segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
De Goa para Lisboa...aos 14 anos

Faz hoje trinta anos que o meu Pai faleceu. Depois de um AVC em Junho, em que ficou incapacitado parcialmente, os seis meses que se seguiram foram penosos para a família, que o vira sempre tão dinâmico, esperançoso, feliz com os seus numerosos netos, que já eram 13 ao todo ( hoje são 21). Na altura já eu vivia no Porto e tinha tido o meu filho mais novo tres semanas antes. Nunca chegou a conhece-lo.

O meu Pai foi único, não digo no sentido melhor ou pior, mas pessoas como ele não existem muitas. Nasceu em Goa. Aos 14 anos, seus pais, meus Avós, enviaram-no para Lisboa, num navio a cargo do capitão, para estudar na capital do Império, que ficava a um mês de distância. Era o filho mais velho de oito irmãos, inteligente, deveria preparar-se melhor para uma carreira futura. O seu tio Padre o acolheria e ajudaria a formar-se. Depois de terminado o curso voltaria para Goa.
Aos 21 anos o meu Pai terminou o curso de Medicina e foi convidado para Assistente do Professor Castro Freire, pediatra, a título gracioso. Trabalhou então em policlínicas para se sustentar. Aos 28 casou com a minha Mãe e só voltou a Goa em visita 35 anos depois de ter chegado.
A vida de médico pediatra e de professor, a família numerosa, e talvez um certo receio de regressar às origens, fizeram com que se enraizasse em Lisboa para sempre. Mas, nem o meu Pai, nem a minha Mãe, também ela filha de um goês, eram tipicamente portugueses, tinham um espírito aberto, internacional, que nos abriu horizontes muito para lá do pequeno país onde vivemos. Frequentámos um colégio inglês o que ainda aumentou mais a nossa "internacionalização".Admiro muito o meu Pai, embora sempre lhe visse alguns defeitos, que na altura não compreendia, mas agora percebo claramente. A sua exigência, uma certa dificuldade em ceder, intransigência e reserva eram apenas uma capa, no fundo preocupava-se connosco e emocionava-se com os nossos sucessos. Ensinou-me muito a nível de apreciação da música, da arte, da natureza e dos valores familiares. Foi um exemplo como Homem, Marido e Pai.
Faleceu cedo demais. Tinha 68 anos. Poderia ter gozado mais trinta anos, reformado, com os netos e bisnetos, fazendo as suas viagens com a minha Mãe que ele adorava.
Estive cinco anos fora de tudo, na província e vi-o menos do que gostaria. Mas mesmo assim, nunca esquecerei a última vez que o vi aqui no Porto, à porta da casa da minha sogra, com a sua gabardine beige, ansioso por me ver, com duas prendinhas para os meus filhos mais velhos. Vinha para um congresso e no hotel, mostrou-me, orgulhoso, os slides que fizera para a sessão, desejei-lhe boa sorte. Nunca mais o vi assim.
Eis aqui a homenagem modesta que lhe que posso fazer aqui no meu blogue, Pai.
Como diz o seu filho mais novo, os Pais devem estar algures na Eternidade, a olhar para os vossos 21 netos e trinta bisnetos, com um sorriso de felicidade.
Até sempre!
sábado, 4 de dezembro de 2010
O mar...de novo
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Tarde de feriado na Foz
Depois de passar um dia na cidade antiga, apeteceu-me ir até ao mar....como si fuera esta tarde la ultima vez:)). Sentia uma vontade entranhada de estar à beirinha das ondas. Não passei da esplanada, no entanto, pois a areia estava muito molhada e os meus sapatos enterram-se. A areia da Foz é grossa como nunca vi noutras praias, os grãos são pedrinhas pequeninas, não tão minusculas como em Matosinhos ou Leça. É uma areia linda, sobretudo quando está limpinha como hoje estava.
As pessoas só apareceram a partir das 3 e eu cheguei lá pela 1.30. Era uma calmaria, não havia nuvens, só pedacinhos que de vez em quando encobriam o sol e mudavam a cor do mar resplandecente, como se pode ver nas fotos. Tudo parecia prateado. 
Crianças subiam aos rochedos com ousadia e mesmo algum risco, mas os pais não ligavam, e eles faziam o que queriam.
Ouvi música durante algum tempo, fechei os olhos, não sei se dormitei, sei que me senti feliz...feliz...
