíssimos com fundo azul escuro e as figuras do par principal em branco. Parece que os estou a ver. As minhas irmãs tinham ido ver o ballet em Edimburgo e contaram-me a história toda, com pormenores, á medida que íamos ouvindo o disco.
Fiquei completamente "apanhada". Vi o conto na minha cabeça dezenas de vezes como se tivesse lido a história em livro ou visto o filme, não conseguia pensar noutra coisa, passei horas a ouvir e ouvir os discos, sentada no chão ao pé do móvel radio-gira discos. Não sei se chorei com a morte dos dois amantes no fim,mas aquela música arrebatava-me e fazia-me sonhar como se eu própria estivesse envolvida num conto de fadas, de bruxos e de princesas enfeitiçadas. A minha imaginação criava o resto, não havia filmes, nem vídeos, nem TV, nem suportes visuais. A minha mente encheu-se de imagens inventadas, que ainda hoje vejo. Nenhum espectáculo ao vivo do Lago dos Cisnes, que mais tarde pude ver, me impressionou tanto como aqueles momentos vividos junto ao aparelho de som.

Ainda hoje a música de Tchaikowsky me impressiona, sobretudo o leitmotiv principal dessa suite e o fim trágico dos dois príncipes, que desaparecem dentro do mar.

Ontem, recebi da minha amiga Maria do Céu uma referencia para o Youtube e resolvi colocá-lo aqui para que todos possam ver a maravilha do circo chinês, interpretando uma coreografia do Swan Lake diferente do clássico, em que o bailado é, em parte substituído por ginástica. A graciosidade dos movimentos acrobáticos é extraordinária.



Obrigada, Maria do Céu!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pedacinhos de mar

Fiz dois quadrinhos muito pequenos com 15x15 cm, mas que me trazem a praia até casa.... Aqui parecem grandes, mas são mesmo muito pequenos e delicados. Usei uma pasta que contém perolazinhas pequenas, salientes, quase como pedras de sal, o efeito é muito bonito e tridimensional. Cliquem nas fotos para poder observar melhor a técnica que usei.


Um poema encontrado na net que va ao encontro dos meus pensamentos.

Te me acercas

contándome al oído milagros

de miles de leyendas

que quedaron entre tus aguas.



Me salpicas

con espumas inundadas de misterios

de otros tiempos y distancias,

con lamentos de promesas

que perdieron sus palabras

en tus bajamares intensos...



Y yo me acerco y te salpico

sabiéndome tan pequeño,

tan desconsoladamente chico,

tan solo entre mis gentes cotidianas,

que me apabullan tus mareas,

tus olas y tus resacas.



A veces me respondes...

Pero de continuo callas y resbalas

en las arenas de mi playa

que esperan impacientes tus respuestas.






Luis El Prieto - Cadiz - 2000

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

MUSE



É o nome duma banda inglesa, que tenho ouvido e que me tem apaixonado, sobretudo algumas canções com melodias pungentes e uma voz bem inglesa a deslizar entre os vários instrumentos. È raro colocar aqui música alternativa, mas é uma das minhas paixões e oiço as novas bandas, sobretudo as anglo-saxonicas.

Vai aqui uma pequena biografia dos MUSE da Wikipedia em inglês ( desculpem não traduzir)

Muse are an English rock band from Teignmouth, Devon, formed in 1994. The band consists of Matthew Bellamy (lead vocals, guitars, piano, keyboards, keytar), Christopher Wolstenholme (bass, backing vocals, keyboards, guitars, harmonica) and Dominic Howard (drums, percussion, synthesisers, backing vocals, sampling). Muse are known for their energetic and extravagant live performances,and their fusion of many music genres, including progressive rock, alternative rock, space rock, classical music, heavy metal, and electronica, with recurring themes of revolution.

Muse have released five studio albums: Showbiz (1999), Origin of Symmetry (2001), Absolution (2003), Black Holes and Revelations (2006), and The Resistance (2009). The band have also issued three live albums, Hullabaloo Soundtrack (2002), which is also a compilation of B-sides, Absolution Tour (2005), and HAARP (2008).
Before the release of The Resistance, Muse had sold over 10 million albums worldwide.

Infelizmente não consegui o código da minha canção favorita Unintended, mas esta é a mais popular do grupo.



Entretanto, a minha afilhada Pat enviou-me o codigo da tal canção acima. É lindíssima, embora ao vivo perca um pouco da sonoridade do vocalista.

O reino da Fotografia



Fico pasmada com algumas fotografias que vejo hoje em dia nos inúmeros sites que pululam na Internet. Já citei vários aqui,mas poderia enumerar muitos mais. Agora descobri o da National Geographic dedicado à fotografia natural...a Natureza em todos os seus aspectos, dos glaciares às tundras, das praias às florestas, das savanas à Amazónia, um manancial para os olhos, que no meu laptop Apple ainda mais atraente se torna.

