sexta-feira, 8 de junho de 2012

Canto romântico

Pensei que já tinha explorado o jardim do campo alegre - vulgo Jardim Botânico - de fio a pavio, mas todos os dias me surpreendo.


Praticamente, este jardim, é o local mais perto de casa onde posso respirar, sonhar, abstrair até dos ruídos dos autocarros, que descem vertiginosamente a avenida ou os carros da VCI.
Só atravesso a rua e estou dentro dum oásis citadino, visitado por pouca gente e sempre ameno.




Basta olhar em redor, abrir bem os olhos ou fechá-los com a impressão na retina, sentar por uns minutos, olhar para o céu, contemplar árvores seculares, assistir ao parto de mais um cacto ou buganvília, admirar os contrastes, agradecer à primavera as rosas, as camélias, os agapantos, os nenúfares... em resumo identificar-me com a natureza na plenitude da palavra.
Ontem fui lá ao fim da tarde, tirei mais umas fotos, desta feita ao canto mais longínquo , onde fica o único jacarandá do jardim, um pouco menos rendilhado este ano, junto às mais lindas buganvílias que vi esta primavera. Lá perto fica um enorme salgueiro - willow weeping tree - sobre o grande lago de nenufares, onde acredito existirem seres aliegíneos ;-). Gosto de me meter por baixo dos longos ramos dum verde indescritível e ver os cambiantes de luz e cor que aquela redoma verdejante me oferece. Sinto-me no céu.



Uma citação em que acredito

Há duas formas para viver a sua vida: 
Uma é acreditar que não existe milagre. 

A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.




Fernando Pessoa

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Dia santo com o Primavera Sound Festival

Chamam-se santos porque dão direito a pontes, viadutos, festivais e até a greve dos comboios....pára o país e depois queixam-se todos amargamente....povo mais tristonho nunca vi.



Mas hoje começa um dos eventos mais esperados do ano para os melómanos indie, música independente ou alternativa, o Optimus Primavera Sound, cujo programa é de aliciar os mais empedernidos.  Desde 2001 em Barcelona, este ano resolveram alternar com o Porto, cidade Invicta e oferecer um verdadeiro troféu a esta cidade.
Quem me dera ter 30 anos como o meu filho e ir para o Parque da Cidade abanar o capacete ao som do Thierssen, dos Beach House, dos Yo la Tengo ou abanar os braços saudando o maravilhoso Rufus Wainright ou os Kings of Convenience.... 
Pensam que estou a inventar? Não, não conheço-os todos, oiço-os todos desde que há I'Tunes e o meu filho mais novo é Dj virtual no Facebook. Passo horas a ouvir música clássica, mas em viagem e mesmo nas horas vagas, dedico-me a este tipo de música menos erudita.
Tenho verdadeiras saudades de ir a concertos de música não clássica, mas aqui no Porto rareiam e quando vêm é ao Coliseu do Porto, que tem uma acústica péssima para instrumentos electrónicos, vibra, ecoa e dá-nos cabo dos tímpanos.

Vou acompanhar ouvindo com auscultadores todas estas músicas enfeitiçantes. E talvez até levante os braços e acenda isqueiros!!!


Fica aqui outro Halleluja, este pelo meu mais querido intérprete do bouquet que cá vem.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Experiências fotográficas


Ando mesmo feliz com a minha nova aquisição e não me canso de experimentar os macros e micros, os zooms distantes, mais voyeuristas do que artísticos.

Hoje recebi da Amazon um livro maravilhoso - Photo Inspiration - que dá vontade de deixar tudo e ir num safari fotográfico com aquelas pessoas que sabem tudo e nos ensinam com paciência de santos ( onde é que os há?).


Ainda não desisti de fazer um workshop de pintura na Toscânia ( lembrem-se disso quando eu já não tiver sonhos, please) ou um safari fotográfico em África ou na América do Sul...
Provavelmente as minhas artroses não me permitirão sequer sair da Europa, mas ainda tenho tanto para ver, mesmo no nosso país, que posso continuar a sonhar....sem gastar um tostão.

Só aqui, nesta varanda, a imaginação liberta-se como esta gaivota que fotografei há minutos. E daquela torre onde um dia Sophia escreveu poemas com vista para o mar, posso criar toda uma história de fadas e duendes escondidos nos charcos do jardim do campo alegre.

Há pouco passou uma freirinha aqui pela rua e não resisti a fotografá-la. Ficou um pouco fugidia, mas isso é comum nas pessoas da igreja, não gostam de protagonismo.


Já os bonecos de peluche da minha Luisa não se importaram nada de ser o centro do universo e fizeram pose para a fotografia, unidos no amor.



Daqui a nada chega aqui o meu neto do meio, que hoje vai dançar na Casa da Música.