Falei com a minha filha pelo telefone. Estava na biblioteca a estudar, mas disse-me baixinho que em Leeds não pára de nevar desde há uma semana. Oxalá se mantenha até eu ir....adorava voltar a ver neve em quantidade, ir até parque ou a York, que é um postal ilustrado com neve. Falar com ela deu-me paz...é doce a minha filha.
Como sempre voltei de autocarro. Só velhos....bem mais idosos do que eu...com aspecto de quem vai apanhar um pouquinho de sol, mas nem tem dinheiro para ir a uma esplanada. Sorriem, conhecem-se de muitos e muitos domingos a apanhar o 204 naquela paragem da Rua do Farol. Lembrei-me dos versos de Jacques Brel da canção "Les Vieux":Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps. Ils se tiennent la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant.
Crianças subiam aos rochedos com ousadia e mesmo algum risco, mas os pais não ligavam, e eles faziam o que queriam.
Ouvi música durante algum tempo, fechei os olhos, não sei se dormitei, sei que me senti feliz...feliz...
Falei com a minha filha pelo telefone. Estava na biblioteca a estudar, mas disse-me baixinho que em Leeds não pára de nevar desde há uma semana. Oxalá se mantenha até eu ir....adorava voltar a ver neve em quantidade, ir até parque ou a York, que é um postal ilustrado com neve. Falar com ela deu-me paz...é doce a minha filha.
Como sempre voltei de autocarro. Só velhos....bem mais idosos do que eu...com aspecto de quem vai apanhar um pouquinho de sol, mas nem tem dinheiro para ir a uma esplanada. Sorriem, conhecem-se de muitos e muitos domingos a apanhar o 204 naquela paragem da Rua do Farol. Lembrei-me dos versos de Jacques Brel da canção "Les Vieux":Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps. Ils se tiennent la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant.
De novo em viagem a Lisboa ( com F. Pessoa como epílogo)
Muito curta....só à capital e mesmo ao coração da dita.
O meu filho vai mudar de casa e a nova morada fica na Mouraria, terra do Fado nas Escadinhas da Achada. O nome diz tudo. Nunca vi tantas escadinhas na vida. Não pude tirar fotos porque chovia, estas são do google, mas voltarei lá mais vezes.
A casa dele é um T0, num beco com vista para o Largo do Caldas. Um candeeiro típico de Lisboa em forma de lanterna ilumina-lhe a cozinha à noite, quase não é preciso acender a luz. Tudo muito típico, mas frio...:)), sem aquecimento, com um esquentador diabólico ( Já me tinha esquecido destes hábitos lisboetas, mil vezes o cilindro do Porto!!

Como ele tinha exame amanhã, vim à noite no comboio das 8. A viagem foi linda, para lá e para cá,
sempre a ouvir música e sossegada. Adoro viajar de comboio, sinto-me leve, independente, só, no bom sentido. Não preciso de companhia para viajar, adorava fazer uma viagem grande sozinha...um dia.
Tirei algumas fotos no caminho.
Portugal depois da chuva é mesmo lindo...os campos competem com os que vejo em Inglaterra, que neste momento devem estar brancos de neve. A minha filha diz que tem nevado todos os dias em Leeds e ela está feliz. Do quarto dela vê-se tudo coberto. Daqui a 15 dias estarei lá. Viajar agora é comigo.
E dado que ontem se celebraram os 75 anos da morte de FERNANDO PESSOA, fica aqui um poema a Lisboa do seu heterónimo, ÁLVARO DE CAMPOS:
Lisboa
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.
Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.
Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.
Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
O meu filho vai mudar de casa e a nova morada fica na Mouraria, terra do Fado nas Escadinhas da Achada. O nome diz tudo. Nunca vi tantas escadinhas na vida. Não pude tirar fotos porque chovia, estas são do google, mas voltarei lá mais vezes.
A casa dele é um T0, num beco com vista para o Largo do Caldas. Um candeeiro típico de Lisboa em forma de lanterna ilumina-lhe a cozinha à noite, quase não é preciso acender a luz. Tudo muito típico, mas frio...:)), sem aquecimento, com um esquentador diabólico ( Já me tinha esquecido destes hábitos lisboetas, mil vezes o cilindro do Porto!!

Como ele tinha exame amanhã, vim à noite no comboio das 8. A viagem foi linda, para lá e para cá,
Tirei algumas fotos no caminho.
Portugal depois da chuva é mesmo lindo...os campos competem com os que vejo em Inglaterra, que neste momento devem estar brancos de neve. A minha filha diz que tem nevado todos os dias em Leeds e ela está feliz. Do quarto dela vê-se tudo coberto. Daqui a 15 dias estarei lá. Viajar agora é comigo.
E dado que ontem se celebraram os 75 anos da morte de FERNANDO PESSOA, fica aqui um poema a Lisboa do seu heterónimo, ÁLVARO DE CAMPOS:
Lisboa
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.
Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.
Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
domingo, 28 de novembro de 2010
Concerto de Natal - Pauta
Já falei aqui da Escola Pauta, academia de música que aplica o método Suzuki para a aprendizagem do violino, viola clássica ou violoncelo, desde a mais tenra idade.
Os meus netos tocam violino e violoncelo ( o instrumento é quase maior que o artista que tem apenas cinco anos).
Hoje houve uma audição a solo de dezanove alunos no auditório do ISEP.
Cada um tocou uma peça, do mais elementar ao mais complexo, como um concerto de Vivaldi, tocado com virtuosidade por uma menina ainda. Os meus netos tocaram " O Balão do João" ( de autor desconhecido?!) e a "Gavotte"in D de Bach.
A simplicidade com que decorreu o evento, finalizado com uma ceiazinha confeccionada pelos pais das crianças, foi a nota principal.
As crianças que, no palco apresentam uma postura impecável, vestidos de igual, rapazes e meninas, respectivamente, cá fora, revelam-se como são na realidade, brincalhões, comilões ou hiperactivos. Tudo com ordem e bom ambiente, sem gritos, nem choros mas com imensa naturalidade, sem sofisticações.
Como Avó, estou muito orgulhosa dos meus netos e seus pais, pois isto representa um enorme sacrifício, disponibilidade, empenho e entusiasmo.
Vai aqui um video do Concerto da Casa da Música em Maio deste ano:
Os meus netos tocam violino e violoncelo ( o instrumento é quase maior que o artista que tem apenas cinco anos).
Hoje houve uma audição a solo de dezanove alunos no auditório do ISEP.
Cada um tocou uma peça, do mais elementar ao mais complexo, como um concerto de Vivaldi, tocado com virtuosidade por uma menina ainda. Os meus netos tocaram " O Balão do João" ( de autor desconhecido?!) e a "Gavotte"in D de Bach.
A simplicidade com que decorreu o evento, finalizado com uma ceiazinha confeccionada pelos pais das crianças, foi a nota principal.
As crianças que, no palco apresentam uma postura impecável, vestidos de igual, rapazes e meninas, respectivamente, cá fora, revelam-se como são na realidade, brincalhões, comilões ou hiperactivos. Tudo com ordem e bom ambiente, sem gritos, nem choros mas com imensa naturalidade, sem sofisticações.
Como Avó, estou muito orgulhosa dos meus netos e seus pais, pois isto representa um enorme sacrifício, disponibilidade, empenho e entusiasmo.
Vai aqui um video do Concerto da Casa da Música em Maio deste ano:
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Underwater 2
Pintar o fundo do mar é um dos meus temas preferidos e dos primeiros que criei.
Hoje voltei ao tema num quadrinho mais pequeno, com impasto para dar alguma rugosidade e saliências. Adorava merguhar com óculos e barbatanas quando tinha idade para isso,
sem nunca me afastar da superfície, mas vendoo azul transparente, os ocres e brancos das rochas, os tons mais escuros das sombras....gostava que as minhas cinzas fossem um dia deitadas ao mar ou ficassem lá perto, junto à palmeira da minha Avó na Luz.
Um poema ao mar, sem o qual a vida seria difícil.
Viver na Beira-Mar
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"
Hoje voltei ao tema num quadrinho mais pequeno, com impasto para dar alguma rugosidade e saliências. Adorava merguhar com óculos e barbatanas quando tinha idade para isso,
Um poema ao mar, sem o qual a vida seria difícil.
Viver na Beira-Mar
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
JORDI SAVALL
Ouvi-o só uma vez na Casa da Música, embora ele já cá tenha estado em Portugal muitas vezes.
É um génio na viola de gamba e o som deste instrumento leva-me a recordar o filme maravilhoso Tous les matins du Monde, com o enorme Gérard Dépardieu, o Cyrano que nunca esqueci.
No Mezzo vão transmitir uma série de concertos de Jordi Savall, música antiga que nos faz vibrar e sentir o sabor da Idade Média, dos bailes da corte, dos torneios e banquetes. Começam já hoje.
Um amigo meu quis que o seu casamento fosse acompanhado da música deste maravilhoso compositor e o ambiente estava mais original, tanto mais que celebrado na Pousada do Marão, com as montanhas a perder de vista.
Se puderem, vejam-este intérprete ao vivo no Mezzo, é liiiindo!
É um génio na viola de gamba e o som deste instrumento leva-me a recordar o filme maravilhoso Tous les matins du Monde, com o enorme Gérard Dépardieu, o Cyrano que nunca esqueci.
No Mezzo vão transmitir uma série de concertos de Jordi Savall, música antiga que nos faz vibrar e sentir o sabor da Idade Média, dos bailes da corte, dos torneios e banquetes. Começam já hoje.
Um amigo meu quis que o seu casamento fosse acompanhado da música deste maravilhoso compositor e o ambiente estava mais original, tanto mais que celebrado na Pousada do Marão, com as montanhas a perder de vista.
Se puderem, vejam-este intérprete ao vivo no Mezzo, é liiiindo!
Os sem abrigo
Hoje resolvi sair um pouco do âmbito da cultura para me debruçar sobre o social.
Vejo no Telejornal da hora de almoço os últimos números da adesão à greve - abaixo das expectativas, pois claro, quem é que pode perder o vencimento dum dia de trabalho, mesmo que ele seja baixo e oferecer ao Estado uma percentagem daquilo que ele lhe paga quase por favor?
Enquanto professora só fiz greve uma vez e por solidariedade pois nem sequer estava convocada para os exames desses dias. Mesmo assim tiraram-me cerca de 200 euros no vencimento ao fim do mês. E greves de professores não têm consequências nenhumas, só servem para os alunos se divertirem e andarem pelos shoppings a passear...
Outra notícia que despertou a minha atenção, foi a de que muitos sem-abrigo pernoitam na gare do Oriente,
aquele monstro de betão com espaço que daria para fazer dez casas ou mais onde abrigar estas pessoas que o azar atirou para as ruas.
Não é só cá. Lembro-me de ver sem abrigos em Londres, em NY, em Paris, com climas gélidos. Passei duas noites em gares, por viajar de noite em grupo e sei quanto custa não termos onde encostar a cabeça e esticar as pernas. E eu tinha 19 anos.
Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver os jovens a entregar refeições na estação, o modo como abraçavam os necessitados, o carinho com que os tratavam.
Ainda bem que há gente generosa. Um dos homens que ali estava, com bom aspecto físico e sapatos engraxados, explicou que é epilético e que não há patrões que o admitam. Ou seja, despedem-no mal sabem que ele sofre de epilepsia. Tive uma estagiária que sofria dessa doença e sempre deu aulas, embora, pessoalmente tenha tido muitas complicações durante a vida. As doenças mentais são a maior razão de ostracismo e de miséria. Não há qualquer protecção social para quem sofre destas doenças, nem sequer podem fazer seguros de doença. Sei-o bem.
Este país não é para velhos, nem para deficientes, nem doentes, nem sequer para jovens licenciados, casais novos com crianças, este país não é para quase ninguém....
Vejo no Telejornal da hora de almoço os últimos números da adesão à greve - abaixo das expectativas, pois claro, quem é que pode perder o vencimento dum dia de trabalho, mesmo que ele seja baixo e oferecer ao Estado uma percentagem daquilo que ele lhe paga quase por favor?
Enquanto professora só fiz greve uma vez e por solidariedade pois nem sequer estava convocada para os exames desses dias. Mesmo assim tiraram-me cerca de 200 euros no vencimento ao fim do mês. E greves de professores não têm consequências nenhumas, só servem para os alunos se divertirem e andarem pelos shoppings a passear...
Outra notícia que despertou a minha atenção, foi a de que muitos sem-abrigo pernoitam na gare do Oriente,
Não é só cá. Lembro-me de ver sem abrigos em Londres, em NY, em Paris, com climas gélidos. Passei duas noites em gares, por viajar de noite em grupo e sei quanto custa não termos onde encostar a cabeça e esticar as pernas. E eu tinha 19 anos.

Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver os jovens a entregar refeições na estação, o modo como abraçavam os necessitados, o carinho com que os tratavam.