Henry


(Photo Credit Trey Ratcliff)

Resolvi passar para aqui algumas fotos, citando o autor e o site para que as pessoas possam verificar a grandeza captada por lentes do tamanho duma laranja...ou ainda mais pequenas. É espantosa a tecnologia cada vez mais sofisticada que está presente nas câmaras à venda. Todos os dias aparecem novos modelos, alguns caríssimos e complicadíssimos. Ainda me lembro da Leica do meu Pai que lhe permitia colocar teleobjectivas fantásticas para fazer macros ou apanhar as coisas a uma distância considerável...mas cujo rolo tinha de ser revelado mais tarde. Também eu tive máquinas boas, Olympus e Canon, mas tudo isso passou e as digitais revolucionaram o mundo da fotografia.
Kingman Reef

Nunca consegui perceber muito de técnica fotográfica...o que faço é por puro instinto; gostava de saber mais, mas penso que já não teria paciência para esperar minutos a pensar como tirar cada foto. Há umas que saem bem, outras mal, depois selecciono as que me agradam. As vezes não são as mais bonitas, mas as mais originais. Coloco-as no site do Woophy por vezes e recebo comentários interessantes.
Depois delas tiradas, as modificações possíveis são imensas, sobretudo para quem tem Photoshop, que não possuo, por ser demasiado caro e exigir muita técnica informática.

O Mundo da Fotografia


Acho

domingo, 5 de dezembro de 2010

De Goa para Lisboa...aos 14 anos



Faz hoje trinta anos que o meu Pai faleceu. Depois de um AVC em Junho, em que ficou incapacitado parcialmente, os seis meses que se seguiram foram penosos para a família, que o vira sempre tão dinâmico, esperançoso, feliz com os seus numerosos netos, que já eram 13 ao todo ( hoje são 21). Na altura já eu vivia no Porto e tinha tido o meu filho mais novo tres semanas antes. Nunca chegou a conhece-lo.



O meu Pai foi único, não digo no sentido melhor ou pior, mas pessoas como ele não existem muitas. Nasceu em Goa. Aos 14 anos, seus pais, meus Avós, enviaram-no para Lisboa, num navio a cargo do capitão, para estudar na capital do Império, que ficava a um mês de distância. Era o filho mais velho de oito irmãos, inteligente, deveria preparar-se melhor para uma carreira futura. O seu tio Padre o acolheria e ajudaria a formar-se. Depois de terminado o curso voltaria para Goa.

Aos 21 anos o meu Pai terminou o curso de Medicina e foi convidado para Assistente do Professor Castro Freire, pediatra, a título gracioso. Trabalhou então em policlínicas para se sustentar. Aos 28 casou com a minha Mãe e só voltou a Goa em visita 35 anos depois de ter chegado. A vida de médico pediatra e de professor, a família numerosa, e talvez um certo receio de regressar às origens, fizeram com que se enraizasse em Lisboa para sempre. Mas, nem o meu Pai, nem a minha Mãe, também ela filha de um goês, eram tipicamente portugueses, tinham um espírito aberto, internacional, que nos abriu horizontes muito para lá do pequeno país onde vivemos. Frequentámos um colégio inglês o que ainda aumentou mais a nossa "internacionalização".
Admiro muito o meu Pai, embora sempre lhe visse alguns defeitos, que na altura não compreendia, mas agora percebo claramente. A sua exigência, uma certa dificuldade em ceder, intransigência e reserva eram apenas uma capa, no fundo preocupava-se connosco e emocionava-se com os nossos sucessos. Ensinou-me muito a nível de apreciação da música, da arte, da natureza e dos valores familiares. Foi um exemplo como Homem, Marido e Pai.
Faleceu cedo demais. Tinha 68 anos. Poderia ter gozado mais trinta anos, reformado, com os netos e bisnetos, fazendo as suas viagens com a minha Mãe que ele adorava.
Estive cinco anos fora de tudo, na província e vi-o menos do que gostaria. Mas mesmo assim, nunca esquecerei a última vez que o vi aqui no Porto, à porta da casa da minha sogra, com a sua gabardine beige, ansioso por me ver, com duas prendinhas para os meus filhos mais velhos. Vinha para um congresso e no hotel, mostrou-me, orgulhoso, os slides que fizera para a sessão, desejei-lhe boa sorte. Nunca mais o vi assim.

Eis aqui a homenagem modesta que lhe que posso fazer aqui no meu blogue, Pai.
Como diz o seu filho mais novo, os Pais devem estar algures na Eternidade, a olhar para os vossos 21 netos e trinta bisnetos, com um sorriso de felicidade.
Até sempre!

sábado, 4 de dezembro de 2010

O mar...de novo



Ontem e hoje dediquei-me este quadro. Não é grande, mas tem algo que me surpreende. É diferente de todos os outros que já fiz,o colorido atrai-me. Será que o fundo do mar é assim? Continuo a especular criativamente.

Alguma música a acompanhar....