Deve vir excitado e não vai dar descanso ao Panda Biggs.
Que bom que é ter uma Avó....com TV plasma e Zon fibra!!! O pacote Avó+TV custa o mesmo e se ele se portar bem ainda leva um croissant e sumo. Poderia lá viver sem ZON!:)

Fica aqui uma canção do musical Fiddler on the Roof, To Life um hino à vida que se renova todos os dias.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Back to the home blues


 Vão aqui algumas fotos que tirei do comboio, já que no dia anterior só choveu.....

Cá esperava um dia de sol e calor a saudar a vinda da minha filha e afinal esta quase o mesmo tempo de Leeds, cinzento, e pouco prazenteiro.

Venho cheia de adrenalina, apesar das dores artriticas agora serem mais dificeis de aguentar, fruto de tres dias de autentica maratona. Ontem tivémos de mudar duas vezes de comboio com quatro malas pesadas e numa da vezes quase que as perdíamos, não fora o sangue frio do meu filho que correu para o outro lado da carruagem à procura delas...
Nao sei como faria isto tudo se não fosse a generosidade e maneira de ser dele - foi sempre altamente responsável e meu amigo-  hoje já abalou para Lisboa para ser entrevistado no Parlamento sobre as patentes que o seu grupo de trabalho está a lançar. Quase nem conseguiu ver os pequenitos, que adoram ter o Papá e a Mamã juntos.



Tres malas para despejar, roupa para arrumar, livros, CDs e DVDs para catalogar....e já 40 páginas de trabalho do revisor para corrigir o meu original. O mês de Junho vai ser de trabalho afincado.

É melhor que chova:))))

domingo, 3 de junho de 2012

farewell Leeds

Sao onze da noite, ja me tinha deitado, mas nao conseguia pregar olho, vesti-me de novo e vim para o 'atrio do hotel onde reina um ambiente agradavel. A minha filha ja dormia, o irmao trabalhava agarrado ao laptop no seu quarto, e eu estou feita viuva alegre a laurear a pena na net. Convosco. Os que leem isto e se interessam por tudo...

Hoje voltei a Baixa de leeds com a minha Luisa e ao meu querido M&S onde durante anos comprei parte da minha roupa quando Londres era chique e depois no Porto enquanto existiu. Moda classica, com bom gosto. Lembro-me da camisola de cachemira - um luxo que comprei para o meu marido - e nunca ousei comprar para mim por serem carissimas. Hoje comprei dois pares de calcas de linho, eles tem tamanhos todos baixo, gordo, magro , medio, etc. A minha filha so comprou um anel, mas eu ofereci-lhe uma blusinha linda para festejar. As nossas malas estao cheias a abarrotar e so podem pesar 15 kg de modo que nao podemos arriscar. Ate livros trazemos, sem falar duns 100 DVDs e CDs - a minha filha nao  resiste as series inglesas, filmes, musica, etc. Vieram todos sem capas o que e um do , mas a unica maneira de os trazermos.

Jantamos no Nando's a cadeia de restaurantes portugueses que faz sucesso em todo o mundo, frango de churrasco com acompanhamentos variados e deliciosos. Ate tem pasteis de nata...quentinhos, melhores que os de Belem!!

Este vai sem fotos...depois ponho-as no Porto.
Amanha vai ser um dia longo - 3 de comboio depois duas no aeroporto mais duas horas de voo na Ryanair nao e petisco, mas tem de ser...e a vida! As artroses curam-se com brufens e alma.

Leeds fica para traz para ja....como diz a Luisa, um novo ciclo se abre....oxala lhe seja leve e esperancoso.

sábado, 2 de junho de 2012

Obrigada

Meus amigos e Mano,

Escrevo-vos a todo o vapor do hotelIbis, onde se paga uma libra por uns escassos minutos de reflexao e expressao dos nossos sentimentos. Tivera eu uma libra em ouro e gasta-la-ia a agradecer-vos todo o carinho e amziade que li nestes posts ha minutos. Foi a segunda vez que chorei hoje...a primeira devem calcular quando foi, depois dum susto que durou uma hora. O empregado do Cnetro disse-me que nao havia visitas, nem entradas para ver doentes, pois estav uma pessoa com uma infeccao e eles nao queriam abrir. Ao longe vi a minha Luisa, que ja tinha tudo pronto, mala feita, etc. para vir comigo. Felizmente, acabou por vir um enfermeiro, que nos deu a doc. necessaria para trazer a minha filha e a medicacao necessaria, revelando grande interesse e ternura por ela. Compensou a espera, mas eu fiquei debulhada em lagrimas ao sairdo centro, onde tanta coisa aconteceu ja, desde 2005.
Janeti num belo restaurante italiano onde se come divinalmente , depois de termos estado a despejar o quarto da Luisa , livros,DvDs, roupa, tralha...acumula-se tanta coisa em quase dois anos. Amanha terminamos vamos pra o porto na 2. A viagem e longa e cansativa, mas ha horas que valem bem o esforco.

Bem hajam todos....hoje so tirei umas cinco fotos, o dia esta cinzento e chuvisca ou nao sejam as terras de Sua Majestade em Jubileu!!

Bjinhos a todos e ate a volta

From Leeds with LOVE

Não fazem ideia do que me comove ler estas mensagens que pessoas extraordinárias me escrevem todos os dias. Penso nelas ...e desejo-lhes o mesmo que me desejam a mim...toda a felicidade e Paz neste mundo turbulento que nos deprime tantas vezes.

Crer é poder...na minha óptica ( Lumix!!). Fui buscar a minha Luisa, não me canso de olhar para aquela carinha de menina, sempre de cabeça no vago, à vezes numa outra dimensão. Vai para Leeds, depois de um mês e meio no B Centre

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Rejuvenesci...no Dia da Criança

Sim, comprei uma nova máquina fotográfica - esta para durar mais uns anitos (?) e não tão frágil como a Leica. Tão vaidosa era aquela que se mirou nas águas do lago e enamorou-se da sua imagem....foi minha companheira durante quatro anos....vida curta. merecia mais.



Esta Panasonic Lumix , com lente Leica e outras potencialidades foi mais barata, mas parece-me bastante boa para as minhas ambições. É um pouco pesada, mas só andarei com ela em viagem ou na Foz.

Ainda só experimentei automático, zoom e macro, mas gosto das fotos e talvez esta camara ofereça outras virtualidades, visto ser mais moderna e prática. Para já, pode-se pendurar ao pescoço o que já dá algumas garantias....se cair a um lago, caio eu também!! Depois, tem um zoom poderoso, que ainda não explorei, pois não tive tempo.




Hoje o dia estava acizentado, a prever trovoada e a visibilidade não era a melhor, mas estava morta por experimentar o meu brinquedo e como é o Dia da Criança, achei que tb tinha direito a divertir-me um pouco.
No Botânico tinha havido uma homenagem a Sophia , mas não assisti, quando cheguei já tinha terminado, ainda estavam lá alguns adolescentes, felizes porque, segundo me pareceu, iam dali para a praia. Ainda bem, é tão aborrecido estar dentro duma sala de aula com este tempo quente...e o mar aqui tão perto.

Ficam aqui as experiências que fiz e um poema de Florbela Espanca, dedicado à criança que fui um dia e à Mulher que hoje sou:














Amo as pedras, os astros e o luar
que beija as ervas do atalho escuro,
amo as águas de anil e o doce olhar
dos animais, divinamente puro.


Amo a hera que entende a voz do muro
e dos sapos, o brando tilintar
de cristais que se afagam devagar,
e da minha charneca o rosto duro.


Amo todos os sonhos que se calam
de corações que sentem e não falam,
tudo o que é infinito e pequenino!


Asa que nos protege a todos nós!
soluço imenso, eterno, que é a voz
do nosso grande e mísero Destino!...


FLORBELA ESPANCA

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Há tardes assim

...em que só fazemos aquilo que nos apetece com  vagar e todo o tempo do mundo. Sem pressão, sem dores demasiadas, sem grandes preocupações, com  uns pozinhos de futilidade ou de consumismo, como queiramos chamar-lhe, acompanhados de gente anónima e de gente que nos atende com um sorriso quase conivente no cabeleireiro, no supermercado, na Leitura e até na Zara.

A crise forçou sorrisos aos empregados portugueses, habitualmente fechados e mal dispostos; dá-se-lhes emprego em troca dum sorriso permanente e dum trato user friendly dos clientes.
Dá gosto ser atendido por pessoas simpáticas e que "precisam" de nós para viver. Até aqui, ficava muitas vezes na dúvida se os empregados nas lojas queriam realmente vender alguma coisa ou se estavam mortos por que nós nos pirássemos ( é o termo!). Faziam sorrisos enjoados, diziam " não temos" e quase acrescentavam um " temos pena" doentio.

Hoje passeei-me pelo Cidade do Porto, arranjei o cabelo pois tenho de ir bonita para Leeds e ver a minha filha, não vejo a hora de a abraçar. Comprei uma malinha linda, pequena , só para documentos, dinheiro e pouco mais, não consigo transportar carteiras pesadas hoje em dia. É bom ter coisas novas de vez em quando!
Sentei-me no bar da Livraria Leitura e enquanto bebia um carioca de limão ( a bebida favorita do meu neto quando vem cá a casa!!) e comia um pecaminoso bolo de nóz , folheei o livro de Helena Sacadura Cabral, que é quase um blogue em papel com considerações sobre o que a autora valoriza na vida. Não fiquei interessada em o comprar, embora saiba que é uma pessoa com classe a todos os níveis. Já há muitos livros com cogitações íntimas e na era da Internet, em que tudo isso pode ser transmitido num blogue, num facebook ou twitter, onde é lido por centenas de pessoas, parece-me irrelevante que fique registado para a posteridade. Não censuro que se publiquem, as editoras lá sabem o que é que vende, mas há tantos escritores, poetas e historiadores que não arranjam editores para as suas obras originais e interessantes, que este tipo de livro - há-os às dezenas, neste momento - não me desperta nenhuma vontade de gastar dinheiro para o ler em casa.

Talvez um dia me arrependa de ter escrito isto e resolva publicar este blogue.....mas ainda muita água correrá debaixo da ponte. O livro em questão está no Top dos livros mais vendidos esta semana. As pessoas são curiosas ou bizarras, como diria o Principezinho.

O dia estava soalheiro, quente e radioso mesmo. Vim no autocarro a ouvir uns miudos das escolas a conversar naquela linguagem grosseira que agora se usa. Chocam-me cada vez mais as conversas que oiço casualmente, não há um fio à meada, não é português, é uma algaraviada boçal e sem pinga de humor.

Ontem li um artigo na net que dizia isto, que traduzo do inglês:

Há algo de errado numa sociedade em que as pessoas são incapazes de manter uma conversa com qualidade  cara a cara.

O artigo é todo ele interessante e dá que pensar. As pessoas hoje em dia falam por cabo, por fibra óptica, sem fios, por satélite....mas não olhos nos olhos.
Já ninguém ouve ninguém.. todos falam muito e muito alto.

Relembro com saudades tantas conversas que tive com os meus Pais, com o meu ex- e com os meus filhos durante anos e anos. Fazem-me tanta falta!

Fica aqui a canção maravilhosa dos saudosos Simon & Garfunkel, cuja letra tem muito a ver com o que acabo de escrever.








As minhas casas

Já vivi em 12 casas diferentes desde que nasci.

Da primeira mal me lembro pois tinha 5 anos quando mudámos para a grande. Só me lembro de dormir com mais 3 irmãs no mesmo quarto e das noites serem uma paródia.


Na segunda casa, vivi 20 anos, foi praticamente toda a minha infância e adolescencia. Era um local chique, mas muito afastado de tudo o que eu gostava na altura. Para fazer alguma coisa tinha de apanhar autocarros e à noite só com companhia e boleias. Mas tinha um jardim de sonho.

Adorei a terceira casa em Lisboa para onde mudámos em 1971 apesar de ser acanhada para tantos filhos. Era junto à Gulbenkian, jardim maravilhoso.  No meu quarto só havia duas camas, uma mesinha e um piano...já eu dava aulas no Pedro Nunes e depois no M.Amália... nem tinha onde arrumar os livros.

Depois de casar vivi no Lumiar, num apartamento pequeno, mas cheio de sol com uma varanda maior que os quartos todos. Não tinha vista, mas ficava num local simpático.

A partir de 1975, passei a viver em casas de magistrados, enormes, velhas, geladas , sem graça....mas tentei sempre fazer delas lares e sentia-me bem, apesar do desconforto e do frio. Beiras, Trás os Montes, Minho são regiões belas que me deixaram recordações inolvidáveis.

Quando vim para o Porto não tinha casa nenhuma, vivi um ano na da minha sogra e foi o pior ano da minha vida....como é de calcular..., mas depois mudámo-nos para um apartamento, já com três filhos, em frente à escola onde eu dava aulas. Parecia-me o paraiso, apesar de ser bem modesta...a pouco e pouco conseguimos pô-la decente e sentia-me lá bem, ainda que apertada, sem muito por onde respirar.





Daí fui viver já sozinha  em 2002 para um 8º andar duplex, que comprei entretanto. O apartamento tinha a vista mais ampla do Porto que conheço. Via pores do sol todos os dias, as janelas panorâmicas à noite pareciam de filme e os barcos flutuavam no ar lá muito ao longe. O meu filho mora lá.

Esta é a minha ultima casa, já cá moro há seis
anos. Fico perto dos filhos e netos, é cosy, está-se bem e lá fora há todo este arvoredo maravilhoso que nos faz esquecer a cidade.

Antes de me deitar, abro sempre a janela do quarto e respiro o ar fresco da noite. Não acredito em Deus, mas agradeço-lhe ter tido sempre uma casa a que pude chamar o meu lar.