Ainda bem que há gente generosa. Um dos homens que ali estava, com bom aspecto físico e sapatos engraxados, explicou que é epilético e que não há patrões que o admitam. Ou seja, despedem-no mal sabem que ele sofre de epilepsia. Tive uma estagiária que sofria dessa doença e sempre deu aulas, embora, pessoalmente tenha tido muitas complicações durante a vida. As doenças mentais são a maior razão de ostracismo e de miséria. Não há qualquer protecção social para quem sofre destas doenças, nem sequer podem fazer seguros de doença. Sei-o bem.Este país não é para velhos, nem para deficientes, nem doentes, nem sequer para jovens licenciados, casais novos com crianças, este país não é para quase ninguém....
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Música na TV
Ouvi dizer que hoje é o dia Mundial da TV. Não confirmei, nem estou especialmente interessada. o Dia da TV é sempre que eu quero....e posso...e mando.

Neste momento, através da TV - Mezzo - estou a regressar aos meus dez anos, ao primeiro concerto a que fui na minha vida, no Coliseu de Lisboa. Tocava violino o célebre David Oistrack e o concerto era precisamente este: Beethoven, o seu único concerto para violino, opus 67, lindíssimo, tocado agora por Anne-Sophie Mutter, a menina prendada e protégée de Karajan. Merecidamente, visti que é um portento de força e virtuosidade.
Em tempos quando dava aulas de Alemão, encontrei numa revista especial para o ensino da língua,um artigo sobre esta rapariguinha alemã, que tinha, na altura 15 anos e se deslocava todos os dias vários kms para ter aulas na Suiça. Levei a história verídica para a aula e os alunos ficaram muito interessados na menina da sua idade, tão promissora e corajosa.
Hoje vejo-a na TV com muitos mais anos, mas ainda uma figurinha linda, feições muito perfeitas e um sonho a tocar.
A Orquestra Sinfónica de Israel, conduzida por Zubin Mehta parece rezar uma prece à volta desta Madona. Os músicos até fecham os olhos durante os seus solos para melhor se empregnarem do som do violino.
Há momentos belos em cada dia....hoje parecia um dia cinzento, anónimo, ida ao supermercado, arrumar a casa, tratar da roupa, limpar o pó que teima em pegar-se aos móveis, dar um jeito à lareira, fazer o jantar... e eis que do nada, a música irradia pela minha sala e convida a uma pausa para contemplar e vibrar.
Obrigada Beethoven! Obrigada Anne Sophie! Obrigada Zubin! Obrigada MEZZO!
O jantar.....virá dentro de horas quando estiver capaz de o fazer:))

Neste momento, através da TV - Mezzo - estou a regressar aos meus dez anos, ao primeiro concerto a que fui na minha vida, no Coliseu de Lisboa. Tocava violino o célebre David Oistrack e o concerto era precisamente este: Beethoven, o seu único concerto para violino, opus 67, lindíssimo, tocado agora por Anne-Sophie Mutter, a menina prendada e protégée de Karajan. Merecidamente, visti que é um portento de força e virtuosidade.

Em tempos quando dava aulas de Alemão, encontrei numa revista especial para o ensino da língua,um artigo sobre esta rapariguinha alemã, que tinha, na altura 15 anos e se deslocava todos os dias vários kms para ter aulas na Suiça. Levei a história verídica para a aula e os alunos ficaram muito interessados na menina da sua idade, tão promissora e corajosa.
Hoje vejo-a na TV com muitos mais anos, mas ainda uma figurinha linda, feições muito perfeitas e um sonho a tocar.
A Orquestra Sinfónica de Israel, conduzida por Zubin Mehta parece rezar uma prece à volta desta Madona. Os músicos até fecham os olhos durante os seus solos para melhor se empregnarem do som do violino.
Há momentos belos em cada dia....hoje parecia um dia cinzento, anónimo, ida ao supermercado, arrumar a casa, tratar da roupa, limpar o pó que teima em pegar-se aos móveis, dar um jeito à lareira, fazer o jantar... e eis que do nada, a música irradia pela minha sala e convida a uma pausa para contemplar e vibrar.
Obrigada Beethoven! Obrigada Anne Sophie! Obrigada Zubin! Obrigada MEZZO!
O jantar.....virá dentro de horas quando estiver capaz de o fazer:))
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