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tarde de feriado na Foz

Depois de passar um dia na cidade antiga, apeteceu-me ir até ao mar....como si fuera esta tarde la ultima vez:)). Sentia uma vontade entranhada de estar à beirinha das ondas. Não passei da esplanada, no entanto, pois a areia estava muito molhada e os meus sapatos enterram-se. A areia da Foz é grossa como nunca vi noutras praias, os grãos são pedrinhas pequeninas, não tão minusculas como em Matosinhos ou Leça. É uma areia linda, sobretudo quando está limpinha como hoje estava. As pessoas só apareceram a partir das 3 e eu cheguei lá pela 1.30. Era uma calmaria, não havia nuvens, só pedacinhos que de vez em quando encobriam o sol e mudavam a cor do mar resplandecente, como se pode ver nas fotos. Tudo parecia prateado.
Crianças subiam aos rochedos com ousadia e mesmo algum risco, mas os pais não ligavam, e eles faziam o que queriam.

Ouvi música durante algum tempo, fechei os olhos, não sei se dormitei, sei que me senti feliz...feliz...

Falei com a minha filha pelo telefone. Estava na biblioteca a estudar, mas disse-me baixinho que em Leeds não pára de nevar desde há uma semana. Oxalá se mantenha até eu ir....adorava voltar a ver neve em quantidade, ir até parque ou a York, que é um postal ilustrado com neve. Falar com ela deu-me paz...é doce a minha filha.

Como sempre voltei de autocarro. Só velhos....bem mais idosos do que eu...com aspecto de quem vai apanhar um pouquinho de sol, mas nem tem dinheiro para ir a uma esplanada. Sorriem, conhecem-se de muitos e muitos domingos a apanhar o 204 naquela paragem da Rua do Farol. Lembrei-me dos versos de Jacques Brel da canção "Les Vieux":Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps. Ils se tiennent la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant.

De novo em viagem a Lisboa ( com F. Pessoa como epílogo)

Muito curta....só à capital e mesmo ao coração da dita.

O meu filho vai mudar de casa e a nova morada fica na Mouraria, terra do Fado nas Escadinhas da Achada. O nome diz tudo. Nunca vi tantas escadinhas na vida. Não pude tirar fotos porque chovia, estas são do google, mas voltarei lá mais vezes.
A casa dele é um T0, num beco com vista para o Largo do Caldas. Um candeeiro típico de Lisboa em forma de lanterna ilumina-lhe a cozinha à noite, quase não é preciso acender a luz. Tudo muito típico, mas frio...:)), sem aquecimento, com um esquentador diabólico ( Já me tinha esquecido destes hábitos lisboetas, mil vezes o cilindro do Porto!!
Como ele tinha exame amanhã, vim à noite no comboio das 8. A viagem foi linda, para lá e para cá, sempre a ouvir música e sossegada. Adoro viajar de comboio, sinto-me leve, independente, só, no bom sentido. Não preciso de companhia para viajar, adorava fazer uma viagem grande sozinha...um dia.

Tirei algumas fotos no caminho.

Portugal depois da chuva é mesmo lindo...os campos competem com os que vejo em Inglaterra, que neste momento devem estar brancos de neve. A minha filha diz que tem nevado todos os dias em Leeds e ela está feliz. Do quarto dela vê-se tudo coberto. Daqui a 15 dias estarei lá. Viajar agora é comigo.

E dado que ontem se celebraram os 75 anos da morte de FERNANDO PESSOA, fica aqui um poema a Lisboa do seu heterónimo, ÁLVARO DE CAMPOS:

Lisboa

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.


Álvaro de Campos, in "Poemas"

domingo, 28 de novembro de 2010

Concerto de Natal - Pauta

Já falei aqui da Escola Pauta, academia de música que aplica o método Suzuki para a aprendizagem do violino, viola clássica ou violoncelo, desde a mais tenra idade.
Os meus netos tocam violino e violoncelo ( o instrumento é quase maior que o artista que tem apenas cinco anos).
Hoje houve uma audição a solo de dezanove alunos no auditório do ISEP.
Cada um tocou uma peça, do mais elementar ao mais complexo, como um concerto de Vivaldi, tocado com virtuosidade por uma menina ainda. Os meus netos tocaram " O Balão do João" ( de autor desconhecido?!) e a "Gavotte"in D de Bach.
A simplicidade com que decorreu o evento, finalizado com uma ceiazinha confeccionada pelos pais das crianças, foi a nota principal.
As crianças que, no palco apresentam uma postura impecável, vestidos de igual, rapazes e meninas, respectivamente, cá fora, revelam-se como são na realidade, brincalhões, comilões ou hiperactivos. Tudo com ordem e bom ambiente, sem gritos, nem choros mas com imensa naturalidade, sem sofisticações.
Como Avó, estou muito orgulhosa dos meus netos e seus pais, pois isto representa um enorme sacrifício, disponibilidade, empenho e entusiasmo.

Vai aqui um video do Concerto da Casa da Música em Maio deste ano: